CRÍTICA/ "HERÓI"

*Como vocês sabem, voltei das férias no jornal. Assim, também voltam as críticas.

Hero Hero

Exageros bem contidos

Se a comparação é inevitável - pela autoria e proximidade dos filmes em cartaz -, então vamos lá: Herói (Ying Xiong, China/ Hong Kong, 2002) é melhor que O Clã das Adagas Voadoras (2004), ambos de Zhang Yimou. Coisas da programação local: O Clã passou aqui primeiro, enquanto Herói só estreou há poucas semanas.

Nos dois filmes, Yimou mantém uma premissa formal básica: são filmes de artes marciais, mostradas num contexto dramático, mas com muitas liberdades narrativas, ambientados na China de mais de mil anos atrás. O diretor coreografa as cenas de ação ao extremo, muitas vezes se transformando mesmo em um balé, outras vezes exagerando na fantasia.

As diferenças que tornam Herói melhor são basicamente três. Primeiro, a trama. Embora o Clã invista no mistério e no romance, Herói é mais instigante e chega a lembrar o clássico Rashomon (1950), de Kurosawa,com as várias visões de uma mesma história.

Depois, o deslumbre visual do filme tem um sentido narrativo que não parece haver no igualmente belíssimo Clã. Cada versão da história é refletida no visual: em cores vivas, frias, ou o “preto-no-branco”. Sem ser didático, o filme usa o colorido brilhantemente.

E, finalmente, Yimou está mais contido nas asas que dá à sua imaginação nos combates. Até para exageros há limites, mas como O Clã das Adagas Voadoras é posterior e não conhece nenhum limite, é de se imaginar que Zhang Yimou não necessariamente tenha aprendido a lição, o que seria uma pena. (Renato Félix)

Herói. Ying Xiong. China/ Hong Kong, 2002. Direção: Zhang Yimou. Elenco: Jet Li, Tony Leung, Maggie Cheung, Zhang Ziyi, Daoming Chen, Donnie Yen. (****)

BOAS NOVAS
A mensagem abaixo já estava na agulha para ser publicada, quando chegou a notícia, por e-mail: o Menina do Didentro está de volta!
PAQUERANDO (OU NÃO)

*É por causa desse tipo de coisas que eu adoro a Ione. Isso é do blog dela, de 6 de janeiro de 2003.

Cada coisa que eu descubro a meu respeito. Não sei paquerar. Nem acho que um dia eu soube. Basicamente, as técnicas que utilizei ao longo dos anos dessa indústria vital foram duas: (i) cheirar o pescoço do moço (ah! a adolescência não tem limites!); e (ii) fingir que não estou paquerando, o que não é difícil, porque como eu não sei paquerar, dá na mesma.

Não se assuste, a primeira técnica foi utilizada somente uma vez na minha vida (deu certo, não posso negar, a coisa rendeu bem), mas não acho que eu vá voltar a fazer uso dela. Acho que não pega bem uma moça da minha idade sair por aí pedindo para cheirar o conjunto "pescoço-orelha" dos mocinhos. Mesmo que pareçam ser muito cheirosinhos. Nessa minha única experiência da técnica de paquera através do olfato, o cheiro era bom, era cheirinho de Dove.

A segunda técnica é mais fácil. Basta falar pouco e quando falar, fazer muita piada, fumar, e tirar sarro da cara do moço. Dançar desse jeito que só eu sei também pode ajudar. Ele nunca vai desconfiar de que eu estou paquerando. Por algum raciocínio muito distorcido, eu acho que se eu agir desse jeito, a coisa vai. Claro que a coisa não vai, mas no momento em que eu estou sendo simplesmente eu e não paquerando (ou seja, estou sendo a mesma boboca de sempre, o que sou em todas as situações, ou quase todas), eu fico repetindo aquela frase mais bobinha de filme de romance açucarado, aquele tipo de conselho que a gente cansa de dar pra uma amiga que tomou um pé: "ele tem que gostar de mim do jeito que eu sou".

Agora, diga. Eu preciso de ajuda especializada?

* Agora veja bem como o caso dessa empatia é grave: é exatamente o meu caso! Bem, pelo menos 90%. Eu também não sei paquerar e nunca soube. Quando estou paquerando, tenho o mesmo raciocínio distorcido de fingir que não estou. O que resulta no fato de que, no fim das contas, acabo sendo eu mesmo, o que nem eu acho lá muito interessante - que dirão as mulheres? Só não fico fazendo mantra, achando que as meninas devem gostar de mim como sou, embora devam. É questão de pura inabilidade e incompetência, mesmo. Isso até iria render um texto específico meu (talvez ainda renda), mas aí, por coincidência, dei de cara com essa da Ione ontem.

* E nunca pedi para cheirar o pescoço de ninguém como técnica de paquera. Nem isso!

COISAS DOS DICIONÁRIOS

Apareceu num texto por aí que tal ator tinha um papel omnipresente em tal filme. Isso não é importante. O importante é que ficamos pensando na redação: "Ok, sabemos o que é 'onipresente'. O que será 'omnipresente'?"

Fomos ao Aurélio, então.

Omnipresença. V. onipresença.

Ok, aí eu já sabia do que se tratava. Mas vamos imaginar que eu não soubesse. O que danado seria "onipresença"?

Onipresença. V. ubiqüidade.

Comecei a notar um padrão nisso.

Ubiqüidade. Propriedade ou estado de ubíquo ou onipresente; ubiquação, onipresença.

Ah, tá. Estamos andando em círculos? Uma definição, por favor?

Ubiquação. Caráter do ser presente em toda parte.

Amo os dicionários. Mas às vezes. Ah, às vezes...

A MULHER DO SÉCULO (VIII)
Anos 1990: Juliette Binoche (1964)

 

Embora a carreira de atriz de Juliette Binoche no cinema tenha começado no começo dos anos 1980, o mundo começou a prestar atenção nela quando Lena Olin a despiu em A Insustentável Leveza do Ser (1988). A partir daí, ela chegou ao topo e não desceu mais. Esteve sublime em Perdas e Danos (1992) e A Liberdade É Azul (1993). Foi a melhor qualidade de O Paciente Inglês (1996) e de Chocolate (2000), produções americanas que pegaram seu charme emprestado. E esteve de visual exagerado em Fuso Horário do Amor (2002): quem viu não esquece a cena em que ela tem que se “despir” da maquiagem e – aí, sim – se revela belíssima, de rosto lavado. O rosto de Binoche não precisa de aditivos.

*Outras mulheres do século: Anos 1920 - Anos 1930 - Anos 1940 - Anos 1950 - Anos 1960 - Anos 1970Anos 1980

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