MINHAS AMIGAS NAMORÁVEIS

Adoro namorar minhas amigas. Não que eu saia por aí beijando todas elas, embora hoje em dia muita gente faça isso. Mas namorar é mais do que beijar e o que vem no processo - pelo menos na minha opinião, também tem muita gente que não pensa assim. Imensa parte de namorar também é companhia e carinho.

E aí, tenho algumas amigas que são excelentes companhias e também são muito carinhosas. Mulheres com quem gosto de conviver e de quem gosto de saber da vida. É, acho que é isso: namorada é a garota com que você gostaria de conviver o máximo possível e participar o máximo possível da vida dela. E com a qual você, naturalmente, tem uma química sexual interessante. Quando dois dos três requisitos batem, posso muito bem dizer que a amiga em questão é namorável. Já usei algumas vezes "namorável" como um adjetivo para essas qualidades.

Com uma ou outra, em determinado momento da vida, houve uma aproximação maior e andamos mais juntos, o que gerou inevitavelmente comentários entre outros amigos.

- Está dando em cima dela, hein?

- Não, não, a gente é só amigo.

- Conversa! Vai dizer que se ela quisesse namorar com você, você não iria querer?

A resposta é: claro que sim. Se ela quisesse, isso quer dizer que a química sexual existiria e, aí, claro que sim. Mesmo porque, de acordo com aquela pesquisa que comentei há alguns dias, o homem está geneticamente predisposto a espalhar os seus genes o máximo possível e garantir descendentes. A mulher está geneticamente predisposta a selecionar o melhor reprodutor. E nisso chegamos, por estranho que possa parecer, a Harry & Sally - Feitos Um para o Outro.

Harry Burns: Você sabe, é claro, que nós nunca poderíamos ser amigos.
Sally Albright: Por que não?
Harry Burns: O que eu estou dizendo é - e isso não é, de maneira alguma, uma cantada - é que homens e mulheres não podem ser amigos porque o sexo sempre estará entre eles.
Sally Albright: Isso não é verdade. Eu tenho um monte de amigos homens e não há sexo envolvido.
Harry Burns: Não, você não tem.
Sally Albright: Sim, eu tenho.
Harry Burns: Não, você não tem. 
Sally Albright: Sim, eu tenho.
Harry Burns: Você só acha que tem.
Sally Albright: Você diz que estou fazendo sexo com esse homens sem saber?
Harry Burns: Não, o que eu estou dizendo é que todos eles QUEREM fazer sexo com você.
Sally Albright: Eles não querem.
Harry Burns: Querem, sim.
Sally Albright: Eles não querem.
Harry Burns: Querem, sim.
Sally Albright: Como você sabe?
Harry Burns: Porque nenhum homem pode ter amizade com uma mulher que ele acha atraente. Ele sempre quer fazer sexo com ela.
Sally Albright: Então, você está dizendo que um homem pode ter amizade com uma mulher que ele não acha atraente?
Harry Burns: Não. Você quer transar com elas também.
Sally Albright: O que acontece se ELAS não querem fazer sexo com VOCÊ?
Harry Burns: Não importa porque a coisa do sexo já está lá, então a amizade está condenada e fim da história.
Sally Albright: Bem, eu acho que nós não sweremos amigos, então.
Harry Burns: Acho que não.
Sally Albright: Que pena. Você era a única pessoa que eu conhecia em Nova York.  

O outro lado da coisa está numa das lições da Ione para ajudar os que ela chama de mocinhos dummies a entenderem melhor o comportamento feminino. Na lição nº 18, ela textualmente diz:  Mocinhas são perfeitamente capazes de ter amigos que elas nunca, mas nunca mesmo, quiseram ou quererão beijar not even in a lifetime.

Aquela teoria também explicaria isso: se os homens querem mais é disseminar sua sementinha o quanto puderem, natural que considerem cada mulher que conhecem como uma possibilidade romântico-sexual (pendendo mais para o romântico ou sexual dependendo do homem). Já a mulher, como a ela cabe selecionar, ela não perde tempo prestando atenção em quem, a princípio, não interessa.

Isso é assustador. De repente, a gente pode estar muito interessado em alguém e pela cabeça dessa garota nem sequer passou de relance a possibilidade de algum dia haver a possibilidade de se considerar a hipótese de nos olhar com outros olhos. Mas, enfim, é o jogo da vida.

E também não acredito que não possa haver amizade verdadeira entre homens e mulheres. Acredito que o sexo esteja lá, como Harry diz. Mas, animais sociais que somos, ele pode muito bem não assumir as funções principais da nossa vida e deixar que essa amizade exista, sim. E isso, na maioria das vezes, depende do homem - porque, como se vê, a mulher muitas vezes nem percebe que o sexo está lá.

E isso não impede que eu continue namorando minhas amigas tão namoráveis.

CRISE DE IDENTIDADE

A historinha é do carnaval, mas como teve repercussões na minha entrevista na TV Cabo Branco, só vou contar agora.

No Carnaval, acho que na cidadezinha de Baía da Traição ou sei lá onde, um amigo meu conquistou uma garota, que era de Guarabira. Até aí, nada de novo, já que ele faz disso praticamente um esporte. A questão é que, nas conversas preliminares, ele mentiu para garota (se bem que, até aí, também nada de novo). Não me lembro por que, agora, ele disse que era jornalista - igual a mim.

Quando ela perguntou onde ele trabalhava, ele disse: "No Jornal da Paraíba" - onde eu trabalho. Quando ela perguntou sobre o que ele escrevia, ele disse que era sobre cultura - que é sobre o que escrevo. Quando ela finalmente perguntou algo como "Mas você não é o Renato Félix, é?", claro que ele disse "Sou eu, sim".

O cretino paquerou a garota, conquistou e transou com ela se fazendo passar por mim! Me contou, claro, achando tudo muito engraçado e dizendo "Cara, ela era sua fã!". Não sei se fiquei mais incomodado com o fato de que alguém conheceu uma fã no meu lugar, de ele ter enganado a garota dessa forma, ou de que ela, quando visse um texto meu, lembraria da cara de bobão do meu amigo - que, quem conhece, já sabe quem é.

Bem, não só isso, como ele deu o número de telefone dele para ela, ela ligou algumas vezes - ele sempre atendendo como "Renato Félix".

Pois bem. Aí, veio aquela entrevista nos três blocos do JPB - 1ª Edição, no sábado passado. Eu, já atevendo uma justiça divina, contei parta ele da entrevista antes que ela acontecesse e que seria trasmitida para todo o estado. Ele entendeu rapidinho.

- Talvez ela não veja...

- É, mas talvez alguém que ela conheça veja e ligue avisando. "Olha, o Renato Félix, que você disse que conheceu no carnaval, está no JPB!". Talvez ela não veja de tarde, mas veja a reprise da matéria à noite, que também terá uma fala minha...

O sábado chegou. Realmente, ela não viu a entrevista à tarde. Realmente, alguém ligou avisando. Realmente, ela assistiu à noite. Logo depois da exibição, meu amigo me liga.

- Fui descoberto! Acabei de ser esculhambado pela menina no telefone.

Ri muito, muito mesmo. Só seria melhor se ele também não estivesse rindo na hora, o crápula. Achou tudo também muito engraçado. Mas, pelo menos, essa menina não vai mais dar para ele - pelo menos, não pensando que sou eu.

Atenção, meninas, para o selo de qualidade do Inmetro na hora de adiquirirem o seu Renato Félix.

NÚMERO 1.000
Este blog chegou ao acesso 1.000 esta semana. Se fosse uma loja de eletrodomésticos, cairiam balões coloridos, apareceriam câmeras de tevê e o cliente ganharia um prêmio - uma máquina de lavar roupa ou sei lá o quê. Mas eu não tenho como saber quem foi e acredito que o milésimo visitante também nem percebeu.

Ainda bem, porque eu não tenho dinheiro para comprar nem os balões coloridos, quanto mais uma máquina de lavar roupa.
Medo. Muito medo de não dar conta. Me ajude, Deus, a dar conta. Que meu nível de estresse não aumente muito mais que a porcentagem do adicional no salário. Que eu não atrapalhe ninguém. Enfim, que, se não der tudo certo, pelo menos que não dê tudo errado.

Não, minto: que dê quase tudo certo. Que não dê quase nada errado, senão o pedido sobre o estresse vai acabar não adiantando.
APESAR DE TUDO, MARAVILHOSA
Ontem nem fiz uma coisa que queria muito: declarar aqui meu amor eterno pela minha cidade, o Rio de Janeiro. Só isso. Vinte anos longe e ainda assim, minha. Outra prova de que carioca é carioca no coração, mesmo que more longe ou que tenha nascido longe e passe a morar lá.
Fui elogiado de novo no "Enviada Especial" (http://enviadaespecial.zip.net/). Ô, menina para me paparicar, essa PH...
FUTEBOL FEMININO
Nunca vi um texto sobre a paixão pelo futebol tão preciso quanto este que a Ione escreveu, em abril de 2002. "O seu time é a única coisa pela qual você pode passar a vida inteira apaixonado". Uma Armando Nogueira de saias, praticamente (quer dizer, se é que a Ione usa saias, vai ver que ela usa só calças compridas, shorts e vestidinhos...). Aqui, adaptando para o meu caso, é só trocar o São Paulo dela pelo meu Flamengo. E, claro, namorado por namorada.

PS: Ainda com os problemas com a edição em HTML... Bom, o link para o "Menina do Didentro", que - repito - anda ganhando novos posts, está aí do lado. E este daqui está em http://www.didentro.he.com.br/2002_04_01_blogdaione_archives.shtml

***

Ah, São Paulo! Eu torço pra você mesmo assim... Deveria ter combinado de ver o jogo com o meu pai, que me ensinou a torcer pro São Paulo. Me ensinou o nome de cada uma das posições dentro do campo, com paciência. Esperou meu surto corinthiano infantil passar, quando eu via o Casão na TV e achava que por ele valeria uma conversão herética. Não valeu. Me ensinou o que era a democracia corinthiana, mas me deu uma camisa 10, aquela do Raí. Me ensinou quem é o Diamante Negro e a torcer pro time de futebol de botão que ele encomendou, com uma escalação de um São Paulo que eu não conheci. Me ensinou o que é impedimento e me ensinou a xingar, muito, mais do que quando estou no trânsito, embora eu não faça esse tipo de coisa na frente de estranhos e fique fingindo que eu não sou descontrolada. Me ensinou que a defesa nunca deve correr atrás do atacante, mas deve sempre estar esperando. Me ensinou o que é chapéu, lençol, drible da vaca, gol de placa e bica. Me ensinou que se o Françoaldo perde o pênalti, em semi-final de campeonato, você deve ter compaixão, porque perder pênalti é um mini drama de segundos-horas, mas que mesmo assim, o Françoaldo, naquele momento, não passa de um grandissíssimo filho da puta, o maior que possa existir.

Assistir a um jogo de futebol é uma coisa transformadora. O seu time é a única coisa pela qual você pode passar a vida inteira apaixonado. Não ama, mas também nunca vai experimentar o desamor. Nunca pensa em abandonar, mesmo que diga isso. Acredita, mesmo que insista que não veja como. Você se descabela, xinga, diz horrores de que se arrependerá. Acaba pedindo perdão por não ter acreditado. Mesmo que você não tenha os sentimentos correspondidos, você nem pensa em outro. Nem imagina. Ele trai você, e você aguenta e insiste, com uma resignação que é incapaz de repetir em outras ocasiões. Você acredita nele, sempre, mesmo que queira esconder isso e muitas vezes finja que está dando as costas, mesmo que esteja olhando com o canto do olho pra ver o que está acontecendo e com quem ele anda flertando. O seu time desperta o brega em você. Faz você fazer declarações de amor (como essa), que não seria capaz de fazer a ninguém. Ele é ótimo: você está sempre julgando, mas ele nunca julga você. Ele faz você dizer uma porção de obviedades melosas que você acaba achando geniais, mas você não está nem aí. Por ele você é capaz de passar essa vergonha, em público.

O seu time é seu namorado perfeito. Meu pai deve estar achando tudo isso muito bonito, porque, afinal, foi ele que escolheu esse namorado pra mim. E quem não tem um time, embora racionalmente eu compreenda que há gosto pra tudo e que é perfeitamente possível não dar a menor pelota pra futebol, eu acho que deve ser mesmo um pouco sozinho.
DA SÉRIE "TEORIAS QUE EINSTEIN DEIXOU PRA LÁ"
Deus não joga dados com o universo...
...desde que perdeu uma fortuna numa partida de blackjack em Las Vegas para um chefão da máfia e teve que receber "uma oferta que não poderia recusar".

Deus não joga pôquer com o universo...
...desde que descobriu que o universo tinha um ás escondido na manga.

Deus não joga futebol com o universo...
...desde que o universo deu uma entrada desleal e Deus ficou contundido.

Deus não joga pega-varetas com o universo...
...porque toda vez que ia pegar uma sequóia, o Greenpeace chiava.

Deus não joga War com o universo...
...porque os Estados Unidos já fazem isso.

Deus não joga Imagem & Ação com o universo...
...desde que o cinema passou a ser falado.

Deus não joga amarelinha com o universo...
...porque, afinal, ele já está no Céu, mesmo...
CRÍTICA/ HITCH - CONSELHEIRO AMOROSO
Comédia-romântica é filme para o público feminino? Pode até ser: não é à toa que na maioria delas a visão que predomina é a da mulher. Por isso, não deixa de interessante a visão masculina da situação, que, de certa forma, é o tema de "Hitch - Conselheiro Amoroso" ("Hitch", EUA, 2005).

Estrelado (e co-produzido) por Will Smith, o filme mostra um expert na arte da conquista ajudando profissionalmente aos menos afortunados no assunto (um em especial, o engraçadíssimo Kevin James). Mas - importante - ele só ajuda quem estiver realmente apaixonado.
A tese é a de que as mulheres em geral simplesmente não percebem certos homens menos interessantes visualmente, digamos assim, e precisam de certa “ajuda” para notá-los. Aí, é onde entra o personagem de Will Smith .

Com fundamento ou não, o filme consegue desenvolver bem o tema, com certa graça e inteligência e ajudado por um elenco bem à vontade (os atores e também as atrizes Eva Mendes e Amber Valetta). Só cai um pouquinho no fim, quando acaba se rendendo às fórmulas do gênero. (Renato Félix)

"Hitch - Conselheiro Amoroso" ("Hitch", Estados Unidos, 2005). Direção: Andy Tennant. Elenco: Will Smith, Eva Mendes, Kevin James, Amber Valletta, Julie Ann Emery. Site oficial: http://www.sonypictures.com/movies/hitch/
BONITINHO

Surpresa! Da casa de um amigo consegui postar a foto que eu queria do novo modelo de premiação da Academia. Olha só como ficou bonitinho.

OSCARIZADOS
Agora, sim, os comentários do Oscar, por categoria:

Filme - O tempo todo eu disse que "O Aviador" levava uma ligeira vantagem sobre "Menina de Ouro". Sempre achei "Menina de Ouro" melhor, mas achava que a configuração da temporada pré-Oscar convergia para o filme do Scorsese. Acabou dando "Menina de Ouro", um filme que, em termos de produção, é muito mais simples, mas isso é até uma de suas maiores qualidades - e parece que a Academia reconheceu isso.

Direção - Aqui era Eastwood, mesmo. O homem foi sutil, ao ponto de ir mansamente conquistando o espectador e o fazendo se entregar totalmente ao filme. Isso é narração, e Eastwood estava perfeito.

Ator - Se não fosse Jamie Foxx, não sei, não... Esse Oscar foi literalmente o mais "cantado" da noite.

Atriz - Hilary Swank ganhou o segundo Oscar, e foi justíssimo. Não é qualquer uma que vai lutar boxe e ainda parece feminina. Ela é grande responsável pelo sucesso do filme.

Ator coadjuvante - Que bom que foi Morgan Freeman. A Academia já devia isso a ele ha muito tempo.

Atriz coadjuvante - Foi o que eu mais vibrei - porque essa categoria estava mais equilibrada. Ficaria feliz se Natalie Portman vencesse, mas como Cate Blanchett não tem igual. Ela está simplesmente sen-sa-cio-nal em "O Aviador", virou outra pessoa, como a magnífica atriz Katharine Hepburn. Kate Hepburn, assim, ganhou seu quinto Oscar, por assim dizer: quatro como atriz e um como personagem!

Roteiros - O esperado, embora "Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças" (roteiro original) merecesse bem mais, ainda nas indicações. "Sideways", superestimado pela crítica americana, ganhou o de roteiro adaptado e foi na medida certa.

Filme de animação - Quem mais seria, se não "Os Incríveis"?

Sobre a transmissão da Globo - Uma das piores que eu já vi. Primeiro, cometeram a indecência de não exibir o início da cerimônia por causa do "Big Brother Brasil", que era o que eu mais temia. Depois, ninguém se decidia quem deveria traduzir o que os apresentadores e o Chris Rock falavam: se a Elizabeth Hart (a ótima tradutora simultânea) ou o Renato Machado, que perdia todas as piadas. E ainda teve o José Wilker, que não conseguiu fazer um comentário decente: ficou repetindo que "Sideways" era o filme "mais bem acabado" e que "O Aviador" não merecia os Oscars que estava ganhando - ousou dizer isso quando a maravilhosa Cate venceu! Morte a José Wilker!

Sobre a cerimônia - Boa, embora sem muitas surpresas. Faltam aqueles clipes que homenageavam a história do cinema e que eu adorava - foram limados para deixar a cerimônia mais curta. Péssima a idéia de colocar nomes famosos cantando as músicas indicadas (ao contrário de chamar os intérpretes originais, que sempre foi a política do Oscar). Em compensação, gostei muito da nova dinâmica das premiações. Legal aquelas que aconteceram na platéia, deram um visual diferente, mas aquelas em que chamaram todos os indicados ao palco, com as imagens no chão, ficaram muito bonitas mesmo. No mais, a participação da Edna Moda (de "Os Incríveis") apresentando o Oscar de melhor figurino foi o máximo!

***

PS: Bem que eu queria postar uma foto dos indicados em linha no palco do Kodak Theatre, mas instalaram um novo navegador aqui no jornal, um tal de Mozilla Firefox, que simplesmente não me dá a opção de editar os posts e e-mails do Yahoo em HTML. Assim, vocês vão ter que se contentar com os links assim, enquanto outra opção não aparece. A foto está em http://br.news.yahoo.com/articles/oscar_photo/050228/5/s39q.html
O PRÊMIO MAIS DEMOCRÀTICO DO MUNDO
Eu vou comentar o Oscar, eu vou. Mas, primeiro, o jornal A União me pediu para participar numa coluna de polêmicas (aquelas em que um texto está a favor de algo e outro contra) sobre o Oscar. Eu escolhi ser a favor. Leiam aí e digam o que acharam...

***

As pessoas adoram minimizar a importância do Oscar, dizendo que o prêmio da Academia de Hollywood erra muito e que não é parâmetro para se decidir se um filme é o melhor do ano ou não. Mas há algum prêmio que seja? O Festival de Cannes – ou qualquer festival – costuma ser o contraponto do Oscar nisso, mas é decidido por um júri de menos de uma dezena de pessoas e que, muitas vezes, levam em conta mais os valores políticos que artísticos de um filme.

O Oscar é uma eleição onde os mais de 6 mil membros da Academia participam. É o prêmio mais democrático do mundo, no que se refere ao cinema. Também é democrático porque, em tese, não é só para o cinema americano. Há uma categoria particular para os filmes de língua não inglesa, mas isso não significa que a categoria principal seja destinada apenas aos filmes falados em inglês.

Se fosse assim, o italiano "A Vida É Bela" (1998), por exemplo, não teria concorrido. E isso também não vale para as outras categorias, ou Fernanda Montenegro não teria concorrido a melhor atriz, por "Central do Brasil" (1998), ou Fernando Meirelles a melhor diretor, por "Cidade de Deus" (2002).

A única restrição que existe para se concorrer aos Oscars é esta: o filme deve ter sido exibido durante uma semana, pelo menos, entre 1º de janeiro e 31 de dezembro do ano anterior, em Los Angeles, sede da Academia. Os filmes nem precisam ser inscritos – como nos festivais. Basta ter estado em cartaz e ter agradado aos membros.

A Academia – até prova em contrário – não “combina” os votos, como as panelinhas dos júris nos festivais. Não se decide previamente quem vai ganhar e quem não vai. Há uma empresa de auditoria que contabiliza os votos desde 1940, quando o resultado vazou para a imprensa. Desde então, só se conhece os vencedores no momento em que os envelopes são abertos, no palco.

Mas votação envolve seres humanos e suas idiossincrasias. Um eleitorado tão grande apresenta suas tendências, há os conservadores e os progressistas, há os “candidatos” que agradam todo mundo e aqueles mais radicais, que atingem apenas uma pequena parcela dos eleitores. O que também acontece é que, numa democracia, erros acontecem – está aí Fernando Collor, que não me deixa mentir.

Infelizmente, muitas podem ser as razões para um membro da Academia votar ou não em um dos indicados: desde amizade até por simpatia àquela atriz tão bonitinha ou por chateação com aquele ator antipático, podendo passar até mesmo pela qualidade de quem concorre. Sendo a maioria absoluta dos membros americana, parece lógico que o gosto americano predomine e meio absurdo exigir que isso não aconteça.

E, em última instância, que tal isto? Na sua gênese, o Oscar surgiu como um prêmio em que os artistas e técnicos do cinema são reconhecidos pelos próprios colegas. São os artistas e técnicos do cinema que compõem a Academia e votam nos indicados e vencedores. A princípio, deveriam ser as pessoas que mais entendem do assunto, não?
[ ver mensagens anteriores ]
Meu Perfil
BRASIL, Nordeste, JOAO PESSOA, Homem, de 26 a 35 anos, Portuguese, Spanish
MSN - renatofelix2002@hotmail.com