BOA IGNORÂNCIA

Não sei quem pensou na frase, mas o indivíduo é um gênio: "Os ignorantes é que são felizes". Tem toda a razão. Comecei a pensar nisso quando a Magali uma vez me disse que bom mesmo era não ter ambição alguma e ser uma dona de casa feliz e satisfeita, sendo sustentada pelo marido e só cozinhando, lavando, passando e cuidando da ninhada. Mas vem a danada da ambição e - pimba! - um sem-número de insatisfações.

Ela tem lá sua razão. É meio como a teoria da caverna, de Platão. A história do povo que vivia acorrentado na escuridão de uma caverna, e ninguém reclamava porque todo mundo achava que a vida era aquilo ali mesmo e pronto. Até que um camarada se solta e sobe até a luz e não se contenta: volta para convencer todo mundo de que o mundo é muito mais que aquilo ali, mas a turma não acredita nele. Bom, estou resumindo.

Nas intermináveis discussões sobre cinema, é comum falar que os críticos são uns chatos que não gostam de nada. A explicação é simples: quem vê muito filme, de várias procedências, épocas e estilos sabe, quando vê um filme que foi lançado esta semana, se o que está na tela já foi feito mil vezes antes. Ou se já foi feito infinitamente melhor.

Já quanto menor o conhecimento no assunto, mais fácil a possibilidade de se encantar com aquilo que, na verdade, não tem encantamento nenhum - simplesmente pela falta de referências melhores. Quanto mais se sabe, fica-se mais exigente.

E isso parece valer para qualquer área da vida. Antes de saber o que é ser amado, por exemplo, meus dias navegavam numa espécie de solidão tranqüila. Depois que determinada moça olhou em meus olhos e disse que estava apaixonada por mim, quem disse que eu vivo sem esperar que isso aconteça de novo. Talvez melhor seria nunca saber disso.

Por outro lado, depois que você toma conhecimento, não dá mais para voltar atrás. É irresistível: depois que se sai da caverna, não dá mais para simplesmente ignorar certas coisas. E é muito bom saber mais, estudar mais, se aprofundar mais, dominar certos assuntos. Vale, literalmente, a pena.

A MULHER DO SÉCULO (V)

Anos 1960: Catherine Deneuve (1943)

Um espaço de três anos separa o musical Os Guarda-Chuvas do Amor (1964) e o suspense Repulsa ao Sexo (1967). E Catherine Deneuve vai da candura à sensual psicose nos dois. Ainda em 1967, ela foi A Bela da Tarde: uma dona de casa gélida que dava vazão às suas fantasias trabalhando em um bordel à tarde. Talvez seja o papel que melhor a define: na fronteira entre a altivez e o fogaréu. Deneuve soube explorar essa química através dos anos e sua beleza ainda impressiona. Tanto que é compreensível dividir com o escritor Luís Fernando Veríssimo um de seus grande sonhos: rolar na neve com Catherine Deneuve. É dever da ciência fazer um estudo genético sobre ela – embora a reprodução esteja fora de questão.

CASAIS QUE EU ADORO (III)



Woody & Diane

A MULHER DO SÉCULO (IV)
Anos 1950: Audrey Hepburn (1929-1993)

 

Numa década em que a voluptuosidade estava em alta – afinal, eram os anos Marilyn Monroe, Elizabeth Taylor, Kim Novak, Brigitte Bardot... – parece um contrasenso escolher Audrey Hepburn. Mas vá discutir com os editores de moda e beleza, maquiadores profissionais, agências de modelo e fotógrafos e todo o mundo que, em maio, elegeram a atriz como a mulher mais naturalmente bela não só de sua época, como de todos os tempos. Na verdade, a disputa não foi tão difícil, já que incluía a beleza interior. Magricela, Audrey despertava bem mais do que desejo sexual. Um símbolo definitivo de charme, elegância e caráter, ela inspirava uma irresistível vontade de querer protegê-la. Não só quando interpretava as mocinhas inocentes de A Princesa e o Plebeu (1953) ou Sabrina (1954), mas até quando fazia um papel de índole questionável, como em Bonequinha de Luxo (1961).

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