ESTRÉIA EM JP/ ÁGUA NEGRA

 Dark Water Dark Water

Mergulhando no horror
A estréia de Walter Salles em Hollywood, Água Negra, chega hoje a João Pessoa mostrando sua visão da refilmagem de um filme de terror japonês

Renato Félix

Walter Salles, diretor de Central do Brasil (1998) e Diários de Motocicleta (2003), dirigindo a refilmagem de um filme de terror japonês? A idéia ainda parece estranha, mas o fato é que é esta a estréia do brasileiro em Hollywood: Água Negra (Dark Water, EUA, 2005), nova versão de um filme de Hideo Nakata (o mesmo de O Chamado original), chega hoje a João Pessoa (uma sala).

No filme, a sempre belíssima Jennifer Connelly é Dahlia, uma mulher divorciada que vai morar com a filha Ceci (Ariel Gade) num apartamento da Ilha Roosevelt, em Nova York. O local fica num prédio de uma série que não é muito mais que um monte de cubos, é mal cuidado e sombrio. E não demora até Dahlia, envolvida no estresse da luta pela guarda da filha, começar a ouvir barulhos estranhos e uma estranha água escura que desce pela parede.

Por que Salles resolveu fazer esse filme, ainda é, de certa forma, um mistério. Mas não é o primeiro filme “de gênero” do diretor e nem mesmo seu primeiro em inglês – A Grande Arte (1991), com que estreou nas telas, é um policial falado em inglês, embora seja uma produção brasileira. De qualquer forma, seu projeto seguinte, a adaptação de On the Road, parece ter mais a cara dele.

Claro que Salles não é um diretor qualquer e faz o que pode: o filme segue mais a linha do terror psicológico, e procura tirar sua força do drama pessoal que a personagem de Jennifer Connelly vive no momento.

Outro ponto positivo, já de saída, é o elenco, que não se rende às estrelinhas jovens de Hollywood. Os personagens são interpretados por atores bons de verdade, como Jennifer (que já ganhou um Oscar de coadjuvante, por Uma Mente Brilhante, 2001), John C. Reilly (de Chicago, 2002), Pete Postlethwaite (de Em Nome do Pai, 1993) e Tim Roth (figurinha fácil nos filmes de Tarantino).

A equipe também é respeitável: Angelo Badalamenti, autor das trilhas de David Lynch, o brasileiro Affonso Beatto, diretor de fotografia que trabalhou muito com Almodóvar e a montagem é de Daniel Rezende (indicado ao Oscar por Cidade de Deus). Com um time assim, fica difícil errar, mesmo fora de casa.

Estréia em JP/ Gaijin - Ama-me como Sou

Foram 25 anos de intervalo entre Gaijin – Caminhos da Liberdade (1980) e a continuação Gaijin - Ama-me como Sou (2005), que estréia hoje em JP (uma sala). Mas a diretora Tizuka Yamazaki não só transformou a segunda parte de sua história sobre a imigração japonesa numa superprodução, como repetiu o feito do original e faturou de novo o Kikito de melhor filme do Festival de Gramado.

O filme retoma a história de Titoe (Kyoko Tsukamoto), contada no primeiro Gaijin. Ela havia chegado ao Brasil em 1908, para ganhar dinheiro e voltar ao Japão. Em 1935, com uma filha e ainda sem dinheiro suficiente, ela resolve comprar um lote de terras, no Paraná. A partir daí, a história acompanha a família nas décadas seguintes.

Além dos atores brasileiros, o elenco traz a japonesa Tamlyn Tomita (de O Clube da Felicidade e da Sorte, 1993) e o cubano Jorge Perugorría (de Morango e Chocolate, 1994, e que já vai no terceiro filme no Brasil, depois de Navalha na Carne, 1997, e Estorvo, 2000).

O fim de semana ainda reserva as estréias de Amor em Jogo (2005), o novo filme dos irmãos Farrelly, Deu Zebra!, filme estrelado por animais no estilo de Babe (1995), e mais um brasileiro: Coisa de Mulher (2005), com Adriane Galisteu.

*Publicado hoje no JP.

NOIVINHA

 

 

 

 

 

 

 

 

Em defesa da Grazi
Sérgio Rodrigues

Não se deve levar muito a sério a onda de decepção que parece estar se formando com o desempenho da Grazi – apelido de Grazielli Massafera, estrela do último “Big Brother Brasil” – no ensaio fotográfico que sustenta a robusta (280 páginas) edição comemorativa dos 30 anos da “Playboy”. Ontem, no site Blue Bus, um ejaculador precoce que nem esperou pela edição de papel – viu tudo num site pirata – deu seu veredito, e ele não era lisonjeiro: a revista, sustentou, simplesmente não deve ser comprada. Grazi estaria “muito comportada, quase uma freira”. O tiro de misericórdia foi o seguinte: “A moça é bonita mas o ensaio é porcaria.”

Não é bem assim. Grazi é uma mulher tão merecedora de adjetivos gulosos que poderia ter sido fotografada com uma Kodak descartável, contra a luz, com filme vencido e em enquadramentos cambetas, que mesmo assim continuaria justificando o desembolso do valor de uma “Playboy”. No caso, reconheça-se que o longo ensaio fotográfico, assinado pela competente Nana Moraes, não é exatamente uma explosão de sensualidade. O clima predominante é de propaganda de leite desnatado: luz suave, roupas e adereços de cor clara, flores, sorrisos radiantes e até, num excesso de singeleza que beira a comicidade, um coelhinho branco que Grazi, amiga dos animais fofos, abraça e cheira. É nesse bichinho, supõe-se, que o leitor deve se projetar em busca de aproximação com a loura.

Acabou de amanhecer no ensaio da Grazi, uma manhã sem ressaca e sem culpa. Atenção, convém não confundir as coisas: ela está nuinha, inteira lá, com a única exceção do enquadramento ginecológico que tem se tornado obrigatório quando a fotografada é, digamos, menos “família”. Aí chegamos ao xis da questão: a loura, anunciada pelo editor como “a mulher perfeita”, vende-se ao leitor como namorada-noivinha-esposa mesmo – é pegar ou largar. Não podíamos estar mais distantes daquele gênero bandida-fatal-puta que, por exemplo, Diana Bouth representava na edição do mês passado, para revolta do colega Pedro Doria.

Fazer o quê? A julgar pelas marchas e contramarchas que envolveram sua negociação com a revista, Grazi parece ser assim mesmo. Se algum pecado o pessoal da “Playboy” cometeu no ensaio, não importa se por conta própria ou forçado por cláusulas restritivas do contrato, terá sido apenas o de traduzir isso visualmente. Pode-se até lamentar tal clima, só não se deve esquecer que foi exatamente ele, aliado à beleza fulgurante da loura, que fez a banda masculina do país relevar aqueles erres de José Dirceu e prostrar-se aos pés dela – bonitos pés, diga-se – enquanto durou o BBB.

O problema da “decepção com a Grazi” que começa a circular por aí parece ser outro, mais sério: é que o BBB virou passado remoto. Quando desejávamos essa mulher em uníssono, não havia mensalão, mal prestávamos atenção em Roberto Jefferson, Marcos Valério era ninguém. Ou seja, vivíamos num Brasil diferente. Talvez Grazi tenha tardado demais a tirar a roupa, numa demora típica de namoradinhas e noivas – mas essas têm beijos longos, suspiros e olhares profundos, armas com que vão enrolando o candidato enquanto não se entregam por completo. Não é, convenhamos, o caso de Grazielli, que apenas sumiu de circulação. Somos todos menos apaixonados por ela hoje do que éramos então, o que é uma pena.

Mas que vale uma boa olhada, vale.

*Da coluna "A Playboy de No Mínimo", no site No Mínimo.

LISTA NO BIP

Minha coluna do Portal Bip está atualizada. Como todo fim de mês, é uma lista: dez grandes finais de filmes. O número 10, só para vocês terem um gostinho:

10 – “Quanto Mais Quente Melhor” (Billy Wilder, 1959). Wilder era o mestre dos encerramentos de filmes. Neste, acontece a revelação de Daphne, que conta para o homem apaixonado por ela e que a está salvando de gangsters, que não é uma mulher, mas um homem (Jack Lemmon). “Ninguém é perfeito”, é a desconcertante resposta.

De quebra, comentáriozinhos de todos os filmes em cartaz em João Pessoa.

TRISTE

Das coisas que aparecem na televisão atualmente, uma é, sem dúvida, a mais triste pra mim: ver Amália Rocha sendo desperdiçada naquela participação mequetrefe no Programa do Ratinho ancorando enquetezinhas por telefone do tipo "quem trai mais? O homem ou a mulher?".

Aliás, ainda bem que é uma participação mequetrefe: assim, o constrangimento é menor.

SURPRESA DO MÊS

Luana Piovani vai viver Elke Maravilha no filme Zuzu Angel. Para quem, como eu, só conhece a Elke Maravilha da fase "jurada do Chacrinha" para a frente a idéia certamente será absurda e a foto a seguir, um choque:

 

Aham. Em tempo: ela foi modelo de Zuzu Angel entre as décadas de 1960 e 1970. Ah, você não sabe quem foi Zuzu Angel? Então vá até aqui e procure o nome dela na lista.

LISTA DA DOMINGO

Do JB, do dia 7 de agosto:

As dez mulheres mais gostosas do cinema
Todas com a sensualidade transbordando em papéis inesquecíveis

Por falar nisso, vocês estão lendo o Avenida Brasil, não estão? Pois então leiam!

CRÍTICA/ 2 FILHOS DE FRANCISCO - A HISTÓRIA DE ZEZÉ DI CAMARGO & LUCIANO

 

Sem cair na pieguice

Para quem esperava o desastre, a surpresa: 2 Filhos de Francisco - A História de Zezé Di Camargo & Luciano (Brasil, 2005) é um bom filme. A história real é mesmo comovente e contada com bastante competência, com poucos escorregões na pieguice. Centrar a atenção no pai dos cantores foi uma sacada inteligente, porque, sem dúvida, ele é um grande personagem.

A música de Zezé di Camargo & Luciano, claro, continua de amargar. O filme não a deixa nem um acorde melhor: quem gosta, vai continuar gostando; quem não gosta, não deve se derreter. Mas acontece que ela é elemento fundamental para a trama, não só por causa dos personagens retratados, mas pelo próprio ambiente onde se passa o filme.

Não há como negar que o filme mostra um pedacinho do Brasil que não costuma receber os holofotes da TV ou do cinema. Mostra esse mundo com carinho e conquista o espectador dosando o drama com cenas divertidas (como os meninos cantando, sem saber, uma música contra a ditadura no rádio, bem nos anos de chumbo).

Dablio Moreira,que faz Zezé criança, é ótimo ator. Bem melhor que Márcio Kieling, sua versão adulta. O bom elenco - Angelo Antônio, Dira Paes, José Dumont, Paloma Duarte - sustenta dramaticamente o filme, que só derrapa feio no final, quando leva os verdadeiros cantores ao local em que nasceram. Foi a derrapada na pieguice. (Renato Félix)

2 Filhos de Francisco - A História de Zezé Di Camargo & Luciano. Brasil, 2005.  ***1/2   Direção: Breno Silveira. Elenco: Ângelo Antônio, Dira Paes, Márcio Kieling, José Dumont, Thiago Mendonça, Paloma Duarte, Maria Flor, Natália Lage, Jackson Antunes, Lima Duarte, Zezé di Camargo & Luciano.

VELHA CONHECIDA

Pois é, olhaí. O Flamengo do Andrade joga melhor e não perde. Só que também não ganha. Empatou duas seguidas, e aí o São Paulo ganhou, empatou com o Fla em número de pontos, mas passa nos critérios de desempate. Resultado: estamos de novo na zona de rebaixamento, nossa velha conhecida.

O Atlético Mineiro está três pontos abaixo, mas ganhou três seguidas. Ou seja: nesse ritmo, um dia ele também passa!

FORAS E FORAS

- Do Enviada Especial:

"Croniquinha boa da Stella Florence, mostrando as vantagens de se terminar uma relação por e-mail.

Deixemos de preconceito: e-mail é uma mão na roda na hora de dar ou levar um fora."

- Minha:

Futura(s) namorada(s): se resolver(em) terminar comigo dessa forma, que seja com a certeza absoluta de que não vão querer pelo resto da vida. Porque é exatamente isso o que vai acontecer.

Ô povo pra substituir "o que é certo" por "o que é confortável"...

SUCESSOS DA PRATELEIRA AO LADO

Filmes ‘off-Hollywood’ conquistam espaço e são cada vez mais procurados nas locadoras de João Pessoa e Campina Grande


Dogville
, inesperado sucesso de locação

Renato Félix

Entre as vantagens que o DVD trouxe, uma é bem especial: melhorou muito o acesso do público a filmes que não são aqueles que chegam facilmente aos cinemas brasileiros – quanto mais aos da Paraíba. São os filmes europeus, asiáticos e latino-americanos e os alternativos americanos. São os chamados “filmes de arte”, uma expressão equivocada, já que, por definição, qualquer filme é uma manifestação artística. Em todo caso, as locadoras de João Pessoa e Campina Grande já detectam um aumento na procura por esses tipos de filmes. Os cinéfilos estão saindo da toca, atraídos pela maior oferta.

“Essa onda começou já há algum tempo como filmes como Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes, Corra, Lola, Corra, Magnólia...”, enumera Fabiano Nóbrega, proprietário da locadora Vídeo Store, em João Pessoa. “A gente chegou a criar uma prateleira só para esses filmes, com estrangeiros que concorreram ao Oscar e outros mais difíceis, como os iranianos”.

Ele conta que universitários e professores formam a maior parcela do público que procura por esses filmes. Também é assim na KF, de Campina Grande. “Esses filmes são para um pessoal com nível intelectual melhor”, pondera o proprietário Carlos Graciano da Luz. “Mas é uma minoria, esse cinema é para um público especial”. Ele aponta os filmes de Ingmar Bergman, Federico Fellini e Pier Paolo Pasolini como os mais procurados.

“Não é uma procura louca, mas há um público”, concorda Michel Abraão, proprietário da rede de locadoras Ribalta, em João Pessoa. Ele conta um caso curioso: quase todo o acervo da rede está em apenas uma das lojas, que é onde esse público já costuma ir – nas outras, os filmes são menos alugados.

“De vez em quando estoura um. Há algum tempo foi a trilogia A Liberdade É Azul, A Igualdade É Branca e A Fraternidade É Vermelha. Mais recentemente, Dogville e o argentino Nove Rainhas”, conta Abraão. Dogville, de Lars Von Trier, segue sendo um dos filmes off-Hollywood mais alugados na Video Store. A lista é liderada por Os Sonhadores, de Bernardo Bertolucci. “Até os funcionários estão gostando mais desses filmes”, conta Fabiano Nóbrega.

“Esses filmes não têm mais a rejeição de antigamente”, diz Miguel Abraão. “Para os latinos E Sua Mãe Também e Nove Rainhas tivemos que comprar mais de uma cópia, algo impensável antes. A gente sente também um aumento no número de lançamentos. Antes, a gente nem tinha como comprar. Agora, ao menos, temos a opção de comprar ou não”.

O dono da Video Store aponta que os clássicos também estão sendo mais procurados. “Aqui, já são três prateleiras para eles”, conta. “Sempre que é lançada uma coleção, o pessoal procura. De Fellini, o que for lançado a gente tem que comprar porque o pessoal sempre quer”.

Por isso, lançamentos recentes entre os filmes off-Hollywood com alguma repercussão acabam ficando no topo da lista dos mais procurados. É o caso do clássico francês Rififi e de Balzac e a Costureirinha Chinesa. Rififi, de 1955, era inédito nas locadoras até o recente lançamento em DVD. Já Balzac e a Costureirinha Chinesa nem passou nos cinemas locais. Outros, permanecem na lista dos favoritos, mesmo lançados já há algum tempo. É o caso do alemão Adeus, Lênin, o mexicano Amores Brutos e o francês O Fabuloso Destino de Amélie Poulain. O próximo da lista tem tudo para ser o excelente A Queda! - As Últimas Horas de Hitler, que conseguiu a proeza de ser exibido nos cinemas daqui – e teve bom público. Depois disso, o sucesso nas locadoras parece fácil, fácil.

*Publicado no Jornal da Paraíba, em 28 de agosto de 2005.

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