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O dileto público leitor deste modestíssimo blog acha que eu deveria republicar aqui textos antigos meus que saíram na imprensa? E matérias interessantes - na minha opinião, lógico - publicadas atualmente no Jornal da Paraíba?

Comentem ou então enviem um e-mail. Aqui quem manda é o leitor (mas eu sanciono).

ED CONDÃO E O CASO DOS SAPATINHOS DE CRISTAL

Capítulo Um

Mordi a haste do meu cachimbo. Aquele era o maior mistério que eu já havia enfrentado. Minha cabeça dava voltas, como eu resolveria aquilo? Mas eu estava determinado: não desistiria até tudo estar resolvido. "Naipe da rainha de Alice nos País das Maravilhas", cinco letras. "Nome da bruxa boa do norte, em O Mágico de Oz", seis letras.

Mas fui interrompido. Ela entrou na sala como quem entraria no Palácio de Versailles. Incluindo a roupa. Fazia o tipo mignon. Dava para ver, por baixo de todo aquele pano. Os seios eram pequenos, mas firmes. Era o que eu imaginava, mas não me importaria de checar, só para ter certeza. No rosto, a delicadeza de um anjo, o que despertava em mim os desejos mais animalescos. Ela entrou direto na sala, já que Gretel, minha vassoura-assistente-secretária tinha saído para almoçar.

- Sr. Condão? - ela perguntou.

- Depende do grau de intimidade que vai querer, boneca.

Ela não sorriu. Provoco esse efeito nas mulheres.

- O grau é estritamente profissional, sr. Condão. Preciso contratá-lo. Certamente não me reconheceu. Sou a princesa Cinderela.

- Claro que reconheci, majestade - menti. - Estava só quebrando o gelo. Só porque a senhora vive num conto-de-fadas, não precisa agir como se estivesse em um.

- Preciso que encontre um artefato raro que foi roubado do palácio. É muito caro para mim. Valor sentimental.

- Do que se trata, princesa?

- Um par de sapatos.

- Veio ao lugar errado, moça. A sapataria do Gepeto é descendo a rua.

- Não são sapatos comuns, sr. Condão. São feitos de cristal.

- E a senhora anda com eles? Não dão bolhas?

- Nem imagine. O caso é que eles foram roubados e eu os quero de volta. Pago bem.

- Por que não foi à polícia do reino.

- Não quero um escândalo. Vai aceitar o caso ou não?

Não seria um caso fácil. Uma porção de caras certamente iriam tentar me impedir de encontrar esses sapatos. Mas quando uma mulher daquelas fala desse jeito com você, você obedece.

- Tudo bem, majestade. São 150 ducados por dia, mais as despesas.

- Resolvido, então. Lembre-se: sigilo absoluto.

Dizendo isso, saiu da sala. Vi pela janela a dondoca entrando na sua carruagem platinada que mais parece uma abóbora grande e disforme. Muito discreta. Comecei a pôr uma ordem no escritório e reunir todas as informações sobre calçados e sapateiros do reino da carochinha e arredores. Depois, vesti o meu par de couro vagabundo e fui até o Taverna's encontrar Gretel. Não podíamos perder tempo: deveríamos seguir já as pegadas desses sapatos de cristal.

Capítulo 2 nos próximos dias no blog Fábula Digital

NOTICIÁRIO ESPORTIVO
O novo técnico do Flamengo, Cuca, já anunciou os reforços da equipe para o segundo turno do Campeonato Carioca. Já estão acertadas as vindas do Saci Pererê, do Rabicó e da vaca Mocha. Perguntado se também não iria contratar o Burro Falante, Cuca respondeu: "Ué, mas o Junior Baiano já está no time".
CRÍTICA/ "DESVENTURAS EM SÉRIE"
Tragédia para crianças

Havia o medo de que Jim Carrey atraísse todas as atenções e acabasse enterrando Desventuras em Série (Lemony Snickets’ a Series of a Unfortunate Events, EUA, 2004), a adaptação dos três primeiros livros da série infanto-juvenil. Carrey, como se previa, exagera à vontade na sua interpretação.

Mas a surpresa é que isso nem tornou o filme ruim e nem roubou a cena das crianças protagonistas. Ao contrário, Jim Carrey como o tio inescrupuloso das crianças órfãs, que quer ficar com a herança delas e matá-las, várias vezes está hilariante. Ele é ajudado por seu personagem, um mau ator.

Já as quatro crianças (o bebê é interpretado por gêmeas) são ótimas. Emily Browning e Liam Aiken já mostram talento desde cedo e o filme ajuda ao não fazer pouco dos dramas que vivem. O tom da história dos órfãos Baudelaire é soturno e de que tragédias estão sempre à espreita.

É meio uma “psicologia do contrário”. Como nos livros, o autor avisa a todo instante: “Esta não é uma história feliz, desista enquanto é tempo”. Mas a beleza visual, a participação de Meryl Streep e o talento das crianças fazem o espectador não dar ouvidos e permanecer firme na poltrona. (Renato Félix)

Desventuras em Série. Lemony Snicket's a Series of a Unfortunate Events. Estados Unidos, 2004. Direção: Brad Silberling. Elenco: Emily Browning, Liam Aiken, Jim Carrey, Meryl Streep, Kara Hoffman, Shelby Hoffman Timothy Spall, Catherine O'Hara, Dustin Hoffman. Voz: Jude Law.

EM "SIDEWAYS"

Como já brinquei com uma possível série ou filme sobre "As Aventuras de Wendell e Rodrigo Salem", alguém poderia muito bem pensar em um com Wendell e eu.

Não precisa mais. Esse filme é Sideways - Entre Umas e Outras. Com a diferença que o "eu" no filme é negativista e vive deprimido, e o Wendell, num momento, chora dizendo "não posso viver sem essa mulher". Mas, tirando isso, troca o vinho pelo cinema e pronto.

FILMES DO CARNAVAL

A lista dos filmes que vi de sábado a terça:

Sábado
- Em Busca da Terra do Nunca: lindo, bem no espírito de Peter Pan, quase chorei no final. No cinema.
- Sideways - Entre Umas e Outras: andam fazendo uma onda exagerada sobre este filme, mas, mesmo assim, ele é muito bom. No cinema.
- Um Clarão nas Trevas: o suspense em que Audrey Hepburn é cega e os bandidos entram na casa dela. Muito bem contado, tem um clímax brilhante. E tem Audrey. Em DVD.

Domingo
- A Bela e a Fera: o longa de animação da Disney parece melhor a cada vez que se vê. Em DVD.
- Thelma & Louise: o último grande filme de Ridley Scott. Decidi que Susan Sarandon será uma das próximas da minha lista de mulheres que amo.
- Um Corpo que Cai: um dos melhores Hitchcock. Logo, um dos melhores filmes da história do mundo.

Segunda
- Aladdin: outro grande desenho da Disney, com umas melhores seqüências animadas já feitas: o vôo no tapete mágico.
- Taxi Driver: o perturbador clássico de Scorsese, rompendo barreiras nos anos 1970.

Terça
- Donnie Darko: um exercício sobre a mente de um garoto meio sociopata. Interessante.
- O Iluminado: absolutamente genial. Um Kubrick de primeira - e isso não é pouco!

UM BALANÇO BEM CAFUÇU

De cara, bem mais gente que no ano passado. Visivelmente. Isso deixou tudo meio incômodo em alguns momentos - a descida do INSS, bem estreita e a curva para a rua da Areia... Ai, ai, ai... O grupo era: eu, a Eliane, o Wendell, a Lucinha, o Eduardo e a Janaína. Pela primeira vez, não fizemos a curva da catedral com o bloco, pegamos uma rua lateral para evitar o aperto. E - surpresa! - uma das orquestras teve a mesma idéia e acabamos fazendo um caminho alternativo pela Duque de Caxias, até encontrar o resto do bloco no INSS.

Quase todo mundo fantasiado, um clima bacana, bem divertido. Na praça Anthenor Navarro, a Orquestra Metalúrgica Filipéia também garantiu bons momentos. Pena que, de repente, começaram a tocar axé. Aí, ficou chato.

Momento "Melhor que a Encomenda": Encontrar "a menina mais bonita de João Pessoa", dançar com ela, ela me abraçar na hora de ir embora e me dar um beijinho no ombro.

Momento "Podia Passar Sem Essa": Ou "momento 'a lei de Murphy ataca com força total'". Justamente na descida do INSS, logo em frente do meu grupo estava a ex e seu namorado atual. Primeira vez que os vi e primeira vez que estivemos na mesma rua desde agosto. Não bastasse isso, o grupo dela desceu logo à frente do meu pelo resto do caminho. Como se não bastasse isso, o meu grupo insistia em andar rápido, de modo que quase ficamos lado a lado algumas vezes (o tempo todo eu fiquei tentando reduzir a nossa velocidade e ficar longe do casal). Como se não bastasse isso, depois de chegar na praça, os dois grupos ficaram geograficamente mais próximos do que eu gostaria. Por sorte, o romance lá foi bem moderado, pra não acabar de vez com meu carnaval.

FELIZ ANO NOVO!
Não dizem que o ano só começa mesmo depois do carnaval? Então, vamos simbora!
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Meu Perfil
BRASIL, Nordeste, JOAO PESSOA, Homem, de 26 a 35 anos, Portuguese, Spanish
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