QUERO UMA NAMORADA

A quem interessar possa: quero uma namorada. Mas não qualquer namorada porque, infelizmente, eu sou exigente. “Ficantes”, por exemplo, é no departamento ao lado, não aqui. Não me interessa um relacionamento amoroso de algumas horas. Seria fácil e cômodo, mas, como já disse, infelizmente sou exigente.

 

É preciso, antes de tudo, que ela tenha a sensibilidade especial de me achar bonito. Porque não há verdade maior do que "a beleza está nos olhos de quem a vê" e você não ama alguém que não ache bonito. É preciso que ela consiga ver através dos óculos (os meus, claro), através deste corpo desconjuntado, através de todo o desajeito e enxergue rápido minha alma para que – aí, sim – veja beleza – a única, a verdadeira, a que definitivamente conta – em mim. Não é qualquer uma que consegue.

 

Quero uma namorada. Mas, se for possível, uma de verdade, uma que não tenha medo das responsabilidades do namoro e encare isso como um prazer antes de uma obrigação. Que não fique pensando que “vai ter de” me ver depois do trabalho e, “que saco”, se produzir para ficar mais bonita e ainda forçar um bom humor para ser boa companhia depois de um dia difícil de trabalho. Quero uma namorada que, depois de um dia de trabalho, pense que – que bom – vai finalmente encontrar alguém que gosta muito dela e ter um bom momento no fim do dia. Que saiba que, se estou com ela, é porque seu mau humor eventual também é bem-vindo, que ela não precisa ser uma “boa companhia” o tempo todo. Às vezes, eu é que preciso ser e, nesses momentos, ela deve deixar que eu seja.

 

Que ela não me tenha apenas para os bons tempos de farras, mas que, quando os problemas surgirem, me tome como um ponto de apoio e não como um problema a mais. Quanto mais paixão, melhor, mas que ela entenda que não estou lá só para isso. Quero uma namorada que me queira fazendo parte da vida dela, na alegria e na tristeza, e não me colocando de lado, como se ajudá-la fosse me aborrecer, fazendo isso para que não precise dedicar sua atenção a mim, além dos problemas a serem enfrentados por ela. Que ela perceba que somos uma dupla, um time, que estou do lado dela e jamais contra, que nunca seria deliberadamente alguém que a atrapalhasse. Que estou lá para ser o ombro de que ela precisa nos momentos de fraqueza, um punho a mais nos momentos de briga, o colo dos momentos de cansaço, assim como o amante dos momentos de carinho e desejo.

 

Que ela entenda sou ciumento, sim, e que isso é uma demonstração de amor – mesmo que digam o contrário. Ciúme é medo de perder e ela é importante para mim – e por isso, não vou querer perdê-la. Mas que ela também esteja certa de que tenho a exata medida do que é responsabilidade dela e do que não é – de que sei que não será culpa dela ser paquerada, mas que será se der bola para alguém.

 

Quero uma namorada que tenha a certeza de que nunca encontrará alguém tão fiel, alguém tão incapaz de traí-la. Que a paixão por ela já será suficiente para ofuscar as outras mulheres e que, mesmo que não fosse, nunca arriscaria perder algo tão importante por uma relação efêmera.

 

Que – a não ser que ela seja uma megera incorrigível – nunca encontrará alguém tão dedicado e, muito provavelmente, tão apaixonado.

 

Quero uma namorada que, no fim, se ele vier, não tenha medo de dizer os motivos pelos quais tudo acabou. Que não esconda os motivos atrás de clichês como “não é como você, é comigo”. Que – meu Deus! – não diga que ainda gosta de mim, mesmo que naquele momento esteja despedaçando meu coração em cacos tão pequenos que ele jamais será colado de novo. Que entenda (e que eu também entenda) que, se ela está acabando, não interessam os motivos o motivo será sempre um só: ela não gosta de mim o suficiente. Que deixe isso claro, que mate impiedosamente as minhas esperanças, que não deixe subentendidos, que não permita que eu ainda fique sonhando com ela, com aquele 1% de chance de que ela caia em si e veja que nunca encontrará alguém como eu – porque eu vou me agarrar a esse 1% de chance como quem se agarra à própria vida e será muito cruel quando ela finalmente encontrar outro alguém como eu. Que, dependendo das razões, ela saiba que o fim me deixará magoado – mas que eu tenho o direito de saber e de não ser enganado. Que, se ela provocar a minha raiva, que tenha a dignidade de assumir suas responsabilidades, mesmo que seja a responsabilidade com algo tão banal quanto os meus sentimentos.

 

Quero uma namorada impossível.

 

(Renato Félix)

EU PRECISO...
...Aprender a deixar de ter esperanças vãs naquilo que já está claramente mais do que perdido. Geralmente acho que vale a pena brigar mesmo quando se tem 1% de chance de ter sucesso. Nem sempre vale, e eu preciso colocar isso na cabeça e passar superbonder para não sair.
80 MÚSICAS DOS ANOS 1980

Há alguns anos pensava numa festa só com músicas dos anos 1980. Tinha vários motivos para isso: elas estavam inexplicavelmente banidas das rádios e das boates, as pessoas pareciam ter esquecido de como aquela década foi divertida. Sempre achei inacreditável que boates e rádios preferissem ficar tocando aquele bate-estaca monótono e irritante. Nunca me rendi a isso e me orgulho.

Cheguei a conversar sobre isso com o João Carlos, mas não desenvolvemos a idéia. Falou-se muito nessa festa e nada de ela acontecer. Até que resolvi usar o meu aniversário para isso. A Philio, uma anfitriã maravilhosa, ofereceu a casa para a festa. A Eliane Cristina fez a seleção musical comigo, a partir do acervo que o Eduardo Menezes mantém em mp3. Os quatro Cds foram gravados na casa do André Cananéa, que baixou as músicas que faltavam. E finalmente realizamos a "80 Músicas dos Anos 1980".

Foi sábado passado. 74 músicas lançadas rigorosamente entre 1979 e 1990. Estava um pouco ansioso, confesso. O pessoal iria gostar? Estaria eu errado e as boates certas? Tudo daria certo? O salão não iria ficar o tempo todo ew frustrantemente vazio?

Muitos, muitíssimos amigos meus, de várias turmas estiveram presentes. Outra confissão: alguns eu havia pessoalmente ameçado de morte se não fossem. Mas a maioria foi por livre e espontânea vontade, apenas respondendo aos convites. O começo foi tímido. "O ruim de você juntar numa festa muitos amigos que não se vêem há muito tempo é que eles ficam o tempo todo conversando!", disse a Eliane. Mas o pessoal foi aos poucos indo para a "pista" (na verdade, a sala da Philio). Na sexta música, "You are the one", do A-Ha, a festa explodiu.

Na altura da 18ª música ("Tempo perdido", da Legião Urbana), a coisa pegou fogo de vez. Juntou o pessoal no salão preparando tudo para a seqüência de músicas que foi carinhosamente preparada pela Eliane e por mim para que fosse momento culminante: "Take on me" (A-Ha); "Boys dont't cry" (The Cure), "A little respect" (Erasure) e "Girls just to want to have fun" (Cyndi Lauper). Quando vi a sala lotada de gente cantando a plenos pulmões "Girls junt to want to have fun", fiquei emocionado. Aí, vi que nada poderia dar errado.

Muitos momentos foram encantadores. O conhaque que a Beth me fez beber e aquele parabéns improvisado que se seguiu, no meio de "As sete vampiras". Clóvis me dizendo: "Esta é a maior reunião da minha turma desde que a gente se formou!". Detalhe: não era a minha turma.

As pessoas parecem ter gostado muito. E isso me deixou muito, muito feliz. Que bom. No final, Girls (and boys) wanna have fun, e esse é o espírito dos anos 1980.

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