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Gente, acabei de entrevistar por telefone o Herbert Vianna. O Herbert Vianna! Vocês tem noção do que é isso para um oitentista convicto? Não tô nem mais chateado por já serem sete da noite e eu aiunda estar no jornal...

QUEM VOTA SOU EU

Sei que a imparcialidade não existe, que é uma utopia. Que quando você decide a palavra com a qual vai começar um texto, já está selecionando fatos e modelos de narrativa e - portanto - sendo parcial. Mas é utopia que é dever do jornalista perseguir.

Assim, compreenda-se meu estarrecimento com a capa da Veja na semana passada:

Faz tempo que eu não via um exemplo de anti-jornalismo tão grande e escancarado. E aí não faz diferença no que você vai votar no referendo. A Veja tem todo o direito de ter seu posicionamento, contra ou a favor da proibição do comércio de armas e munição. Não pode é querer convencer seu leitor no grito, como tenta na edição da semana passada.

Parece que a Veja foi acometida por um diogomainardismo agudo: não interessa se o que se fala (ou se o modo como se fala) é certo ou errado, o importante é fazer muito barulho e deixar muita gente irritada. Parece que a criatura (a coluna de Diogo Mainardi) se libertou das correntes e dominou o criador (a revista). Contaminou a revista inteira.

Parênteses. Houve um tempo em que a Isabela Boscov era a única crítica de cinema que eu respeitava na Set. Depois, ela assumiu a editoria da revista e a publicação melhorou mil por cento. Virou, e que se encha a boca para falar, uma boa revista. Depois, ela saiu e foi para a Veja. E parece que, desde então, foi acometida por um mau humor crônico, desancando um filme atrás do outro, com leves respiros de elogios aqui e ali. Logo, ela: a) segue uma orientação expressa que diz "na dúvida, desça o pau"; b) a Veja tem feito mal a ela; ou c) todas as anteriores. Fecha parênteses.

A Época, que certamente também tem o seu posicionamento, veio esta semana com a matéria "10 mitos sobre as armas". Há mitos pró-proibição, há mitos contra. E há muitos números. Os números podem servir para provar uma tese, mas, enfim, são números. A Época tenta convencer seu leitor com argumentos - e não no grito.

Na mesma edição, um texto curioso: um crítico de música comenta a confusão em que a Warner Music se meteu ao mandar iPods para os jornalistas culturais que iriam escrever sobre o novo disco da Maria Rita, Segundo. Uma das estratégias de marketing mais desastradas que já se viu, para ficar no eufemismo. Mais do que para falar desse assunto, o crítico escrevia para se defender da acusação de que teria elogiado o disco - ali e na Bravo! - por causa do presentinho.

Pois bem, ele escrevia que devolveu o iPod à gravadora assim que o recebeu e que tinha elogiado o disco porque Segundo é realmente bom. Que, para ele, Maria Rita já tinha conseguido seu lugar na música brasileira pelos próprios méritos e não por causa de um iPod. E que a revista que tinha feito a acusação simplesmente não o ouviu para saber se aquilo realmente tinha acontecido, desconsiderando uma lei básica do bom jornalismo - e ainda por cima em um texto que a revita não teve a coragem de assinar.

A revista, claro, é a Veja.

E aí veio a IstoÉ para mostrar à Veja como é que se faz.

Tem aquele ar de esperneio, mas é a resposta que tem que ser dada.

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