AH, AGORA SIM... (II)

Seis dias depois, a Ione colocou um adendo sobre essa questão que só não atormenta mais os homens porque quem sofre com as dores físicas são as mulheres. Assim, o Minha Vida de Cinéfilo Saúde traz as informações:

É, amigos, estou vivendo dias de Lição No. 4 na pele. Por isso, vou dividir com as pessoas que acompanham com atenção as humildes lições transcritas nesse blog algumas coisas que ficaram bem claras pra mim, numa conversa com uma mocinha do Bem.

Lição No. 4 - § 1º Quando mocinhas em fase tpmzística, termo usado pelo Daniel (vou chamar de Daniel pra dar um ar sério e respeitoso à pessoa), brigam com você, você deve entender a mensagem subliminar, para nós tão clara: "Quero colo, não brigue comigo só porque eu provoquei. Diga que eu sou diumtudo mesmo que eu esteja infernalmente perturbada".

Lição No. 4 - §2º Quando mocinhas insanas respondem negativamente às suas perguntas, dizendo que têm certeza de que não querem o que você está propondo/oferecendo, entenda assim: "Insiste só mais um pouquinho". Mocinhas trabalham com fazer charminho, especialmente nessa fase, embora os brutos insistam em denominar esse comportamente pela não muita delicada expressão "fazer c* doce". Ah, sim. A insistência pode não necessariamente levar a um resultado positivo, a moça pode continuar se negando a fazer/dizer o que quer que você esteja pedindo.

Ah, bom.

AH, AGORA SIM...

Em 25 de outubro de 2001, lá no Menina do Didentro, a Ione fez o favor de explicar o que é uma cólica menstrual e a famigerada TPM para o que ela chama de mocinhos dummies. Não custa nada difundir essa sabedoria. Afinal, deve haver mocinhos dummies entre meus quatorze leitores (não tenho tantos quanto o Xexéo)...

Depois desse momento moça-séria-com-consciência-política, vamos à tão esperada e esclarecedora Lição No. 4. É, já estava na hora mesmo. Eu deixei passar o tempo porque a Lição No. 3 foi muito polêmica e gerou muita discussão. E outra, vocês sabem, essas lições são dirigidas pra seres absolutamente dummies (vocês sabem a quem estou me referindo, aos hominhos).Sim, eles levam algum tempo pra digerir esses assuntos mais complexos.
Hoje a lição é bem fácil. Eu vou explicar, pra crianças, o que é uma cólica menstrual e o que acontece com as moças quando acometidas de TPM. Olha, que assunto interessante, né? Muito misterioso, e o LF deu o maior apoio pra eu explicar essas coisas aqui.

Vamos lá. Primeiro, a cólica. Imagine que você acabou de enxugar o chão que estava enxarcado com um pano. E você tem que deixar o pano bem enxutinho. Pois bem. Você pega o pano e torce bem torcidinho com toda a força do mundo. Dá um tempo, porque você fica até sem fôlego e depois torce de novo e de novo e de novo. Muito bem, acho que até aqui tá bem fácil. Agora imagina que o pano está dentro da barriga da moça e que, além disso, esse pano é o útero da moça. Pronto. Agora sim você compreendeu direitinho o que é uma cólica. Você nunca mais vai dizer que a moça tá com frescura. O falecido chegava a chorar comigo, de tão horrível que era O Dia da Cólica.

E a TPM? A TPM é fácil, é só prestar atenção. Basicamente, as moças ficam completamente surtadas-perturbadas-insanas. Você, bom moço de família, elogia o cabelo, ela chora porque ela está cansada desse cabelo horroroso, como é que você pôde nunca ter percebido isso? Você concorda e ela chama você de bruto e insensível. E chora mais ainda. Você oferece chocolate, como desculpas, ela grita, enlouquecida: você quer que ela engorde mais ainda? Depois, ela sai bufando e rosnando. Dali a dois minutos, topa com você, descendo as escadas pra não sei onde e te enche de beijos, como você é tudo-tudo-tudodibom! Entenderam? NÃO?? Não?? É, TPM está fora da esfera de compreensão masculina, nem tentem. Se as coisas mais facinhas que eu tentei ensinar até agora já foram difíceis, imagina a TPM!

NAMORADA PERFEITA

Não é justo que eu escreva um dos poucos textos emocionais e não-engraçados da minha vida e ele não fique disponível para leitura só porque essa *&*$$% desse blog - por alguma razão com que nem sonha nossa vã filosofia - não está deixando disponível as mensagens que postei nos sábados da vida. Numa postura política de esquerda dos anos 1960, me rebelo e publico o texto de novo. Para quem já leu: ao próximo, ao próximo.

Namorada perfeita

 

Renato Félix

 

A quem interessar possa: quero uma namorada. Mas não qualquer namorada porque, infelizmente, eu sou exigente. “Ficantes”, por exemplo, é no departamento ao lado, não aqui. Não me interessa um relacionamento amoroso de algumas horas. Seria fácil e cômodo, mas, como já disse, infelizmente sou exigente.

 

É preciso, antes de tudo, que ela tenha a sensibilidade especial de me achar bonito. Porque não há verdade maior do que "a beleza está nos olhos de quem a vê" e você não ama alguém que não ache bonito. É preciso que ela consiga ver através dos óculos (os meus, claro), através deste corpo desconjuntado, através de todo o desajeito e enxergue rápido minha alma para que – aí, sim – veja beleza – a única, a verdadeira, a que definitivamente conta – em mim. Não é qualquer uma que consegue.

 

Quero uma namorada. Mas, se for possível, uma de verdade, uma que não tenha medo das responsabilidades do namoro e encare isso como um prazer antes de uma obrigação. Que não fique pensando que “vai ter de” me ver depois do trabalho e, “que saco”, se produzir para ficar mais bonita e ainda forçar um bom humor para ser boa companhia depois de um dia difícil de trabalho. Quero uma namorada que, depois de um dia de trabalho, pense que – que bom – vai finalmente encontrar alguém que gosta muito dela e ter um bom momento no fim do dia. Que saiba que, se estou com ela, é porque seu mau humor eventual também é bem-vindo, que ela não precisa ser uma “boa companhia” o tempo todo. Às vezes, eu é que preciso ser e, nesses momentos, ela deve deixar que eu seja.

 

Que ela não me tenha apenas para os bons tempos de farras, mas que, quando os problemas surgirem, me tome como um ponto de apoio e não como um problema a mais. Quanto mais paixão, melhor, mas que ela entenda que não estou lá só para isso. Quero uma namorada que me queira fazendo parte da vida dela, na alegria e na tristeza, e não me colocando de lado, como se ajudá-la fosse me aborrecer, fazendo isso para que não precise dedicar sua atenção a mim, além dos problemas a serem enfrentados por ela. Que ela perceba que somos uma dupla, um time, que estou do lado dela e jamais contra, que nunca seria deliberadamente alguém que a atrapalhasse. Que estou lá para ser o ombro de que ela precisa nos momentos de fraqueza, um punho a mais nos momentos de briga, o colo dos momentos de cansaço, assim como o amante dos momentos de carinho e desejo.

 

Que ela entenda sou ciumento, sim, e que isso é uma demonstração de amor – mesmo que digam o contrário. Ciúme é medo de perder e ela é importante para mim – e por isso, não vou querer perdê-la. Mas que ela também esteja certa de que tenho a exata medida do que é responsabilidade dela e do que não é – de que sei que não será culpa dela ser paquerada, mas que será se der bola para alguém.

 

Quero uma namorada que tenha a certeza de que nunca encontrará alguém tão fiel, alguém tão incapaz de traí-la. Que a paixão por ela já será suficiente para ofuscar as outras mulheres e que, mesmo que não fosse, nunca arriscaria perder algo tão importante por uma relação efêmera.

 

Que – a não ser que ela seja uma megera incorrigível – nunca encontrará alguém tão dedicado e, muito provavelmente, tão apaixonado.

 

Quero uma namorada que, no fim, se ele vier, não tenha medo de dizer os motivos pelos quais tudo acabou. Que não esconda os motivos atrás de clichês como “não é como você, é comigo”. Que não diga que ainda gosta de mim, mesmo que naquele momento esteja despedaçando meu coração em cacos tão pequenos que ele jamais será colado de novo. Que entenda (e que eu também entenda) que, se ela está acabando, não interessam os motivos – o motivo será sempre um só: ela não gosta de mim o suficiente. Que deixe isso claro, que mate impiedosamente as minhas esperanças, que não deixe subentendidos, que não permita que eu ainda fique sonhando com ela, com aquele 1% de chance de que ela caia em si e veja que nunca encontrará alguém como eu – porque eu vou me agarrar a esse 1% de chance como quem se agarra à própria vida e será muito cruel quando ela finalmente encontrar outro alguém como eu. Que, dependendo das razões, ela saiba que o fim me deixará magoado – mas que eu tenho o direito de saber e de não ser enganado. Que, se ela provocar a minha raiva, que tenha a dignidade de assumir suas responsabilidades, mesmo que seja a responsabilidade com algo tão banal quanto os meus sentimentos.

ACABEI DE VER/ "DANÇA COMIGO"

Eu tenho algumas frustrações na vida, como todo mundo tem. Uma das maiores é não saber dançar. É triste, porque eu adoro musicais, sou fã de Fred Astaire, Gene Kelly, Cyd Charisse, Ann Miller, Eleanor Powell e toda aquela turma dos anos 1930, 1940 e 1950.

Um filme como Dança Comigo, por essa razão, é uma faca de dois gumes. Não basta ter dança, é preciso que ela seja bem tratada pelo filme. Houve uma época em que Astaire impôs um estilo de direção: "Ou dança a câmera, ou daço eu". Eram pouquíssimos cortes em cada número, mostrando que os artistas eram bons mesmo. A tendência, hoje, é tudo ser clipeiro e a dança é montada na edição.

Contra os meus prognósticos, Dança Comigo tem mais prós do que contras. As danças têm poucos cortes, mostrando que Richard Gere e Jennifer Lopez entendem, nem que seja um pouco, do riscado. E é um filme bonito, sobre um homem de meia idade que descobre o simples prazer de dançar, com sigelas e belas homenagens (como quando ele dança com a professora ao som de "Shall we dance?", do principal e belo número de O Rei e Eu, 1956, e que é o título original do filme; ou a imagem de Astaire e Cyd Charisse em A Roda da Fortuna, 1953 - pena que a música seja outra.

E há, claro, Susan Sarandon, fantástica, uma das grandes mulheres do cinema atual.

É um filme que chega a comover em certos momentos. Não é perfeito, não se compara a um Sete Noivas para Sete Irmãos (1954) e nem mesmo a um Vem Dançar Comigo (1992) ou um Chicago (2002). Mas me surpreendeu mesmo.

ACABEI DE VER/ "O GRITO"

Quando fui assistir a O Grito, já não esperava muita coisa. Mas, pelo amor de Deus, que filme ruim! Enumerando:

1 - Os sustos são todos altamente previsíveis, daquele tipo em que a música vai crescendo, crescendo, crescendo... e bum!

2 - O andamento é simplesmente monótono. A intenção é deixar o clima permanentemente tenso. Mas fica apenas chato.

3 - Os personagens não cativam nem inspiram qualquer reação. Se morre este ou aquele, tanto faz.

4 - O roteiro tem furos colossais.

Será que nenhum horror adaptado do Japão presta? Logo desconfiei quando o slogan do filme, no trailer, dizia: "Se você gostou de O Chamado vai adorar O Grito". Como eu já não havia achado O Chamado lá grande coisa...

CRÍTICA/ "A LENDA DO TESOURO PERDIDO"
Passeio pela História

A Lenda do Tesouro Perdido (National Treasure, EUA, 2004) é um título tão genérico que já faz nascer uma certa antipatia pelo filme. O começo também não ajuda muito, com Nicolas Cage comandando a descoberta absurda demais de um navio de meados do século 18.

Mas o que se segue depois disso até que não é mau. Uma caça a um tesouro cujas pistas são uma série de referências a dados da história da independência dos Estados Unidos, que acabam resultando como um agradável passeio pela memória de lugares, objetos e fatos desse período.

Há muito corre-corre, ao menos sempre bem conduzido por Jon Turteltaub (de carreira irregular, mas que mostrou competência dirigindo o ótimo Enquanto Você Dormia, em 2001). O filme é movimentado, mas felizmente não possui o ritmo clipeiro das aventuras moderninhas que se vê hoje em dia.

A Lenda do Tesouro Perdido tem boas piadas, apoiadas principalmente em diálogos espirituosos e algumas situações inusitadas. Mas - de novo - não cai na tentação de ser um filme “engraçadinho” demais. Se ele não leva seu roteiro absurdo muito a sério, o interesse pela História sim.

Há até uma cena de roubo impossível, o que quase sempre é divertido. E os protagonistas carismáticos (Nicolas Cage e Diane Kruger, de Tróia) estão bem e à vontade. E, apesar de estar dentro do conceito “para toda a família” da Disney, não chega a ser infantilóide - o que é muito bom. (Renato Félix)

A Lenda do Tesouro Perdido. National Treasure. Estados Unidos, 2004. *** Direção: Jon Turteltaub. Elenco: Nicolas Cage, Diane Kruger, Justin Bartham, Sean Bean, Jon Voight, Harvey Keitel, Christopher Plummer. Site oficial: http://disney.go.com/disneypictures/nationaltreasure/splash.html

*Publicado no Jornal da Paraíba, em 9 de janeiro de 2004

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