Em tempo: "queria ser mais leve" não implica em querer ser mais magro. Vocês me entenderam.
Vocês notam que este blog desde o início sofre de uma certa crise de identidade, não é? Tenta se equilibrar entre um mero concentrador de conversa fiada virtual com coisas "úteis e informativas". É um conlfito constante: "Não vou escrever isso porque é meio besta"; "Não vou escrever isso porque é sério demais e eu queria ser mais leve". Um jogo de empurra-empurra danado.
DESORDEM DE PERSONALIDADE

Me bati pela segunda vez com esse teste. A primeira foi no Longe Daqui, o blog da Manuzinha. O segundo, em posts quase pré-históricos (de 2001! É que estou lendo As Obras Completas da Ione Moraes) do Menina do Didentro. Desta vez resolvi tomar coragem, acionar o Michaelis na página de educação do Uol para dar uma força no meu inglês sofrível e fazê-lo. Aqui estão os resultados do meu Personality Disorder Test:

Paranoid: Low
Schizoid: Low
Schizotypal: Moderate
Antisocial: Low
Borderline: Low
Histrionic: Moderate
Narcissistic: Low
Avoidant: Low
Dependent: Moderate
Obsessive-Compulsive: Moderate

Ou seja: moderadamente schyzotipal (isso é esquizofrênico? O Michaelis não me ajudou nessa), histriônico, dependente e obsessivo-compulsivo. Cuidado comigo, hein?

Só que, como não é bom ser mezzo-psicótico sozinho, vou divulgar o resultado dos testes das meninas:

Manu:
Paranoid: Moderate
Schizoid: Low
Schizotypal: High
Antisocial: Low
Borderline: Moderate
Histrionic: High
Narcissistic: High
Avoidant: Low
Dependent: Moderate
Obsessive-Compulsive: Moderate

Ione:
Paranoid: Moderate
Schizoid: Moderate
Schizotypal: Moderate
Antisocial: Low
Borderline: Low
Histrionic: Moderate
Narcissistic: High
Avoidant: Low
Dependent: Low
Obsessive-Compulsive: Low

Bem-vindo ao clube dos histriônicos... A gente podia estabelecerum ranking: os mais paranóicos, os mais narcisistas, os mais dependentes, os mais obessivos-compulsivos... Não? Tá, então esquece.

MINHAS DECLARAÇÕES DE AMOR PREFERIDAS (VIII)

Cantando na Chuva (Singin' in the Rain, 1952). Direção de Stanley Donen e Gene Kelly; roteiro de Betty Comden e Adolph Green.

O astro do cinema mudo Don Lockwood (Gene Kelly) passeia pelo estúdio com a novata Kathy Selden (Debbie Reynolds).

KATHY - Falei mesmo coisas horríveis aquela noite, não?

DON - Não, eu mereci. É claro, devo admitir que fiquei chateado com aquilo. Tão chateado que não consigo pensar em outra coisa senão você desde então.

KATHY - Sério?

DON - Sério.

KATHY - Bem, fiquei chateada também...

DON - Kathy... Kathy, olhe... Vendo você de novo... Agora que eu... (pára) Kathy, estou tentando dizer alguma coisa, mas sou... sou um canastrão, mesmo. Acho que não consigo sem o cenário adequado.

KATHY - O que quer dizer?

DON - Bem... (Olha para o estúdio fechado logo atrás deles) Venha aqui.

Don abre a porta e eles entram no estúdio às escuras.

DON - Este é o cenário adequado.

KATHY - Mas é apenas um palco vazio.

DON - À primeira vista, sim. Mas espere um pouco. (Acende as luzes sobre a parede pintada ao fundo) Um belo pôr-do-sol.

Liga uma máquina.

DON - Brumas das montanhas distantes.

Acende outro holofote, desta vez sobre eles.

DON - Luzes coloridas no jardim.

Ele pega Kathy pela mão e a faz subir até o alto uma escada armada no meio do palco.

DON - Minha dama em sua sacada, num pórtico cheio de rosas...

Acende um canhão de luz sobre ela.

DON - ...Sobre a luz do luar. E mais 500 mil quilowatts de estrelas...

Acende outras pequenas luzes.

DON - Uma suave brisa de verão... (liga um grande ventilador) ...e... Você fica linda sob o luar, Kathy.

KATHY - Agora que tem o cenário adequado, você pode dizer?

DON - Vou tentar. (Começa a cantar)

"Life was a song,
You came along
I've laid awake the whole night through
If I ever dared to think you'd care
This is what I'd say to you

You were meant for me
And I was meant for you
Nature patterned you
And when she was done
You were all the sweet things
Rolled up in one

You're like a plaintive melody (ele desce Kathy)
That never lets me free
But I'm content
The angels must have sent you
And they meant you just for me...

(Dançam suavemente até voltarem à escada, se olhando)

But I'm content
The angels must have sent you
And they meant you just for me..."

Ô, VIDINHA BESTA

De passagem pelas chamadas do Uol, descobri - olha, que importante - que a "modelo-e-atriz" que antes era conhecida por Núbia Óliver, e antes disso por Núbia Oliveira, agora ser chama Núbia Oliiver - isso mesmo, com dois "is".

E nem assim vai deixar de aparecer, no máximo, num Gilberto Barros da vida. Coitada. Bom mesmo é ser numerologista e ganhar uma grana fácil de quem está fora da mídia e doidinho pra voltar.

DA SÉRIE "EU ODEIO O MEU BLOG"

Agora, este blog deu para não exibir as mensagens postadas aos sábados! Tá certo que a tradição judaica manda guardar os sábados e os dias santos, mas, pô, eu nem sou judeu! E nem adventista do sétimo dia!

E quer dizer que, depois de escrever aquele texto tão emocional do dia 11 de dezembro, as pessoas não vão ler porque ele foi posto inadvertidamente num sábado?? Só comigo...

ADEUS, WILL

Soube ontem pelo Jornal da Globo: Will Eisner, criador do Spirit e o homem que revolucionou a narrativa das hstórias em quadrinhos, morreu na Flórida. Todo mundo que gosta de ler um gibi - de Luluzinha a Alan Moore - deve alguma coisa a Eisner. Amanhã tem matéria minha no Jornal da Paraíba, mas aqui vai uma prévia:

A revolução nem estava tanto no teor das histórias, apesar do clima noir e embora houvesse muitas vezes um tom de crítica social que simplesmente passava longe dos comics de super-heróis tradicionais e às vezes o herói mal aparecesse na trama, protagonizada por cidadãos comuns em suas tragédias urbanas. O que colocava as histórias em quadrinhos de cabeça para baixo era a narrativa - ou seja, a maneira de contar as histórias.

Foi Eisner quem explorou as possibilidades visuais para jogar com com as dimensões e formas dos quadros ou pensar a página como um todo. As ilustrações não eram mais só veículos para as tramas, mas passaram a influir diretamente no ritmo e no tom cômico ou dramático de cada história. Will Eisner transformou as “histórias em quadrinhos” em “arte seqüencial”.

MINHAS DECLARAÇÕES DE AMOR PREFERIDAS (VII)

O Diário de Bridget Jones (Bridget Jones' Diary/ Le Journal de Bridget Jones, 2001). Direção de Sharon Maguire; roteiro de Helen Fielding, Andrew Davies e Richard Curtis, baseado no livro de Helen Fielding.

Depois de um jantar em que ela era a única solteira à mesa, Bridget Jones (Renée Zellweger) está se vestindo para ir embora. Mark Darcy (Colin Firth) desce as escadas e, ainda de longe, tenta puxar conversa.

MARK - Gostei muito da sua reportagem no corpo de bombeiros de Lewisham.

BRIDGET - (sem se virar) Muito obrigada.

Ele se aproxima e ela se vira.

MARK - Não deu certo com o Daniel Cleaver?

BRIDGET - Não, não deu.

MARK - (sério) Adorei saber disso.

BRIDGET - Olha, você e o Cosmo estão juntos nisso? Parece que faz questão de me fazer sentir uma completa idiota toda vez que eu te vejo. E realmente não precisa se incomodar: já me sinto idiota na maior parte do tempo. Pendurada ou não no cano do corpo de bombeiros. (a campainha toca) É o meu táxi. Boa noite.

MARK - Olha... Hã... Desculpe-me se fui...

BRIDGET - O quê?

MARK - Não acho que você é uma idiota. Quer dizer, há elementos ridículos em você. Sua mãe é muito interessante. Você é uma péssima oradora em público. E deixa sair tudo o que vem pela boca sem considerar as conseqüências. Percebi que quando a conheci no almoço do peru ao curry fui imperdoavelmente grosso e usava aquele suéter de rena que minha mãe me deu um dia antes. Mas a questão é... O que estu tentando dizer... de uma forma totalmente desarticulada... é que, na verdade, talvez, apesar das aparências, eu gosto de você. Muito.

BRIDGET - Apesar do cigarro, da bebida, da mãe vulgar e da diarréia verbal.

MARK - Não, gosto muito de você. Do jeito que você é.

PARA GRAVAR (adendo bem tardio)

Lembram daquela fita (lá no dia 21 de dezembro)? Tira o Phil Collins (porque, mesmo com os problemas, ela não ficou do meu lado) e The Corrs (porque eu a amei e, embora a música seja uma bela birra, não deixa de ser meio uma mentira).

No lugar, entram "Change of heart", da Cyndi Lauper, e - ahá! - "The winner takes it all", do Abba.

E, aproveitando: é, Manu, é uma salada e tanto. Nem quando fico deprimido consigo ficar triste por mais de dez minutos, acho - até minhas músicas que falam de coisas tristes são meio animadas. Mas as letras formam uma unidade, pode ver.

MINHAS DECLARAÇÕES DE AMOR PREFERIDAS (VI)

Muito Barulho por Nada (Much Ado About Nothing, 1993). Direção e roteiro de Kenneth Branagh, baseado na peça de William Shakespeare.

Beatrice (Emma Thompson) and Benedick (Kenneth Branagh) 

Benedick (Kenneth Branagh) e Beatrice (Emma Thompson) possuem uma rusga antiga e não se suportam - não podem se encontrar sem soltar farpas agudas um contra o outro. Por uma artimanha dos amigos de ambos, eles acabam por revelar seu amor um pelo outro e a namorar - a seu modo.

BENEDICK - Agora, dize-me: por qual dos meus defeitos te apaixonaste primeiro?

BEATRICE - Por todos eles juntos. Eles constituem um mal tão perfeito que não permite que o bem se misture. Mas, dize-me, por qual das minhas qualidades sofrestes amor primeiro?

BENEDICK - "Sofrer amor". Bela expressão, porque, de fato, sofro amor, já que amo-te contra a minha vontade.

BEATRICE - Contra o próprio coração? Pobre coração... Se o desprezais por minha causa, eu o desprezarei por tua causa, porque não posso amar o que o meu amigo odeia.

BENEDICK - (Sorrindo) Somos inteligentes demais para namorarmos em paz...

OS DEZ MELHORES FILMES DO ANO

Por Renato Félix

Como sempre, boa parte dos melhores filmes exibidos são produções ainda do ano anterior. Apenas um brasileiro entrou na lista (e não foi Olga), numa lista de dez melhores que poderia ser perfeitamente de 15, graças ao bom numero de filmes de qualidade em nosso circuito. Nos cinco primeiros, um fator comum e uma certeza: o amor, sentimento tão batido no cinema, ainda é capaz de produzir maravilhas quando bem tratado por roteiristas e diretores.

1. Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças (Eternal Sunshine of Soptless Mind, 2004, de Michel Gondry). Um homem luta desesperadamente para salvar as lembranças de um amor que já acabou no intrincado, rocambolesco e brilhante roteiro de Charlie Kaufman. O filme faz a história andar para trás e para a frente ao mesmo tempo, exige atenção do espectador e surpreende a todo momento. Mistura memória e imaginação de maneira inteligente, ousada e impecável.

2. Pacto de Justiça (Open Range, 2003, de Kevin Costner). Com Costner em baixa, esse faroeste que passou quase despercebido, mas é o melhor desde Os Imperdoáveis (1992). Um belo conto sobre lealdade e redenção, empolgante e simples.

3. Homem-Aranha 2 (Spider-Man 2, 2004, de Sam Raimi). Além de vibrante como aventura, consegue emocionar de verdade ao tratar o herói como um ser com sentimentos, fraquezas e paixões.

4. Encontros e Desencontros (Lost in Translation, 2003, de Sofia Coppola). Bill Murray e Scarlett Johansson se esbarram na longínqua Tóquio e compartilham sua solidão no filme mais poético do ano.

5. Kill Bill - Volume 2 (Kill Bill - Volume 2, 2004, de Quentin Tarantino). Tarantino fecha sua homenagem aos filmes de kung fu diminuindo o clima festeiro e aumentando o drama. E fez um de seus melhores filmes.

6. Em Nome de Deus (The Magdalene Sisters, 2002, de Peter Mullan). A história de três moças internas em um convento-reformatório é dura e cruel, contada sem apelações e sustentada com brilho pelas jovens atrizes.

7. Os Incríveis (The Incredibles, 2004, de Brad Bird). Com super-heróis como personagens e ritmo de James Bond, o filme da Pixar é igualmente enfocado nos problemas familiares, com personagens mais reais que nos filmes de ação com gente de verdade.

8. Fahrenheit 11 de Setembro (Fahrenheit 9/11, 2004, de Michael Moore). O documentário que tentou - mas não conseguiu - derrubar Bush vai do hilariante ao chocante, bem no estilo de Moore.

9. Redentor (2004, de Cláudio Torres). O único brasileiro na lista é delirante e operístico, como um paralelo aos absurdos do Brasil.

10. Seabiscuit - Alma de Herói (Seabiscuit, 2003, de Gary Ross). O humanismo comovente temperado com as empolgantes corridas de cavalo em um belo filme.

*Entre os filmes exibidos pela primeira vez nos cinemas de João Pessoa entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2004.
**Publicado no Jornal da Paraíba, em 3 de março de 2004

OS CINCO PIORES FILMES DO ANO

Por Renato Félix

Quem te viu, quem te vê: a oscarizada Halle Berry emplacou dois filmes (Mulher-Gato e Na Companhia...) entre os mais deploráveis do ano - aliás, bem disputado. Do jeito que a coisa vai, é um caso a se pensar ampliar essa lista para dez no ano que vem...

1. Van Helsing, o Caçador de Monstros (Van Helsing, 2004, de Stephen Sommers). Geralmente, os filmes de ação descerebrados e os de horror exagerados compõem essa lista. Junte os dois...

2. Mulher-Gato (Catwoman, 2004, de Pitof). Pretensioso, modernoso e com uma história ridícula.

3. Contato de Risco (Gigli, 2003, de Martin Brest). Sua única razão de ser é promover a dupla Jennifer Lopez e Ben Affleck - que, para o bem do cinema, já acabou.

4. Yu-Gi-Oh! O Filme (Yûgiô - Gekijô-Ban, 2004, de Hatsuki Tsuji). O pior do animê: visual grandiloqüente, história ruim, animação zero.

5. Na Companhia do Medo (Gothika, 2003, de Mathieu Kassovitz). Só histeria, só histeria.

*Entre os filmes exibidos pela primeira vez nos cinemas de João Pessoa entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2004.
**Publicado no Jornal da Paraíba, em 3 de março de 2004

CRÍTICA/ "DOZE HOMENS E UM SEGREDO"

Colagem de esquetes

Há semelhanças e diferenças entre Onze Homens e um Segredo (2001) e sua continuação, Doze Homens e Outro Segredo (Ocean’s Twelve, EUA, 2004). O visual é o que chama logo a atenção. Menos formal, menos “certinho”, o diretor Steven Soderbergh abusa da câmera na mão para criar um filme mais nervoso que o original.

A trama também é mais solta, não é tão bem amarrada como no filme original, onde havia apenas um objetivo que era desenvolvido no filme inteiro. Agora, o grupo liderado por Danny Ocean (George Clooney), precisa conseguir uma certa quantia e, para isso, mais de um roubo espetacular deverá executado. Há tempo no filme para tudo isso?

E com a entrada no elenco de Catherine Zeta-Jones e Vincent Cassel, há ainda mais gente para dividir o tempo na tela. Talvez alguns personagens pudessem ser melhor desenvolvidos e os especialistas de cada área, que foram chamados por essas capacidades no primeiro filme, não têm muito espaço para mostrar seus talentos.

Mas e daí? O filme é engraçadíssimo. Soderbergh fez do filme praticamente uma colagem de esquetes cômicos com a trupe que reuniu e arranca momentos hilariantes de Clooney, Brad Pitt, Matt Damon e do resto da gangue. Mas o melhor momento foi reservado para Julia Roberts. Numa seqüência, sua personagem é obrigada a interpretar uma certa celebridade. Pode confiar: é de rolar de rir. (Renato Félix)

Doze Homens e Outro Segredo (Ocean's Twelve, EUA, 2004). Direção: Steven Soderbergh. Elenco: George Clooney, Brad PItt, Catherine Zeta-Jones, Matt Damon, Julia Roberts, Vincent Cassel, Andy Garcia, Don Cheadle, Bernie Mac, Elliott Gould, Carl Reiner, Casey Affleck, Scott Caan, Eddie Jemison, Shaobo Qin, Robbie Coltrane, Jeroen Krabbé, Bruce Willis, Albert Finney. Site oficial: http://oceans12.warnerbros.com/flash.html

* Publicado no Jornal da Paraíba, em 2 de janeiro de 2005

CRÍTICA/ "MEU TIO MATOU UM CARA"
Uma visão romântica adolescente

Meu Tio Matou um Cara pode dar a impressão de que se trata de uma história policial. Ledo engano. É a história de um adolescente (Darlan Cunha) apaixonado pela melhor amiga (Sophia Reis) e sem saber o que fazer. Como pano de fundo, uma mezzo-investigação policial, que vai interferir muito mais na vida deles mesmos do que na de quem está envolvido no crime que dá início ao filme.

A maneira como as relações entre os jovens protagonistas vão se desenvolvendo é o que realmente interessa no filme. O “morto” nem sequer aparece. E o jovem trio de atores sustenta bem a história. Darlan e Sophia funcionam bem juntos, com seus personagens completando um ao outro.

Interessante também a representação da família. Os pais do protagonista são uma base de sólido apoio, mas sem pieguice. São de uma normalidade que não é nada fácil de compor. É um ponto que torna mais verossímil uma história que, se não chega a ser fantasiosa, também não é comum.

Tudo é temperado com alguns diálogos hilariantes. A estratégia de repetir alguns diálogos em determinados momentos funciona muito bem e dinamiza o filme. Além disso, várias situações são muito bem sacadas - como a luz do corredor que se apaga antes da visão de Déborah Secco de biquíni. Isso é realmente pensar com olhos de adolescente. (Renato Félix)

Meu Tio Matou um Cara (Brasil, 2004). Direção: Jorge Furtado. Elenco: Darlan Cunha, Sophia Reis, Lázaro Ramos, Dira Paes, Aílton Graça, Renan Gioelli, Deborah Secco. Site oficial: http://meutiomatouumcara.terra.com.br/

*Publicada no Jornal da Paraíba, em 31 de dezembro de 2004.

MINHAS DECLARAÇÕES DE AMOR PREFERIDAS (V)

Bonequinha de Luxo (Breakfast at Tiffany's, 1961). Direção de Blake Edwards. Roteiro de George Axelrod, baseado no conto de Truman Capote.

Depois de ser presa pelo envolvimento com um gangster, Holly Goolightly (Audrey Hepburn) sai da cadeia. Quem a pega é seu amigo, o escritor Paul Varjak (George Peppard), que passou antes no apartamento da moça para pegar as coisas dela - incluindo o gato, que ela chama apenas de Gato. A caminho do aeroporto de Idlewild, Holly ainda espera pegar um avião e casar com um rico herdeiro do Brasil, mas Paul lê para ela uma carta em que, por causa do escândalo, o milionário a dispensa.

PAUL - Lá se foi a América do Sul. Bom, você não foi feita para ser a rainha dos pampas, mesmo. (Para o taxista) Hotel Clayton.

HOLLY - Idlewild. 

PAUL - O quê?

HOLLY - O avião sai às 12 e espero estar a bordo.

PAUL - Holly, você não pode.

HOLLY - Et pouquoi pas? Não vou atrás do José, se é isso o que está pensando. Na minha opinião, ele é o futuro presidente de lugar nenhum. Porque deveria desperdiçar a passagem? Além do mais, nunca fui ao Brasil.

Ele a observa, incrédulo e em silêncio.

HOLLY - Por favor, querido, não me olhe desse jeito. Eu vou de qualquer jeito. Tudo o que querem de mim é que eu deponha contra Sally. Ninguém tem a mínima intenção de me processar. Eles nem têm a mínima chance. Esta cidade acabou para mim, pelo menos por enquanto. Às vezes, a fama pode arruinar a pele de uma mulher. Devem ter montado forcas para mim em toda a cidade. Sabe o que pode fazer por mim? Telefone para o New York Times. Quero que me envie uma lista dos 50 homens mais ricos do Brasil. Os 50 mais ricos!

PAUL - Holly, não vou permitir isso.

HOLLY - Não vai permitir?

PAUL - Holly, estou apaixonado por você.

HOLLY - E daí?

PAUL - "E daí"? Isso chega. Eu a amo. Você me pertence.

HOLLY - Não. As pessoas não se pertencem.

PAUL - Claro que sim.

HOLLY - Ninguém vai me pôr numa jaula.

PAUL - Não quero colocar você numa jaula. Quero amar você.

HOLLY - É a mesma coisa.

PAUL - Não é não, Holly.

HOLLY - Não sou Holly! Não sou nem Lula Mae! Não sei quem sou! Sou como o Gato, somos dois coitados sem nome! Não temos dono, nós nem pertencemos um ao outro! (para o taxista) Pare o táxi!

O carro pára na entrada de um beco, enquanto cai uma chuva torrencial. Ela abre a porta.

HOLLY - (Para o Gato) O que acha? Parece ser o lugar certo para um cara durão como você! Latas de lixo, ratos por toda a parte... Suma! Disse para ir embora! Se manda! (Bota o Gato para fora e fecha a porta) Vamos!

Paul não acredita no que aconteceu. Tita uma nota do bolso.

PAUL - Motorista, pare aqui.

O carro pára e ele sai, mas antes de fechar a porta e ir embora, se vira para Holly.

PAUL - Sabe qual é o seu problema, "senhorita Seja-lá-quem-for"? Você é covarde. Você não tem coragem. Tem medo de encarar a realidade e dizer: "Ok, a vida é um fato. As pessoas se apaixonam". As pessoas pertencem umas às outras porque é a única chance que têm de serem realmente felizes. Você acha que tem um espírito livre e selvagem e morre de medo de ser enjaulada. Bem, querida, você está na jaula que você mesma construiu. E não só em Tulip, Texas, ou na Somália: estará sempre nela. Não importa para onde corra, estará sempre trombando consigo mesma! (Tira do bolso uma caixinha) Pegue. Tenho carregado isso comigo há meses. Não quero mais.

Ele joga a caixinha no colo dela e vai embora. Ela abre a caixa e chora quando vê o conteúdo: um anel, simples brinde de uma caixa de biscoitos, no qual ele tinha mandado gravar as iniciais de ambos na joalheria Tiffany's.

REVEILLON DE ANTIGAMENTE

Muita gente sabe que eu tenho minhas diferenças com o século 21. Por isso, natural que eu tenha passado o reveillón mergulhado em trinta anos atrás, devorando cada segundo do último DVD comprado no ano, o sensacional Abba Gold - Greatest Hits.

Pelo jeito, a gente pode dizer que o Abba inventou o videoclipe como o conhecemos: um vídeo promocional das músicas para serem distribuídos para as redes de televisão do mundo. E sabem quem dirigiu 90% deles? Lasse Halström, diretor de Minhas Vida de Cachorro, Regras da Vida e Chocolate! Muito divertido e com música de primeira, nesses dois dias ele já foi visto: inteiro, só com as melhores músicas, em ordem cronológica, de tudo quanto foi jeito.

O visual muitas vezes é aquela cafonice que só o Abba conseguia atingir. Mas, sei lá, de todo modo é o registro do estilo de uma época, e aí entra um olhar meio "antropológico", talvez. Mas o fundamental mesmo é que parece ser a imagem de uma época mais feliz, em que as pessoas podiam ser assim, felizes, apenas por estarem juntas. Podiam até ser inocentes sem ter medo de parecer bobas. Não é à toa que quase todos os clipes do começo da carreira do Abba faziam questão de mostrar os dois casais em cenas felizes do cotidiano. E há também todo um visual particular: a simetria das imagens, a composição do quadro com um rosto em perfil e o outro de frente, os cortes de um casal para o outro, de um integrante para o cônjuge correspondente...

Há Agnetha e Anne-Frid, lindas, lindas.

E, além do mais, quem nunca teve vontade de se esgoelar para acompanhar "Dancing queen" não sabe se divertir de verdade. A versão de 1992 do clipe, que usa o de 1976 como base e inclui imagens de outros clipes do DVD, chega ser comovente, de certa forma. Afinal, aquelas foram pessoas felizes, que se amaram por vários anos. Aquele clipe não deixa de ser o registro dessa época que, de uma maneira ou de outra, se foi.

BEM A CALHAR

Pareceu combinado, mas juro que não foi: e não é que o SBT exibiu Mary Poppins no último dia do ano, dois dias depois do meu comentário aqui? Esse senso de oportunidade, sim, é que foi supercalifragilisticexpialidocious!

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