PARA O POETA

Você tem muitos aborrecimentos com o jornalismo, mas a profissão também pode proporcionar sensações muito especiais. No dia 17 de abril, um domingo, cheguei para o meu plantão na tevê com a notícia de que o poeta Lúcio Lins havia falecido. Ele morreu de cigarro na noite anterior.

Naquele dia, fizemos uma matéria a respeito, mas durante a semana Sílvio sugeriu que fizéssemos o quadro "A Paraíba e Seus Artistas", no sábado, dedicado a ele. Lúcio era um cara com quem eu simpatizava muito. No documentário que fiz com Angélica, Juciano e Vicente sobre os cinemas antigos de João Pessoa, ele foi conosco para mostrar os locais e tirar umas fotos - e até flagrou um momento engraçado do nosso trabalho.

Por isso, fiquei feliz com a oportunidade de prestar uma homenagem ao amigo. Na quinta à tarde, gravamos o quadro, reunindo três poetas amigos de Lúcio - Lau Siqueira, Edônio Alves e Sérgio Castro Pinto - na praia para falar sobre ele e recitar seus poemas. Depois, na casa dele, gravamos fotos de Lúcio, a voz dele recitando um poema no início de uma música de Adeíldo Vieira, depoimentos da família, a esposa recitando o último poema de Lúcio, escrito no hospital...

Para o JPB - 1ª Edição de sábado, também armei um aparição ao vivo de Adeíldo e de Eleonora Falcone cantando músicas que fizeram a partir de poemas de Lúcio e falando sobre o amigo. Assisti o jornal de casa. A repórter de plantão, que fez os vivos com os cantores foi justamente Dani, o que foi ótimo porque ela meio que ancorou o assunto. A matéria, estando Danielle à frente, estava evidentemente linda. As entradas ao vivo, também. Deu tudo certo.

Só na segunda é que eu soube da real repercussão da coisa. Dani me contou que ela própria ficou muito emocionada com a matéria. Adeíldo, que cantou logo depois, chorou assim que terminou sua participação e saiu do ar. Eleonora, que entrou no bloco seguinte, também chorou depois de cantar. A família ligou para a redação, dizendo que estavam todos chorando, emocionados, em casa.

Ficou uma sensação boa por dentro, de que conseguimos homenagear um amigo como ele merecia, de que provocamos coisas boas nas pessoas, e de que - como equipe - fizemos um bom trabalho. Nessas horas, é muito bom ser jornalista.

CASAIS QUE EU ADORO (II)

Beatrice (Emma Thompson) and Benedick (Kenneth Branagh) 
Emma & Kenneth

A MULHER DO SÉCULO (III)

Anos 1940: Ingrid Bergman (1915-1982)

Confesse: se você fosse Humphrey Bogart jamais deixaria Ingrid Bergman ir embora no final de Casablanca (1942). Que se danassem os nazistas e a resistência: quando Ingrid olhasse para você e dissesse “Eu disse que nunca deixaria você”, você cambalearia. Sueca, como Garbo, ela tinha um ar que misturava força interior e fragilidade num equilíbrio difícil de alcançar. Mas ela também era uma atriz dedicada, preocupada sempre em ter bons papéis. E uma mulher decidida, que abandonou a família e causou um escândalo internacional quando resolveu viver abertamente um romance com o diretor italiano Roberto Rossellini – ela resolveu conhecê-lo depois de ver o filme neo-realista Roma, Cidade Aberta (1944). A união deu à luz Isabella Rossellini, uma das mulheres mais belas do mundo. Mas que nunca ninguém ousou comparar à mãe.

A VOLTA DOS QUE NÃO FORAM
Já prometi antes, mas juro que desta vez é verdade: minha coluna do Portal Bip está de volta desde hoje. Agora, ela e da revista A Semana são uma só. Só que no portal estão também os comentários de todos os filmes em cartaz em João Pessoa.
A MULHER DO SÉCULO (II)

Anos 1930: Greta Garbo (1905-1990)

A entidade que é Greta Garbo é de difícil definição. Sueca, chegou a Hollywood ainda na era muda. Quando o som surgiu no cinema, em 1927, ela era a maior bilheteria da Metro. A ansiedade em torno de como o público receberia seu sotaque e a voz grave foi tanta que seu primeiro filme falado só veio em 1930. O slogan era: “Garbo fala”. E sua voz só aumentou o aspecto de mistério e altivez, mantendo-a no auge em filmes sempre muito dramáticos. Na vida real, era bissexual e gostava de nadar nua na piscina dos amigos. Em 1939, o slogan foi “Garbo ri” para sua primeira comédia: a inesquecível Ninotchka (1939), onde gélida agente russa era desmontada pelo amor. Foi estrela enquanto quis: quando não quis mais, em 1941, disse “I want to be alone” e se retirou do cinema para sempre.

AUTOBIOGRAFIA

No ano passado escrevi um autobiografia para uma lista de discussão. Aqui está ela, revista e atualizada.

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Não foram uma ou duas as vezes em que me senti uma "anomalia". Um sujeito de 31 anos que gosta de jazz, big bands, bossa nova e rock "à antiga" e detesta música eletrônica e modinhas como axé e pagode? Que não faz a menor questão de beijar uma estranha e prefere esperar o tempo que for preciso por um relacionamento não descartável? Que prefere filmes em preto-e-branco aos que usam efeitos especiais como fogos de artifício? Pouco comum, com certeza.

Aportei no Rio de Janeiro, em 1973, o que não foi nada mal. Tive uma infância tranqüila e feliz: garoto de apartamento, meus amigos eram basicamente os do colégio, os do prédio e meus primos. Não tive lá grandes aventuras, mas guardo boas lembranças das brincadeiras, dos picolés de tangerina da Kibon (todas as tardes eu ficava esperando o carrinho de sorvete passar na frente do meu prédio), do meu colégio da 6ª à 7ª séries, o Luther King, na Praça da Bandeira... As praias do Leme e da Urca... O Flamengo de Zico no Maracanã...

Aí, em 1985, meus pais resolveram voltar para a Paraíba. Quando comecei a estudar no Liceu, em 1987, conheci meus primeiros amigos para a vida inteira. Formamos uma turminha no Bairro dos Estados e arredores, com a adolescência regada a sessões de filmes na casa de quem tinha vídeo e inesquecíveis partidas de War.

Se na adolescência é que a gente forma nossa identidade, façam as contas: não bebia, fumava e não experimentei qualquer tipo de droga ilegal. Essa situação não mudou. Nunca senti qualquer curiosidade ou vontade, mas também não gosto da idéia de ter a minha mente entorpecida em qualquer situação. Acho mais interessante me divertir plenamente consciente e nunca precisei desse tipo de ajuda para relaxar e esquecer os problemas.

Não vou dizer que certas posturas que tenho não dificultam a minha vida. Ao contrário, tenho consciência que, em um mundo com tantas liberdades, abrir mão delas tornam tudo mais difícil. Às vezes é uma escolha, mas às vezes não - como no caso da minha timidez crônica.

Tenho uma tese: se você for bonito e cara-de-pau está feito em matéria de mulheres - nunca vai faltar quem caia na sua rede. O problema é que você tende a não ter muito respeito por elas. Ser não for bonito, mas cara-de-pau, tudo bem: vai levar uns foras, mas não vai se importar e vai continuar tentando até conseguir. Se for bonito e tímido, vai despertar aquele desejo maternal nas mulheres ou configurar um desafio para elas. Mas não ser bonito e ainda ser tímido - como é o meu caso - é pedir para ser solitário na maior parte do tempo.

Piora quando, numa época em que as relações estão cada vez mais descartáveis, você faz questão de um namoro, mas namoro mesmo. Já vi amigas apontando para um cara do outro lado da rua e dizendo "Acho que já fiquei com aquele menino". Jamais quero uma garota apontando para mim e dizendo isso. Sou ambicioso: quero marcar a vida das pessoas. Quero que elas me vejam e digam: "Aquele foi um dos melhores namorados que eu já tive".

Resultado: tive pouquíssimas namoradas na vida. Dá pra contar nos dedos. Mas todas elas se envolveram profundamente comigo, mesmo quando o tempo foi pouco, ou até mesmo quando não queriam se envolver profundamente. É difícil, mas, pelo menos, você vê magia acontecer. Foi assim da última vez, um romance que não merecia acabar pela maneira mágica que nasceu.

Mas há um amor que é eterno na minha vida: o cinema. "Cantando na Chuva" sempre vai estar lá para me pôr um sorriso no rosto quando eu estiver triste. Foi no reveillon de 1988 para 1989 que eu vi o filme pela primeira vez e minha concepção de "assistir filmes" mudou para sempre. Descobri que o cinema antigo podia ser maravilhoso e que devia haver mais de onde saiu aquela pérola. Fui bem mais feliz desde então e um momento bom da minha vida é rever clássicos que adoro, olhar o rosto de Audrey Hepburn e escrever minhas críticas, mesmo quando não gostei do filme em questão.

Mas minha história passa mesmo é pela construção das amizades que tenho. São o meu tesouro. Assim, outro momento importante foi em 1989, ano em que participei da Aventura 1992, uma viagem de navio, recriando uma das viagens de Colombo, com 400 estudantes de 23 países. Momentos inesquecíveis e mais amigos para toda a vida, quase todos morando muito longe.

Em 1991, cheguei à universidade. Primeiro em Educação Artística e, dois anos depois, definitivamente em Jornalismo. Curti cada momento com a minha turma e acho que não poderia ter colegas melhores. Conheci novos amigos de vários cursos e essa interdisciplinaridade foi uma riqueza que sempre vou dever à universidade.

Em 1992, conheci a Gibiteca Henfil. E lá formou-se a primeira geração dos Gozadores Cósmicos. Muitos do núcleo central estão sempre se vendo. O meu nível de humor produzido cresceu muito desde então.

Em 1998, formou-se uma nova geração de gozadores cósmicos em volta de umas menininhas muito especiais que estudavam Filosofia. Velhos e novos amigos encontravam-se todos os dias, se divertiam, criavam o que fazer, jogavam mímica, criavam problemas e tentavam resolvê-los.

Eu ja tinha me formado nessa época - saí da universidade em fevereiro de 1997 - mas, felizmente, estava cursando espanhol. Demorou para eu chegar a uma redação de jornal: só em 2001, em A União. Devo ter sido um dos poucos jornalistas a começar logo como subeditor do caderno de cultura, mas foi o que aconteceu.

Hoje, estou no Jornal da Paraíba, como repórter de cultura, e na TV Cabo Branco, como produtor. E feliz com colegas que, na maioria, são grandes amigos. Há muito mais amigos por aí e, infelizmente, não consigo dar atenção a todos como deveria. Mas tentar é muito bom. E a cara-metade está por aí em algum lugar - se algumas doidas já resolveram se aventurar por estes lados, deve haver alguém mais que queira. Minhas convicções são ultrapassadas como meus gostos, mas elas me mantém firme e forte na vida que escolhi - ou que me escolheu.

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Meu Perfil
BRASIL, Nordeste, JOAO PESSOA, Homem, de 26 a 35 anos, Portuguese, Spanish
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