ADENDO À LISTA

Lívia Karol

*Por enquanto, a resposta ainda é sim.

MEU PAPO COM A JOYCE
Um dia talvez eu conte a aflição e correria (modo de dizer, já que foi tudo ao telefone) que foi marcar o VT e a entrevista no estúdio com a Joyce. A entrevista para o jornal, eu fiz pelo telefone no domingo, um dia após o show e aqui está a versão completa (dedicada a Carol Abiahy - posso cobrar o "companhia de cine"?):

Todos esses anos se dividindo entre o Brasil e o exterior mexeram com a sua música?
JOYCE - Não, eles só me deram uma convicção de que eu tenho um caminho que é meu e que é o que eu tenho que seguir.

O interesse do mercado internacional pegou você de surpresa no começo?
Na verdade, não. Eu sempre tive um certo pressentimento de que o trabalho poderia seguir por esse lado. Certas coisas, como o negócio dos DJs ingleses, foram, surpreendentes pra mim, mas assimilei rápido porque eu entendi porque eles gostavam. Nos meus shows aqui, eu via as pessoas balançando, mesmo que não fosse uma música feita pra isso.

E o interesse de bandas do rock independente americano, como o Superchank e o Stereolab?
Acho que eles descobriram a minha música por causa dos DJs ingleses. Porque Londres tem isso de ser culturalmente influente... E acho que tem um lado assim - pelo menos, foi o que alguns deles me disseram: eles gostam muito porque são discos que não tem uma produção pasteurizada.

Você ainda grava com a banda num take só?
É, num take só.

Como você vê essa situação de lançar discos no exterior antes de saírem no Brasil?
É inusitado, mas foi a forma que eu encontrei do trabalho prosseguir. Aqui, dificilmente uma gravadora me daria, com o trabalho que eu faço, as mesmas condições. A gente só conseguiu reverter isso com o DVD, que está saindo primeiro aqui.

Mas todos os discos são gravados no Brasil, não são?
São. O único que não foi gravado aqui foi o Live at the Mojo Club, na Alemanha - mas aí porque foi ao vivo.

O que mudou na sua música do final dos anos 1960, quando você começou, pra cá?
Eu acho o seguinte: nos primeiros discos da minha carreira, eu estava buscando um caminho. Eu sabia o que queria, mas ainda tinha uma insegurança. Gosto daqueles discos, acho que as músicas são bem estruturadas, mas não têm a minha personalidade ainda. E também eu ainda não tocava violão, e era uma cantora tímida. O marco zero pra mim foi em 1980, no disco Feminina. Aí, nasceu a identidade do meu trabalho. Depois, foi só desenvolvê-la.

Você é uma compositora que tem muitas parcerias ao longo da carreira. Quais as que mais marcaram ou foram mais prolíficas?
Parceria é muito de fase da vida. Tive uma com a Ana Terra que rendeu boas músicas. algumas gravadas por Elis (“Essa mulher” é uma delas). Tive uma com o Maurício Maestro, que teve muitos sucessos, como “Mistérios”, que até hoje as pessoas gravam, e “Clareana”, que foi um sucesso nacional... Aí, teve uma fase grande, mais adiante, com o Paulo César Pinheiro, com quem compus um disco quase todo (o Ilha Brasil, de 1996)... Isso vai variando. Ultimamente, ando tendo umas parcerias meio episódicas com quem nunca tinha composto antes, mas que são legais: com Marcus Valle, João Donato...

E qual a que ainda não aconteceu e você gostaria de experimentar um dia?
Vou dizer o óbvio: o Chico.

Ah... Inclusive estava relendo ontem seu livro, e o texto sobre “O novo amor de Chico Buarque” (nele, Joyce conta como uma revista de TV a levou à casa do compositor, como a "Chico Buarque de saias" para tirarem uma fotos juntos, e depois publicou que eles estariam tendo um romance)...
Pois é, a história se repete (risos).

E a literatura? Você escreveu um tempo uma coluna no jornal carioca O Dia...
É. Depois que o livro (Fotografei Você na Minha Rolleyflex) saiu, fiquei dois anos escrevendo lá. Era prazeroso, mas estava atrapalhando um pouco a minha vida. Escrever uma coluna é um compromisso e ficou difícil conciliar.

E agora você está só escrevendo música...
Tô fazendo muita letra de música, tenho composto. Essa coisa de escrever um livro te absorve muito. Tua energia fica toda pra aquilo. Você vê o Chico: ele passa dois anos escrevendo um livro. Depois, pára e vai fazer música.

No DVD Banda Maluca ao Vivo, você se concentra bem mais no trabalho recente...
Eu não quis fazer essa coisa do registro de carreira porque eu acho que o trabalho está tão vivo e em direção ao futuro... Mas a gente também tocou músicas que as pessoas vão reconhecer, como “Feminina”. Mas, para as pessoas não ficarem tristes, há um medley de “Clareana” com “Monsieur Binot” que é um extra, para quem acertar um quiz de duas perguntas.

Você acha que ter músicas tão marcantes como “Clareana” ou “Feminina” é um problema às vezes?
Esse é um problema só daqui, mas do mundo não.

Seu marido (Tutty Moreno) é baterista, suas duas filhas (Clara Moreno e Ana Martins) são cantoras... A música está mesmo no sangue da família?
Acho que sim (risos). Mas a minha filha mais nova é designer, então é outro rumo... O último disco da Clara (Morenabossanova) foi muito bem recebido lá fora. É uma bossa meio eletrônica, muito interessante. O novo da Ana também, e será a primeira vez que ela terá um disco lançado aqui (o primeiro, Futuros Amantes, de 2000, saiu só no Japão). Ela é acústica, mais pro samba.

Qual a história de “Clareana”? Lógico: ela homenageia suas filhas, mas como surgiu?
Elas eram pequenas. O Maurício Maestro tinha feito a música, me deu e eu escrevi a letra... e é isso (risos).

CONFISSÃO (QUE NÃO É SEGREDO PRA NINGUÉM)

"Eu não sou ninguém de ir em conversa de esquecer
A tristeza de um amor que passou.
Não, eu só vou se for pra ver uma estrela aparecer
Na manhã de um novo amor"

"Canto de ossanha", Baden Powell e Vinícius de Moraes (que a Joyce cantou no sábado)

Ok, admito que até ficar em casa de febre eu não trocaria por um zilhão de Micarandes. Mas acho que passei os dois recados num só.

Um único comentário sobre o show da Joyce: não troco por uma, cinco, vinte, duzentas, 50 mil, um zilhão de Micarandes.

Amanhã, minha entrevista com a musa no JP. E aqui, para - prometo - passar para o próximo capítulo.

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