NADA IGUAL

A experiência humana mais esplendorosa que existe é acompanhar o crescimento de uma criança que você ama.

Não existe outra igual, nem mesmo o sexo. Acompanhar não só as primeiras palavras e os primeiros passos, mas, principalmente, as primeiras argumentações, primeiras demonstrações de personalidade, as primeiras piadas, os primeiros comentários na primeira ida ao teatro, ao zoológico...

E depois as segundas vezes de tudo isso, porque o que é mais impressionante é perceber o desenvolvimento de tudo isso. Quando, depois de alguns dias sem ver, você percebe que ela aprendeu uma palavra ou expressão nova. Ou que já tem sua cena preferida de Chuva - que é como ela chama Cantando na Chuva - e pede pra você colocar. Quando pede alguma coisa que você não quer dar, mas usa um argumento do qual você se orgulha.

Quando ela vê várias cenas de pessoas se abraçando num filme e aí levanta e corre até você, abraçando suas pernas. E quando, você brincando de girá-la no ar, ela abraça você e diz baixinho: "Te amo".

Não há absolutamente nada na existência humana que seja melhor do que isso. E Isabeli, essa gracinha da foto em sua primeira visita à Bica, nem é minha filha - é minha sobrinha.

BOM DEMAIS!

Photo

Ok, o Chile não é algo assim, que se diga "Nossa, que adversário dificílimo".

Mas a gente se acostumou tanto a ouvir o Galvão dizendo "Passa sufoco a Seleção Brasileira!" contra equipes como Honduras, que é bom ver a Seleção goleando quando é pra golear mesmo. Jogando bonito, mesmo quando o outro time está na retranca. Tocando bem a bola como naquele antológico segundo gol. É bom ver os jogadores sorrindo por estarem cumprindo bem a missão, como o Robinho subindo no cangote do Adriano depois do quinto gol.

Lá vamos nós pra Copa da Alemanha. E Copa do Mundo é bom demais!

CRÍTICA/ PROCURA-SE UM AMOR QUE GOSTE DE CACHORROS

Must Love Dogs Must Love Dogs

O amor é um barco de madeira

Procura-se um Amor que Goste de Cachorros (Must Love Dogs, Estados Unidos, 2005) tinha tudo para ser uma daquelas comédias românticas trivias e mais que bobinhas. A surpresa é que, mesmo sendo trivial e mais que bobinha, é um filme divertidíssima. O motivo não é difícil de entender: é uma combinação de diálogos espertos e atores muito bons - liderados por Diane Lane e John Cusack.

O tema central do filme não são os cachorros, como o título parece indicar, mas a busca do amor através dos sites de encontros na internet. Os cachorros estão lá, mas são circunstanciais. Aliás, o filme já começa mostrando suas bases: ao modo de Harry e Sally, "depoimentos" contando os melhores lugares para se conhecer pessoas.

A idéia é essa: Sarah (Diane) é divorciada, está batendo nos 40 e não tem onde nem como conhecer pessoas. Depois de um tempo enclausurada, a numerosa família não dá moleza e sugere pretendentes o tempo todo. As irmãs, então, tomam a rédea de sua vida amorosa e a inscrevem em um site de relacionamentos - entre as exigências está a de que o pretendente goste de cachorros, o que seria, de algum modo, uma maneira de verificar o caráter do sujeito.

Do outro lado, está Jake (Cusack), também um divorciado recente e também pouco disposto a arriscar de novo no amor. Até que um amigo responde - como se fosse Jake - ao anúncio deixado pelas irmãs de Sarah - como se fossem Sarah.

A ansiedade dos dois atrapalha o encontro e embaça o romance até que Sarah conhece Bob (Dermot Mulroney), pai de um de seus alunos. E então a mulher que não tinha ninguém agora passa a ter duas possibilidades. Mas a questão não é meramente essa, antes passa pela readaptação às vezes difícil de um solitário ao mundo dos "socialmente ativos", digamos assim.

A personagem de Diane é aquele tipo que parece uma ilha de sanidade no meio dos personagens cômicos. Não pe função dela fazer rir, mas ser bela e inspirar cuidados. Já o de Cusack tem falas memoráveis e responde pelos momentos mais engraçados. Também é bom ver Elizabeth Perkins (quem lembra dela em Quero Ser Grande?, 1988) novamente em um bom papel, o da irmã militante pela felicidade de Sarah.

O elenco de apoio, aliás, é invejável: além de Mulroney e Elizabeth, estão lá os veteranos Christopher Plummer (o capitão Von Trapp de A Noviça Rebelde, 1965) e a maravilhosa Stockard Channing, sempre roubando cenas. Eles são um aditivo para o roteiro de Gary David Goldberg, baseado em novela de Claire Cook, que nem procura fugir dos clichês.

Tudo é bem previsível, mas ao menos há boas sacadas, como a mania de Jake, deprimido, de assistir a Doutor Jivago  - outra idéia que não é nova (personagens com fixação em um filme específico é coisa que Nora Ephron vive fazendo), mas é bem aproveitada. Também há a história do barco de madeira que Jake insiste em construir, mesmo sabendo que todos querem modelos mais avançados - o que mostra que o personagem é um romântico algo fora de moda, com valores que o mundo preza cada vez menos.

O filme é simpático a esses personagens que parecem estar flutuando num limbo sentimental. Mas também acena com a possibilidade de que ainda há gente por aí construindo seus barcos de madeira e com uma certa esperança de que haja alguém por aí que compre. (Renato Félix)

Procura-se um Amor que Goste de Cachorros. Must Love Dogs. Estados Unidos, 2005. ***½ Direção: Gary David Goldberg. Elenco: Diane Lane, John Cusack, Elizabeth Perkins, Christopher Plummer, Dermot Mulroney, Stockard Channing, Ali Hillis, Brad William Henke.

[ ver mensagens anteriores ]
Meu Perfil
BRASIL, Nordeste, JOAO PESSOA, Homem, de 26 a 35 anos, Portuguese, Spanish
MSN - renatofelix2002@hotmail.com