Então está combinado: todo mundo se encontra hoje à noite no Bloco Cafuçu, saindo da Igreja do Carmo, no Centro. É minha única manifestação carnavalesca. Depois, é filme, filme, filme.

PELADA? TÔ DENTRO!

 

Por incrível que pareça, não estou todo quebrado depois da pelada de ontem à noite. Não, seus mentes-sujas, foi apenas um futebolzinho inocente com o pessoal do JP, nas areias da praia do Cabo Branco. Vinte minutos depois, eu estava estatelado na areia, já sem força alguma. na última vez, eu consegui resistir um bom tempo entre idas e vindas do banco de reservas. Desta vez, jogando em tempo integral, não deu, não.

Da próxima vez, vou fazer igual ao Romário.

Sobre o post anterior, esqueci uma informação assustadoramente fundamental: o nome da prometida é o mesmo da ex. O curso que a prometida faz na universidade é o mesmo em que a ex se formou recentemente. Meu comentário no momento em que soube: "Isso está ficando perigosamente familiar..."

A MULHER DA MINHA VIDA?

Outro dia um amigo me ligou e disse solenemente: "Ei, conheci a mulher da sua vida!".

Minha reação foi a mais óbvia e compreensível possível: "Hã?".

Ele começou a me contar da menina que conheceu num bar e de como ela era uma gracinha de como todos na mesa se apaixonaram um pouquinho por ela. O interessante não foi isso, mas sim que a conclusão dele se deu a partir não do que eu quero, mas do que ela quer.

"Ela disse que o homem que ela quer não existe. Ela quer um homem gentil, honesto, cavalheiro, à moda antiga...", e enquanto falava, os amigos na mesa iam se entreolhando, até que finalmente alguém perguntou: "Você conhece o Renato?"

Isto é:

1 - Muito engraçado. Me sinto como um jovem de uma aldeia chinesa que tem um casamento marcado com uma moça da aldeia vizinha, mas que nunca a viu - já que o casamento foi acertado pelas famílias.

2 - Muito lisonjeiro. Não posso negar que gostei de ouvir que, quando alguém começa a citar essas qualidades, as pessoas lembram de mim.

3 - Potencialmente muito constrangedor. Eles poderiam ter guardado isso para eles e aguardado um encontro para ver o que acontecia. Mas contaram para os dois, fazendo propaganda um do outro. Agora imagine a cena: eu estou num bar com os amigos e essa menina chega. Já posso ver a apresentação e a conversa testemunhada pelo canto dos olhos pelos amigos de ambos na mesa. Quanta reposnabilidade!

4 - Muito instigante. O pior é que sou muito curioso, por natureza. Agora, eu quero conhecer a garota. Sem compromisso ou expectativas, é claro. Mas - vocês entendem, né? - eu tenho que saber como é uma garota que as pessoas acham que nasceu pra mim!

Em tempo (antes que as pessoas pensem que estou fantasiando - ou fantasiando em excesso - o assunto): não foi marcado nenhum encontro, nem conversado nada nesse sentido. Se a gente se conhecer, se conheceu e aí é que se verá se o "clic" acontece. Eu, pelo menos, não estou incentivando nada.

O pior é, se as coisas correrem como esse meu amigo intuiu, eu ter que dizer que ele estava certo...

 

O relógio está marcando 5 para a 6. Entrei no jornal às 8h40 e estou saindo só agora - e só fui ali fora uma vez, para comprar um biscoito do outro lado da rua.

Comentar? Comentar o quê?

CRÍTICA/ "PERTO DEMAIS"
De amores e crueldades

Perto Demais (Closer, EUA, 2004) é um filme de palavras. Baseado na peça de Patrick Marber, o filme de Mike Nichols não nega sua origem teatral e coloca Julia Roberts, Jude Law, Clive Owen e Natalie Portman, quatro atores de primeira categoria, para degladiarem-se verbalmente.

É sobre relacionamentos, sem nada de fantasioso. É impossível não se identificar com algumas situações (ou muitas) do filme. Esses desencontros de dois casais que se amam e mesmo assim se magoam é recheado de verdades, coisa rara em Hollywood.

Nichols já pôs suas lentes de aumento sobre as crueldades entre casais em Quem Tem Medo de Virginia Woolf? (1966), da peça de Edward Albee. Mas Perto Demais lida muito mais com culpa e egoísmo, num visual limpo e belo, com o tempo dando saltos sem muito aviso, mas demonstrados em detalhes que evitam a confusão.

O filme não dá conclusões sobre seus dramas, mantendo-se fiel ao espírito. Há momentos engraçados, mas não é de modo algum uma comédia-romântica. Os atores, todos excelentes, se encarregam se prender a atenção total do público - mas o destaque é mesmo Natalie Portman, grande atriz desde os treze anos (está com 23) e cada vez melhor. (Renato Félix)

Perto Demais. Closer. Estados Unidos, 2004. Direção: Mike Nichols. Elenco: Julia Roberts, Jude Law, Natalie Portman, Clive Owen.

AMOR LÍQUIDO

Lauriston, o guru da comunidade "O Estranho Mundo de Lauriston", do Orkut, levantou a bola. Nosso André Cananéa pesquisou na internet e achou um texto muito bom a respeito: as teorias de Zygmunt Bauman sobre o amor líquido, plenamente aplicáveis sobre o filme Perto Demais e, portanto, às relações "demancha-no-ar" de hoje. Para quem viu o filme - e para PH, que tem se mostrado muito pensandinha sobre isso no blog dela - publico aqui. Pena que não veio com a fonte. Tirando a parte sobre o demo, o coisa-ruim, no final, é fundamental.

Amor líquido
Vivemos a cultura do pronto, do aluguel, do descartável. As relações humanas estão cada vez mais revogáveis.

Zygmunt Bauman é considerado hoje um dos sociólogos mais influentes do mundo. Professor emérito de sociologia na Universidade de Leeds, na Inglaterra, e na Universidade de Varsóvia, Polônia, seu livro mais recente é Amor Líquido - Sobre a Fragilidade das Relações Humanas, publicado pela Zahar, de onde tirei os conceitos e extraí citações para estas reflexões. A tese de Bauman é que vivemos em um mundo líquido, que detesta tudo o que é sólido e durável, tudo que não se ajusta ao uso instantâneo nem permite que se ponha fim ao esforço. O amor, nesse mundo líquido, é, portanto, amor líquido. A tirania do mercado explica em parte essa característica rarefeita de tudo. Estamos na era do Homo consumens. O que caracteriza o consumismo não é acumular bens, mas usá-los e descartá-los em seguida, a fim de abrir espaço para outros bens e usos.
Estar excluído da sociedade de consumo equivale a ser um fracassado, um incompetente. Um consumidor falho fica se utilizando dos mesmos bens, e a utilização repetida o priva da possibilidade de sensações novas e inéditas. Isso o leva ao tédio e à frustração. Ser bem-sucedido, então, é conviver com novidades, variedades e rotatividade. Daí surge a cultura do aluguel e do descartável (e, por isso mesmo, mais barato). Nessa sociedade líquida, você não compra – aluga. Comprar implica posse e permanência. Alugar representa rotatividade sem ônus. O descartável pode ser facilmente substituído sem muito prejuízo: vale a relação custo-benefício, ou tempo de benefício. No mercado, tudo está ao alcance do cartão de crédito, e a distância entre o desejo e sua satisfação está cada vez mais curta. E, portanto, o descarte, cada vez mais rápido. A experiência sexual e relacional segue o mesmo padrão e raciocínio. Afinal, seu parceiro pode abandonar você a qualquer momento, sem o seu consentimento.

Anthonny Giddens, outro célebre analista da chamada pós-modernidade, fala dos “relacionamentos puros”, onde as relações permanecem enquanto satisfazem as partes. São relacionamentos nos quais se entra apenas pelo que cada um pode ganhar e se permanece apenas enquanto ambas as partes imaginam que estão proporcionando a cada uma satisfações suficientes para permanecerem nas relações. Viver juntos é “por causa de” e não “a fim de”. Enquanto há razões, a parceria permanece. Os parceiros já não se enxergam como construtores de si mesmos, um do outro e da própria parceria.

Parcerias frouxas e eminentemente revogáveis substituíram o modelo da união pessoal “até que a morte separe”. Bauman chama isso de “relacionamentos de bolso”, que compara com vitamina C: em grandes doses podem causar náuseas e prejudicar a saúde. Por essa razão, a “sociedade líquida” prefere os relacionamentos diluídos, para que possam ser aproveitados. Os compromissos intensos e de longo prazo são uma armadilha a ser evitada. O compromisso fecha a porta para novas possibilidades (quem sabe, até melhores). Mantenha sempre sua porta aberta, dizem os “especialistas”.

Viver juntos foi substituído por ficar juntos. A convivência foi substituída pelos encontros episódicos. O casamento foi substituído pela sucessão de romances com sexo. O divórcio foi substituído pelos CSS – casais semi-separados. As amizades foram substituídas pelas salas de chat e as redes, onde se pode conectar e desconectar sem qualquer compromisso, promovendo relações fantasiosas ou profundas protegidas pelo anonimato. Ralph Waldo Emerson acertou ao afirmar que “quando se é traído pela qualidade, tende-se a buscar desforra na quantidade”.

Na compulsão de tentar novamente, e obcecado em evitar que a atual experiência sabote a futura, ou sempre em expectativa de que o melhor está por vir e que há sempre algo melhor pelo que esperar, as pessoas acabam desaprendendo o amor; tornam-se incapazes de amar. A sensação de que se pode ser abandonado, substituído a qualquer momento, impede a entrega total – e, porque não se entrega totalmente, o amante parcial vive com a constante sensação de que está vivendo um equívoco, ou que está esquecendo algo, deixando de experimentar alguma coisa. Isso faz com que o amante parcial viva carregado de ansiedade. E, pior do que isso, está condenado a permanecer para sempre incompleto e irrealizado. Bauman diz, a respeito, que os que assim se encontram estão “numa viagem que nunca termina; o itinerário é recomposto em cada estação, e o destino final é sempre desconhecido”.

A resposta cristã para essa “sociedade líquida” que vive de “amores líquidos” deve considerar, pelo menos, três fatos. Em primeiro lugar, lembre-se que o amor encontra seu significado não na posse das coisas prontas, completas e concluídas, mas no estímulo a participar da gênese dessas coisas. Martinho Lutero nos adverte que “o amor de Deus não se destina ao que vale a pena ser amado, mas cria o que vale a pena ser amado”. Em outras palavras – não espere pessoas prontas; caminhe com elas rumo à maturidade.

Lembre-se também que o amor não é um caminho de satisfação, mas de transformação e realização. Hans Burky ensinou que “mais da mesma coisa nos deixa no mesmo lugar”. Em outras palavras, quando seu relacionamento não estiver satisfatório, não mude o parceiro ou parceira: mude o relacionamento. Finalmente, lembre-se que o amor não é um episódio, mas uma caminhada comum. Ele não acontece na relação superficial, esporádica, virtual, meramente física, mas num relacionamento de proximidade que conduz à intimidade, em direção à profundidade do ser que ama. Em outras palavras, não confunda paixão e sexo com amor.
A sociedade anticristã não vive da negação do que é cristão, mas da deturpação. Para deturpar, você priva, exacerba (exagera) ou distorce. O amor líquido é uma falsificação do amor sólido. Isto é, para conspirar contra o amor, o diabo não precisa semear o ódio, que a maioria rejeita; basta semear o amor líquido. A sociedade líquida está iludida. Carece de gente que viva relacionamentos de “amor sólido”, para que conheça a verdade e seja liberta de sua ilusão.

MULHERES QUE EU AMO (MAS NÃO CONHEÇO) (II)

Alanna Ubach

"Quem?", você está se perguntando. Alanna Ubach é uma atriz californiana de 29 anos, metade mexicana, metade porto-riquenha. E se você viu algum episódio de O Mundo de Beakman vai lembrar de Josie, a espevitada assistente do cientista, nos dois primeiros anos da série (1993 e 1994).

 

Em 1995, reencontrei a "garota do Beakman" no papel-título do ótimo filme Denise Está Chamando, uma produção independente canadense. Ela continuava ali com sua graça tão particular. Aprendi o nome dela, mas foi difícil vê-la por aí, depois. Ela não emplacou como deveria em Hollywood.

Fez três episódios da série O Quinteto (Party of Five), em 1996, que eu não vi, e mais outros em outras séries. revendo Mudança de Hábito 2 (1993), olha ela ali, entre os alunos rebeldes de Whoopi Goldberg, na mesma época do Beakman. Mas quando eu vi Legalmente Loira (2001), lá estava o nome inconfundível nos créditos. Ela fez Serena, a melhor amiga da personagem de Reese Whiterspoon, e reapereceu na continuação. A surpresa está em sua participação no Entrando numa Fria Maior Ainda, como a babá quase cinquentona - mas ainda sexy - de Ben Stiller.

Seus papéis sempre exigem caracterizações pesadas. Mas olha aí em cima o mulherão que ela é de verdade...

PS: Como número 1 desta série, acho que vale aquele post da Jennifer Tilly, não vale?

SAUDADE
...de andar de mãos dadas.

 

Carlinhos de Jesus ensinando a sambar no Bom Dia, Brasil de hoje de manhã.

E eu aqui, com esses dois pés direitos. No máximo, no máximo, um professor Coisinha de Jesus. E olhe lá.

[ ver mensagens anteriores ]
Meu Perfil
BRASIL, Nordeste, JOAO PESSOA, Homem, de 26 a 35 anos, Portuguese, Spanish
MSN - renatofelix2002@hotmail.com