GAFIEIRA MODERNA

Minha matéria-tributo no JP. É hoje, hein? Joyce no Projeto Pixinguinha. No Bangüê, 20h, R$5. Em Campina, segunda. E eu falei com ela hoje na TV! Ai, ai, ai...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A bossa internacional de Joyce
Cantora carioca está na caravana do projeto Pixinguinha que vem a João Pessoa e Campina trazendo também Sérgio Santos e Márcia Siqueira

RENATO FÉLIX

Coisas da globalização, do mercado musical brasileiro ou as duas coisas? É mais fácil ver um show de Joyce no Japão que aqui na Paraíba. Portanto, nem pensar em perder as apresentações da caravana do Projeto Pixinguinha em João Pessoa (hoje, no Cine Bangüê, às 20h) e em Campina Grande (segunda-feira, no Teatro Severino Cabral, às 18h), em que ela é a atração, junto com a amazonense Márcia Siqueira e o mineiro Sérgio Santos.

Joyce, cantora e compositora que é herdeira legítima da bossa nova de Tom Jobim, Vinícius de Moraes e João Gilberto, diversificou o gramado musical pelo qual passeia e foi abraçada pelos mercados europeu e japonês a partir dos anos 1980. Hoje, é uma das artistas brasileiras com carreira mais sólida no exterior. No Japão, por exemplo, faz desde 1994 uma temporada anual nas casas noturnas Blue Note em que leva sempre um convidado – duetos recriados durante um estúdio carioca durante o carnaval de 2003 e virou o álbum Bossa Duets.

Que, aliás, como vários outros discos de Joyce, foi lançado primeiro no exterior e só depois no Brasil. Na Europa, suas músicas tocam nas pistas de danças das boates – acontecimento que ela apelidou de Gafieira Moderna, que virou até título de seu disco anterior. O Brasil, no entanto, ainda a conhece como a autora de "Clareana", "Feminina" e "Monsieur Binot", todas músicas belíssimas do começo da década de 1980.

Mas a cantora não abandona o país que continua sendo sua raiz musical e que ela chama de "país portátil", que ela leva sempre junto. Acabou de gravar em São Paulo, numa parceria da Biscoito Fino com a TV Cultura, um DVD: o primeiro de sua carreira e apenas seu segundo registro ao vivo – depois do disco Live at the Mojo Club (1995).

Mesmo com a popularidade entre os DJs, sua música nada tem de eletrônica e é tão carioca quanto sempre foi. Ela começou sua carreira ainda em 1968, já como cantora, violonista e compositora. Participou de festivais nos anos 1970, esteve sempre em contato com Vinícius, Tom e o pessoal da bossa, e estourou mesmo com "Clareana", quase uma canção de ninar, num festival em 1980.

Depois, vieram o interesse do Japão, dos DJs ingleses e até de grupos do rock independente americano, como o Superchunk - cujo líder, Mac McCaughan, gravou em seu projeto solo "Clareana" e ainda batizou o disco como De Mel de melão, que é um verso da música. No Japão, hoje, a penetração da música de Joyce é tão grande, que sobrou até para suas duas filhas: Clara Moreno e Ana Martins já lançaram discos na terra do sol nascente.

A família, aliás, tem mesmo a música no sangue. O marido, o percussionista Tutti Moreno, faz parte da banda que a acompanha e também – junto com o baixista Maurício Maestro, o violonista Sidney Rezende, o guitarrista Sílvio Damico e o pianista André Mehmari – está na banda que acompanha as estrelas da caravana do Projeto Pixinguinha – que já passou por Salvador, Aracaju, Maceió e Recife e ainda chegará a Natal e Fortaleza. O projeto, da Fundação Nacional de Arte (Funarte) chega a João Pessoa em parceria com a Fundação Espaço Cultural (Funesc), do governo estadual, e com a Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope), da prefeitura de João Pessoa, e da Secretaria de Educação e Cultura de Campina Grande.

Sérgio Santos e Márcia Siqueira também estão no programa desta caravana. Sérgio, cantor, compositor e instrumentista, começou por cima: no coro do show Missa dos Quilombos, de Mílton Nascimento, em 1982. Foi depois disso que passou a se dedicar à música e, como todo bom mineiro da época, absorveu inspirações do Clube da Esquina, e, principalmente, de Tom Jobim, Edu Lobo, Dori Caymmi e Francis Hime.

Foi também se aproximando das raízes africanas, culminando no disco Áfrico - Quando o Brasil Resolveu Cantar (2002). Os anteriores, Aboio (1995) e Mulato (1998), já passeavam por essa seara, em músicas compostas sempre com Paulo César Pinheiro. Sérgio Santos (2004), o segundo disco pela gravadora Biscoito Fino, tem participações de Francis Hime e Leila Pinheiro.

A cantora Márcia Siqueira já é uma veterana - se considerarmos que sua carreira musical começou os quatro anos, no coro de uma igreja, no Amazonas. Foi quando veio morar no Nordeste, em 1987, que ela começou a se apresentar em casas noturnas e em bares nos Estados do Ceará, Maranhão e Piauí. Até ganhou o festival Canta Nordeste, da Rede Globo, em 1995.

Voltou para Manaus, e passou a idealizar e protagonizar espetáculos temáticos, como Mulheres do Brasil - Cantoras do Amazonas e Uma Noite com Lady Day, onde homenageava a diva do blues Billie Holiday. Em 2004, com o show Nós, Vós, Elis, a homenagem foi para Elis Regina.

O Pixinguinha, que durou vinte anos em sua primeira fase (de 1977 a 1997), voltou no ano passado. A proposta é levar três atrações musicais em cada caravana, em quatro caravanas por mês, totalizando 50 cidades visitadas. Uma chance de ouro para conferir artistas da melhor qualidade e que são raríssimos de ver por aqui, graças aos já conhecidos interesses imediatistas do mercado brasileiro.

MELHOR AINDA É O BARATO INTERIOR

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Olha aí, Monsieur Binot,
Aprendi tudo o que você me ensinou:
Respirar bem fundo e devagar,
Que a energia tá no ar.

Olhaí, meu professor:
Também no ar é que a gente encontra o som
E no som se pode viajar
E aproveitar tudo o que é bom...

Bom é não fumar,
Beber só pelo paladar,
Comer de tudo o que for bem natural
E só fazer muito amor, que amor não faz mal.

Então, olha aí, Monsieur Binot,
Melhor ainda é o barato interior.
O que dá maior satisfação
É a cabeça da gente,
A plenitude da mente,
A claridade da razão.

E o resto nunca se espera,
O resto é próxima esfera,
O resto é outra encarnação...

"Monsieur Binot", Joyce

*É amanhã. Joyce no Projeto Pixinguinha, às 20h. E em Campina, segunda-feira.

CLAREANA

  A imagem “http://www.cafemusic.com.br/0cds/paubrasil/img/PB018.jpg” contém erros e não pode ser exibida.

Eu já tenho a música para ninar uma futura filha, se ela vier. E que pode até se chamar Ana. Ou Clara.

"Um coração
de mel, de melão,
de sim e de não,
Parece um bichinho
no sol de manhã,
novelo de lã.
No ventre da mãe
bate um coração
De Clara, Ana
e quem mais chegar.
Água, terra, fogo e ar..."

Neste sábado. Cine Bangüê. 20h. Projeto Pixinguinha. A maravilhosa Joyce (com Márcia Siqueira e Sérgio Santos).

LISTA

Carol Barison
Carol Pires
Carol Queiroz
Carol Pôrto
Carol Abiahy
Carol Barroca
Carol Marques
Carol Coelho

Será que toda Carol é uma mulher interessante?

CRÍTICA/ "ETERNO AMOR"

No amor e na guerra

Para quem não conhece a obra completa de Jean-Pierre Jeunet, é bom um alerta: O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (2001) é a exceção – e não a regra – na filmografia do cineasta. O “fabuloso” não é à toa: reflete bem a atmosfera de conto-de-fadas do filme (que é uma obra-prima, diga-se). Mas, embora o visual rebuscado tenha sido sempre uma marca do diretor, em geral o tom é lúgubre. Assim, apesar de ter Audrey Tautou novamente no elenco, Eterno Amor (Un Long Dimanche des Fiançailles/ A Very Long Engagement, França/ EUA, 2004) retoma um pouco esse lado.

O filme tem momentos de humor, mas é predominantemente triste: uma história de amor que percorre os horrores da I Guerra Mundial. Mathilde (Audrey) tem certeza, apesar de todas as evidências contra, de que seu noivo está vivo. No campo de batalha, ele havia sido condenado a uma execução especialmente cruel: jogado com outros à própria sorte para ficar entre as trincheiras aliadas e inimigas, à mercê dos tiros e bombardeios.

De posse de alguns indícios, Mathilde parte em busca das pessoas envolvidas no caso. A partir daí, o filme assume um certo tom de romance policial, contada com um recurso que Jeunet adora: o intertexto, que foi um dos charmes de Amélie. Mas, agora, com muito mais peso: o roteiro vai ao passado várias vezes, desvia-se por assuntos paralelos, mas todas as histórias têm importância. Às vezes, a sensação é de que há informação demais, mas Eterno Amor amarra bem suas pontas.

O visual, mais uma vez, é deslumbrante. O filme mostra uma esplendorosa França de 1920, boa parte criada por computador. Imagens com um “quê” publicitário, mas equilibradas por um campo de batalha sempre chuvoso, sujo, dolorido, sem qualquer lugar para a alegria.

É interessante notar que o filme é mais apaixonado por uma idéia de romance que pelo romance em si (o casal protagonista quase nunca está junto - como em Amélie, aliás). E também a luminosa aparição de Jodie Foster, longe do cinema desde O Quarto do Pânico (2002). Nos poucos minutos em cena, ela mostra a falta que faz - cada vez mais - ao cinema.

Eterno Amor. Un Long Dimanche de Fiançailles/ A Very Long Engagement. França/ Estados Unidos, 2004. ****½ Direção: Jean-Pierre Jeunet. Elenco: Audrey Tautou, Gaspard Ulliel, Dominique Pinon, Chantal Neuwirth, Jodie Foster, Marion Cottilard, Ticky Holgado, Dominique Bettenfeld, Clovis Cornillac, Jean-Pierre Darroussin, Tchéky Karyo, Jérome Kircher.

MINHAS DECLARAÇÕES DE AMOR PREFERIDAS (X)

Homem-Aranha (Spider-Man, 2002). Direção de Sam Raimi; roteiro de David Koepp, baseado nos quadrinhos de Stan Lee e Steve Ditko.

Peter Parker (Tobey Maguire), que combate o crime como o Homem-Aranha, vai ao hospital visitar sua tia May (Rosemary Harris) e lá encontra Mary Jane Watson (Kirsten Dunst), a garota de quem ele secretamente gosta desde criança - e que agora vinha namorando seu melhor amigo. Mas ela conta que o casal não anda muito bem.

MARY JANE – O fato é que eu amo outra pessoa.

PETER - Ama?

MARY JANE - Acho que amo. Bem, não é hora de falar nisso.

PETER - Não, não, continua. Eu deveria saber o nome dele, desse cara?

MARY JANE - Vai achar que é amor bobo de criança...

PETER - (animado) Confie em mim.

MARY JANE - É engraçado... Ele salvou minha vida duas vezes e eu nunca vi o rosto dele.

PETER - (menos animado, mas ainda sorrindo) Ah, ele...

MARY JANE - (rindo) Você está rindo de mim...

PETER - (sentando) Não, não, eu entendo. Ele é muito legal.

MARY JANE - (senta-se em frente a ele) Mas você acha que é verdade todas as coisas horríveis que falam dele?

PETER - Não, não. Não o Homem-Aranha. Sem chance. Eu o conheço um pouco. Sou um tipo de fotógrafo não-oficial dele.

MARY JANE - (animada) Ele já falou de mim?

PETER - Já.

MARY JANE - E o que ele disse?

PETER - Bem, eu disse... Ele, ele perguntou o que eu achava de você.

MARY JANE - E o que você disse?

PETER - Eu disse: "Homem-Aranha", eu disse, "a melhor coisa sobre a MJ é quando você olha nos olhos dela e ela olha de bolta nos seus... tudo parece fora do normal porque você se sente... mais forte... e mais fraco ao mesmo tempo. Você fica eufórico e ao mesmo... apavorado. A verdade é que você não sabe como se sente, só sabe o tipo de homem que quer ser. É como se atingisse o inatingível... sem estar preparado pra isso".

MARY JANE - (emocionada) Você disse isso?

PETER - (se dando conta do que acabou de fazer) Bom, mais ou menos isso.

JÓIA RARA

Please, don't say "I love you",
Those words touch me much too deeply.
They make my core tremble.
I don't think you realize the effect you have over me.
And please don't look at me like that,
It just makes me want to make you near me always.

And, please, don't kiss me so sweet.
It makes me want to crave a thousand kisses to follow.
And, please, touch me like that
Makes every other embrace seem pale or shallow.
And, please, don't come so close.
It just makes me want to make you near me always.

Please, don't bring me flowers,
They only whisper the sweet things you say.
And don't try to understand me,
Your hands already know too much anyway.

Makes me want to make you near me always.

And when you look in my eyes,
Please, know my heart is in your hands.
It's nothing that I understand,
But in your arms you have complete power over me.
So be gently, if you please,
'Cause your hands are in my hair,
But my heart is in you teeth, babe,
And it makes me want to make you near me always.

Your hands are in my hair,
But my heart is in you teeth, babe,
And it makes me want to make you near me always,
Want to be near you always,
Want to be near you always,
Want to be near you always.

*Isso é pura Jewel. Para comemorar o DVD que comprei neste fim-de-semana. 

CRÍTICA/ "REENCARNAÇÃO"

Metido a Stanley Kubrick

Para quem conhece a obra do diretor de 2001 - Uma Odisséia no Espaço (1968) e O Iluminado (1980), é inevitável pensar em como o filme Reencarnação (Birth, EUA, 2004) é kubrickiano. A ambientação asséptica, a frieza dos personagens, um certo distanciamento - tudo isso se faz notar. Até Nicole Kidman, última atriz principal de Stanley Kubrick, em De Olhos Bem Fechados (1999), está lá.

Mas o diretor quase estreante Jonathan Glazer (este é seu segundo filme) não é Kubrick. Em Reencarnação, falta a contundência que todos os filmes do mestre tinham, e à qual era impossível ficar indiferente. No drama da viúva prestes a casar novamente e que de repente conhece um garoto que diz ser seu marido reencarnado, é a indiferença que dá o tom.

O filme não convence e a tentativa de fazer do garoto Cameron Bright uma figura perturbadora - simplesmente não sorrindo - fracassa. Inverossímil demais, a história não se sustenta com atuações em geral frias. Por tabela, os poucos rompantes emocionais soam totalmente deslocados.

Há uma boa cena, de uma tempestade no rosto de Nicole durante um concerto. Mas é só. Reencarnação ainda subestima seu público ao dar uma dica escancarada do final logo no início - o que compromete tudo o que vem a seguir. (Renato Félix)

Reencarnação. Birth. EUA, 2004. Direção: Jonathan Glazer. Elenco: Nicole Kidman, Cameron Bright, Danny Huston, Lauren Bacall.

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BRASIL, Nordeste, JOAO PESSOA, Homem, de 26 a 35 anos, Portuguese, Spanish
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