Ainda está nascendo, em testes. Mas alguma dúvida de que iremos lá diariamente?
Me sinto órfão.
10/03/2005 - 09h43m
Morre aos 87 anos a atriz Zilka Salaberry, a Dona Benta![]()
GloboNews TV
RIO - Morreu na madrugada desta quinta-feira no Rio de Janeiro a atriz Zilka Salaberry, de 87 anos. Ela estava internada desde o dia 15 de fevereiro e sofria de insuficiência renal, infecção urinária e desidratação.
A carioca Zilka Salaberry de Carvalho era formada em economia, mas exerceu a profissão por apenas quatro dias. Bisneta, neta e filha de atores, ela logo se refugiu nos palcos. Durante dez anos, participou do Teatrinho Troll, no qual interpretava uma bruxa. A estréia na TV foi em 1967, na novela A Rainha Louca. A partir daí, participou de várias novelas, minisséries e filmes.
Mas foi com a inesquecível Dona Benta, personagem criada por Monteiro Lobato e materializada no Sítio do Picapau Amarelo que cativou os corações de crianças por todo o país. A personagem esteve presente em todos os episódios dos onze anos que durou a primeira versão da série infantil.
Zilka participou também das novelas Irmãos Coragem, O Casarão e O Bem-Amado. Seu último papel na TV foi em 2002, na novela Esperança, de Benedito Ruy Barbosa.
O blog esteve com problemas na atualização ontem. Por favor, assumam que isto é de terça-feira. Ou da segunda à noite, que também vale.
Quem me conhece, sabe que poucas vezes na vida eu não sei o que dizer. E já comecei este post umas cinco ou seis vezes, sem exagero. Porque simplesmente não sei como explicar a situação sem entrar em detalhes - e não quero entrar em detalhes para preservar os terceiros envolvidos.
A coisa toda envolve um milhão de sentimentos misturados e força de vontade para manter uma postura que, no fim das contas, faz de mim o que eu sou. Tem a ver com uma tristeza que foi plantada há mais de um ano e meio, ficou incumbada desde então, germinou há quase nove meses e atingiu seu esplendor há três - quando inspirou este post: "Namorada perfeita".
Essa tristeza, nascida de um inconformismo, deu origem a raivas ocasionais - duas delas muito sérias. E só da minha parte e não recíprocas, é bom que se diga. E, assim, por medos diversos, uma relação verdadeira e importante foi seriamente maculada.
Mas existe uma certa simplicidade em mim que só complica a minha vida. Eu sou o primeiro a dizer que ela não me deve nada, mas faço questão de justificar minhas razões. Numa situação dessas, nunca xingo por xingar. Exemplo: uma ex-namorada anterior tinha acabado o namoro comigo, mas estávamos "em negociações" para voltar. Mas aí, ela ficou com outro cara, mesmo sabendo que aquilo seria o fim de tudo. E eu disse: "Você não me traiu, nem me enganou. Mas sabia que, fazendo isso, seria o fim de tudo. Se fez, é porque não se importou. E, se se importou, então foi inconseqüente e irreponsável". Foram as palavras que eu usei: "inconseqüente" e "irreponsável". Não, "vaca", "vadia", nada assim, jamais. A menos que ela tivesse sido mesmo uma vaca ou vadia, o que não foi o caso.
Tenho todo o cuidado para dizer só aquilo que é a verdade - de modo que ninguém pode jogar na minha cara que eu disse alguma inverdade ou alguma ofensa gratuita. Está vendo como é complicado? É complicadíssimo. E piora. Porque mesmo com esse sentimento de injustiça e esse vazio tão grande, eu procuro atribuir as culpas aonde elas particularmente estão - e não de maneira geral.
Assim, não consigo deixar de tentar ajudar, se minha ajuda for necessária. Como tantas vezes me sacrifico de bom grado nos dias de paz e alegria, assim também prefiro o sofrimento do contato à possível sensação de ter sido mesquinho.
O contato me faz sofrer, mas não quero fazê-la sofrer - mesmo que seja pela minha omissão. Deu para entender? Porque eu odeio a omissão - para mim, dependendo do grau de intimidade é um pecado tão mortal quanto a mentira ou apertar a tecla do mal. "Não menti, omiti" é uma frasezinha covarde e detestável. Omitir é falsear uma realidade, que a verdade desmontaria. Logo, é praticamente mentir.
E foi assim que avisei de uma vaga na empresa em que trabalho, e foi assim que não fiquei até tarde para não dar de cara com ela no corredor - muito menos, com o namorado dela, a quem dispenso conhecer. Foi assim que acabei passando a tarde com uns amigos num shopping aqui perto e deixe de pensar nisso. E foi assim que, no final da tarde, num daqueles acessos de azar que só acontecem comigo, encontrei o casal no dito shopping. A primeira vez cara a cara depois de seis meses.
Aí, vieram o frio na espinha, o não conseguir encarar, a alça da pasta arrebentando e caindo no chão, a conversa - animada por parte dela, fria pela minha - três passos atrás do resto dos meus amigos e do namorado dela. O imbecil do Wendell, como eu soube logo depois de seguirmos, se apresentando para o rapaz com o meu nome e ele respondendo: "Não, o Renato Félix é aquele ali", e apontando para mim enquanto a namorada dele me contava como havia sido a entrevista, tentando resgatar alguma coisa parecida com a normalidade nessa relação.
Ouvi e respondi sem agressividade, mas também sem qualquer animação. Sinto muito. Minha obrigação ética acabou, nesse caso, no momento de dar as coordenadas para a entrevista. Já abafei meus sentimentos por muito tempo para não incomodá-la, nos meses pós-namoro. Não tenho a menor pretensão de ser nobre.
Ela ainda é a mulher a quem eu devo os momentos mais plenos e belos da minha vida. Mas também é ela quem abriu mão por livre e espontânea vontade daquilo que eu tinha de mais precioso para oferecer: o meu amor por ela e tudo o que vinha junto.
E não estou falando de sentimento - e, sim, de vontade.
Como o meu pessoal estava com uma certa pressa, essa situação delicada não demorou muito. Saí sem nem mesmo me despedir. Como se vê, não sei bem o que dizer, nem o que estou sentindo. Não sei se ainda gosto dela, não sei se é exatamente raiva, se é raiva dela ou do que seria, não sei o que é - além de que é uma tristeza profunda, que nunca vai embora completamente e agora voltou com uma força muito, muito grande. Um sentimento de que eu merecia mais do que isso. Eu merecia mais do que isso.
E o mais triste é que não há de quem cobrar a conta.
É isso. Um post chato e confuso para anunciar que estou oficialmente deprimido. De novo.
Para ouvir de olhos abertos
Sendo Ray (Ray, EUA, 2004) um filme sobre um músico, a música naturalmente é elemento fundamental. E nisso, o filme de Taylor Hackford cumpre com louvor sua função: a música de Ray Charles aparece de uma maneira primorosa. E isso rende vários pontos a favor para a cinebiografia.
Jamie Foxx rende muitos outros pontos. O ator consegue fazer o público simplesmente esquecer que não é Ray Charles de verdade. E não é só uma questão de copiar os trejeitos do cantor, mas de unir isso a uma interpretação vigorosa e brilhante. Um Oscar justíssimo.
O filme em si é que não acompanha o brilhantismo da música de Charles e da interpretação de Foxx. Não chega a ser burocrático, mas está longe da ousadia narrativa de O Aviador (2004). Ao menos, a vida do cantor é espetacular o bastante para garantir - e muito - o interesse. Hackford deve ter achado que não precisava enfeitar muito com um material assim e bastava não atrapalhar.
Ray não é o filme excepcional que poderia ter sido, mas é, sem dúvida, fiel a seu biografado e para ser visto mais de uma vez. Ou ouvido, quando se trata das empolgantes apresentações que o filme mostra - como a antológica cena de “Hit the road, Jack”. Mas de olhos abertos. (Renato Félix)
Ray. Ray. Estados Unidos, 2004. Direção: Taylor Hackford. Elenco: Jamie Foxx, Kerry Washington, Regina King, Clifton Powell, Harry J. Lenix, Larenz Tate, Warwick Davis.
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