SÓ COMIGO...

É preciso contar a história do começo.

Aqui no JP só há plantão nos sábados pela manhã. Quer dizer, era assim. Aconteceu que, há algumas semanas, por causa de um evento da casa que precisava ser coberto, o plantão foi mudado para a tarde. E, agora, passamos a ter um plantão todo sábado à tarde.

Essa novidade começou hoje. Adivinha que foi o primeiro da lista da escala da tarde?

Resultado: meu plano de assistir Eterno Amor hoje à tarde foi por água abaixo desde cedo. Mas, como o plantão seria até às 19 horas, poderia ver a pré-estréia de A Casa das Adagas Voadoras, às 20h20. Então, tudo bem. Precavido que sou (mentira: não sou precavido, mas nessa ocasião fui. Embora devesse estar precavido contra minha precaução em excesso, como você vai entender a seguir), comprei o ingresso ontem na hora do almoço. R$ 11: caro, mas era um caso à parte.

Tudo bem. Terminando meu expediente na tevê, no começo da noite - eu, já tranqüilamente me agendando em ver Eterno Amor no domingo e Adagas Voadoras na noite de sábado - entra a editora de geral do JP na  redação da TV e diz: "Renato, está lembrado que o seu plantão é amanhã, né?". E eu, muito calmo, na maior paz de espírito: "Tô, às duas horas. Beleza". E ela: "Tá, porque você sabe que, se o papa morrer, a gente vai dar aquela esticada para pôr um caderno especial na rua amanhã".

Espero que não seja um pecado o que eu disse e que Deus saiba que eu estava fora de mim, mas naquele momento caiu a ficha. Caiu a ficha de uma ligação internacional ou pra mais longe. Interplanetária, até.

"PUTAQUEPARIU, O PAPA VAI MORRER NO MEU PLANTÃO!!! NÃÃÃÃÃÃÃÃOOO!!!"

Hoje de manhã, acordei, liguei a televisão e... desenhos animados. "O papa não morreu", pensei. Cheguei no jornal: o papa vivo, e, segundo o Vaticano, tinha até aberto os olhos.

Mas, não, tinha que ser. A notícia veio às 16h37 - exatamente no meio do meu plantão de 14h às 19h. Vamos atrás de Dom Aldo Pagotto (para quem é de fora: o arcebispo da Paraíba) para pegar a declaração dele. Ele está na Arquidiocese, na casa dele ou na Catedral, que ficam bem aqui na rua? Nããããão, ele está em Santa Rita!!! (Para quem é de fora: Santa Rita é um município a 11km de João Pessoa. Tá, não é tão longe, mas também não é aqui na esquina, onde literalmente o arcebispo deveria ser encontrado).

Toca pra Santa Rita, espera Pagottão acabar uma reunião, pega a fala dele, volta para João Pessoa, dá uma passada na Catedral para ver como está o clima lá e sabe que o povo só deve chegar para a missa das 19h30, vai pra redação, começa a redigir a matéria, é pautado para voltar à catedral e cobrir a missa, vai para a Catedral, vê um pouco da missa, volta, termina os dois textos e - finalmente - conta a aventura toda no blog.

O cinema? O ingresso para a sessão das 20h20 está aqui no meu bolso.

Às vezes eu me sinto o Pato Donald numa história com o Gastão...

CÓDIGO BINÁRIO

notícia de que cientistas tinham descoberto que há razões genéticas para as mulheres serem naturalmente complicadas gerou comentários interessantes (aqui no nosso círculo, da Pops, ex-PH, em 17/03, e da Carola Coralina,em 21/03). Na redação da tevê, também, onde uma colega disse: "Ah, mas os homens também são complicados". Eu disse que até existiam alguns, mas a regra não era essa - mas, na verdade, a explicação é outra.

Os homens são simples. Os homens obedecem a um código binário: é 1 ou 0 e raramente há variação nisso. De vez em quando, um "talvez", mas bem de vez em quando.

Imagino que o que a minha amiga quis dizer com "homens complicados" são os que não tem coragem de assumir um compromisso - mesmo que seja só de um namoro. Na verdade, eles não são complicados - ao contrário, sabem muito bem o que querem: enrolar o máximo possível e curtir numa boa, podendo curtir outras garotas tranqüilamente enquanto ainda "não se decidiu".

O "homem complicado", na verdade, é uma ilusão feminina, achando que ele ainda pode ser "descomplicado" e se ajustar. Ele pode até se ajustar - cada caso é um caso - mas pode apostar que, até lá, não há complicação nenhuma na cabeça dele. Ou o homem é canalha ou não é - o meio termo é tão raro quanto uma boa atuação do Vin Diesel.

CALADO

Não me lembro da Copa de 1978, por exemplo. Tenho minhas dúvidas se lembro do Flamengo campeão brasileiro de 1980. Não lembro do atentado ao Riocentro, em 1981. Mas me lembro da primeira visita do Papa João Paulo II ao Brasil, em 1980. Eu tinha seis anos e nunca me esqueci da música-tema da ocasião: "A benção, João de Deus/ Nosso povo te abraça". Lembro da impressionante comoção popular, sentimento que simplesmente invadiu o país na época - ou, pelo menos, o Rio, onde eu ainda vivia.

Ele resistiu por 27 anos à crônica resistência da Igreja Católica a se modernizar, resistiu a um tiro, resistiu dez anos ao Mal de Parkinson. Mas na semana de Páscoa tentou falar ao seu povo na Praça de São Pedro e não conseguiu. O "papa da comunicação", que eu sempre admirei por se esforçar para falar com cada povo na língua que o recebia, não podia mais se comunicar.

A isso, ele realmente não poderia resistir muito tempo.

  
O papa, firme e forte, em 1986 

MINHAS DECLARAÇÕES DE AMOR PREFERIDAS (IX)

Harry & Sally, Feitos um para o Outro (When Harry Met Sally..., 1989). Direção de Rob Reiner; roteiro de Nora Ephron.

Primeiro, eles se odiaram. Anos depois, se reencontraram e ele quase não lembrou dela. Mais alguns anos, um novo reencontro e eles se tornaram amigos. Harry (Billy Crystal) e Sally (Meg Ryan) foram amigos inseparáveis por anos. Mas um dia transaram e por isso brigaram e se afastaram. Na noite de ano novo, que eles haviam prometido passar juntos caso nenhum deles estivesse com alguém, Sally está solitária em meio à multidão de uma festa e Harry perambula pelas ruas. À medida em que se aproxima a meia-noite, eles vão ficando cada vez mais incomodados. Ela resolve ir embora, enquanto ele corre para encontrá-la. Ele chega segundos antes que ela saísse. Ela o vê chegar e ele, na porta, a vê no meio da multidão e vai até ela.

HARRY – Andei pensando um monte de coisas, e a verdade é que eu te amo.

SALLY – O quê?

HARRY – Eu te amo.

SALLY – E como você espera que eu responda?

HARRY – Que tal: “eu também te amo”?

SALLY – Que tal: “estou indo embora”?

E passa por ele para sair. Mas ele prossegue e ela pára.

HARRY – O que eu disse não significa nada pra você?

SALLY – Sinto muito, Harry. (Começa a contagem regressiva no salão) Sei que é noite de ano novo, sei que está solitário, mas você não pode aparecer aqui, dizer que me ama e esperar que fique tudo bem. Não é assim que funciona.

HARRY – Então, como funciona?

SALLY – Eu não sei, mas não é assim.

É ano novo. Todos no salão começam a cantar "Auld Lang Syne" (nossa popular "Adeus, amor, eu vou partir").

HARRY – E que tal assim? Eu amo quando você diz que está com frio, mesmo quando está 22º lá fora. Eu amo quando você demora uma hora e meia para pedir um sanduíche. Amo quando você faz essa ruga na testa quando olha pra mim como se eu fosse doido.

É exatamente assim que ela está olhando para ele.

HARRY – Eu amo, depois depois de passar o dia com você, poder sentir o seu perfume nas minhas roupas. E eu amo que você seja a última pessoa com quem eu falo antes de ir dormir, de noite. E não é porque estou solitário, e não é porque é noite de ano novo. Eu vim aqui esta noite porque quando você acredita que quer passar o resto da sua vida com alguém, quer que o resto da sua vida comece o mais rápido possível!

Ela fica pasma por dois segundos, antes de conseguir esboçar uma reação.

SALLY – Está vendo? Isso é tão você, Harry! (Quase chorando) Você diz coisas como essa e faz ser impossível pra mim odiar você! E eu odeio você, Harry! Eu odeio mesmo você.

Ele olha para ela com um meio sorriso.

SALLY – (quase sem sair a voz) Eu odeio você.

E eles se beijam.

* Passou ontem na Record. Eu tenho em DVD e estava passando Uruguai x Brasil na Globo, mas quem dissse que eu resisti?

MANCHETES

Nelson Ned é o novo menudo
(dez/ 1984)

Artistas gravam LP para socorrer as vítimas de Fagner
(mai/ 1985)

Homem-Aranha sobe nas pesquisas
(out/ 1985)

Sócrates vendido para o futebol grego
(jan/ 1986)

Sarney se queixa à defesa do consumidor
Deputados comprados vieram com defeito
(abr/ 1988)

Mulheres de constituintes fazem protesto:
"Eles não comparecem!"
(fev/ 1988)

Presidente está indo longe demais
Depois da China, Sarney irá à merda
(jul/ 1988)

Olimpíadas 88
Maluf tem chances de levar o ouro
(set/ 1988)

Empreguismo gera aberrações
Mulher de deputado dá a luz bebê com 2 cabeças e 3 empregos
(mar/ 1989)

Operação é um sucesso
Roberta Close não tem mais saco para promessas de candidatos
(mai/ 1989)

Toda a verdade sobre o fodão das Alagoas
Pesquisadora do Ibope dá para Collor e diz que seu índice é pequeno
(set/ 1989)

Viados querem que novo presidente assuma logo
(dez/ 1989)

Crise nos hospitais
Ministro da Saúde morre na fila do Inamps
(jun/ 1990)

Seqüestro dos cruzados
Dinheiro é libertado depois de 518 dias no cativeiro
(ago/ 1991)

Uma pequena amostra dos engraçadíssimos Hubert, Reinaldo e Cláudio Paiva à frente de O Planeta Diário, jornal que é uma das gêneses da TV Pirata e do Casseta & Planeta, Urgente! na tevê. Os melhores momentos de O Planeta Diário estão em A História Completa do Casseta & Planeta - Vol. 1. O segundo volume é sobre a revista Casseta Popular (de onde saíram Bussunda, Cláudio Manoel, Hélio de la Peña, Marcelo Madureira e Beto Silva) e o terceiro, sobre o grupo na tevê. As três já estão na banca e, é só reler aí em cima, são imperdíveis!

"Noronha, essa coisa de 'conjunto brasileiro e conjunto estrangeiro' significa, no caso da seleção do Parreira, que vamos ter que assistir a Emerson e Zé Roberto... para sempre?".

Muitas vezes o Renato Machado é assim: ótimo.

CRÍTICA/ "O CASAMENTO DE ROMEU E JULIETA"

Ficando no zero a zero

  

O Casamento de Romeu e Julieta (Brasil, 2004) foi vendido como uma comédia sobre a mentira - para fugir do estigma dos filmes sobre futebol. Também não é uma comédia-romântica, sobre como Luana Piovani vale tudo, até o impensável (como mudar de time): na verdade, é mais um filme sobre o pai da moça do que sobre o casal em questão.

Também não há muito um paralelo entre Romeu e Julieta, apesar do nome dos personagens serem os mesmos e de seus familiares - torcedores fanáticos do Corinthians e do Palmeiras - se comportarem como Montéquios e Capuletos.

Romeu (Marco Ricca) e Julieta (Luana) - os do filme - não encontram muitos problemas para ficar juntos, graças a uma mentira de Romeu, que se faz passar por palmeirense para enganá-la e depois o pai dela. O problema passa a ser dobrar o velho (Luiz Gustavo) e manter a mentira, mesmo tendo que ir ao estádio, no meio da torcida adversária e ver o time perder de 3 a 0 para o rival.

É uma boa piada, mas, esticada pelo filme inteiro, acaba perdendo a força. O filme poderia ter sido tanta coisa e não foi que talvez tivesse sido melhor assumir uma das opções e mergulhar fundo nela ao invés de parecer um filme que ficou pelo meio do caminho. (Renato Félix)

O Casamento de Romeu e Julieta. (Brasil, 2004), Direção: Bruno Barreto. Elenco: Luana Piovani, Marco Ricca, Luiz Gustavo, Martha Mellinger, Mel Lisboa, Leonardo Miggiorin, Berta Zemel, Renato Consorte, José Vasconcelos, Marina Person.

*Publicado no Jornal da Paraíba, em 27 de março de 2004

MOMENTO "80 MÚSICAS DOS ANOS 1980"

Pirlimpimpim

"Pegar carona nessa cauda de cometa,
Ver a Via Lactea, estrada tão bonita,
Brincar de esconde-esconde numa nebulosa,
Voltar pra casa: nosso lindo balão azul"

"Lindo balão azul", Moraes Moreira, Baby Consuelo, Guto Graça Mello e Bebel Gilberto, na trilha de Pirlimpimpim (1982)

* Para me despedir do tema. Parabéns às aniversariantes, espero que quem foi tenha curtido...

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