CEM PREFERIDOS - 40


40. Noites de Cabíria (Federico Fellini, 1957)

Se Scarlett O'Hara é uma das principais personagens femininas da história do cinema, a outra só pode ser Cabíria. A prostituta romana quer encontrar alguém que goste e que cuide dela, mas, coitada, só se dá mal. Mesmo assim, consegue ter momentos alegres em sua vidinha nas ruas de Roma. A superação inocente das tristezas, das puxadas de tapete que a vida dá, é o que faz de Cabíria uma personagem tão encantadora. E tem a música de Nino Rota e a direção antológica de Fellini, que - sem ter ainda entrado em sua fase excessivamente onírica - é capaz de criar momentos inequecíveis.

CEM PREFERIDOS - 41


41. A Era do Rádio (Woody Allen, 1987)

Woody Allen é apenas narrador neste filme e por uma razão simples: A Era do Rádio fala da infância do cineasta. Uma época que talvez seja a mais romântica e encantadora do século, mesmo com todas as dificuldades advindas dos tempos de guerra. A música esplendorosa, os heróis de aventura ainda inocentes, a luta pela fama, os nightclubs - todo esse universo é sedutor em si mesmo. Mas o filme é de Woody Allen, e ainda em sua melhor fase, logo é inteligentíssimo, divertidíssimo, bem realizadíssimo. E, de quebra, tem a brasileira Denise Dumont dando uma de Carmen Miranda, cantando "Tico-tico no fubá".

CEM PREFERIDOS - 42


42. Golpe de Mestre (George Roy Hill, 1973)

Paul Newman, Robert Redford e o diretor George Roy Hill se reuniram para mais uma coleção de leves e divertidas patifarias. Mas, desta vez, ambientadas nos anos 1930, com uma saborosa trilha sonora ragtime. As peripécias de um veterano trapaceiro ensinando a arte dos golpes a um pupilo que deve fugir de uma séria enrascada estão no mais alto grau de prazer que se pode assistindo a um filme.

DIA 19, HEIN?

Se ainda não anotaram na agenda, anotem: 19 de novembro é o dia da nossa festa de aniversário (minha e dessa gracinha aí em cima, a Haryanne). Não, não somos casados, nem namorados: apenas somos amigos que sopram velinhas no mesmo dia (17) e resolvemos comemorar juntos. O local é a nossa casa - ou seja: o Parahyba Café. As músicas serão predominantemente anos 1980, mas não só, e a entrada é de grátis. É só aparecer pra gente se divertir junto.

Antes, tem a festa do rock brasileiro, do amigo afro-descendentão Renilson, neste sábado; e terça, tem a festa dos vivos, onde "só não vai quem já morreu", segundo o amigo Bob Záccara. Tudo no Parahyba Café. 

Aproveitando: anuncio a entrada na lista aí do lado do fotolog da Haryanne, onde eu tive a recente honra de ser assunto; e do blog da Eliz Monteiro, que é freqüentadora das mais animadas dessas festinhas.

CEM PREFERIDOS - 43

43. Assassinato por Morte (Robert Brooks, 1976)

Os maiores detetives do mundo são convidados para um jantar em uma mansão isolada... e uma assassinato que ainda não aconteceu. A peça é de Neil Simon, o que é quase sempre uma delícia. O elenco, impressionante: Peter Sellers, David Niven, Maggie Smith, Peter Falk, Elsa Lanchester, Alec Guiness - e o escritor Truman Capote, de lambuja. Quase todos parodiando os melhores detetives da literatura policial: Charlie Chan, Nick & Nora Charles, Sam Spade, Miss Marple, Hercule Poirot... Uma estupenda brincadeira.

CEM PREFERIDOS - 44


44. ...E o Vento Levou (Victor Fleming, 1939)

O folhetim é, geralmente, um tipo de narrativa que os elitistas culturais gostam de colocar em décimo plano. Mas, quando é bem realizado, pode ser, sim, um esplêndido entretenimento e - como tal - chegar ao mais alto grau de cinema. É assim com ...E o Vento Levou, um filme arrebatador: épico, emocionante, romântico e engraçado, com uma protagonista daquelas de quem a gente diz que é "maior do que a vida". Scarlett O'Hara é a personagem feminina mais celebrada do cinema e o filme foi recolocado, muito justamente, no topo da lista dos mais vistos de todos os tempos (corrigidas as contas da inflação). O filme é uma instituição cinematográfica, e esse status ninguém - muito menos os elitistas culturais - pode tirar dele.

Quem escreveu um comentário nessa última "Seção de cartas", pode fazer de novo? É que postei de novo a seção e apaguei a antiga sem ter visto que tinha um comentário nela - e o resultado é que não li...

CEM PREFERIDOS - 45


45. Apertem os Cintos! O Piloto Sumiu... (David Zucker, Jon Abrahams, Jerry Zucker, 1980)

Todo mundo comparou Apertem os Cintos! com uma paródia da revista Mad, pelo estilo alucinado de sua paródia. Diferente de hoje, quando o estilo se desgastou em filmes que parodiam outros filmes (e suas principais cenas) especificamente, aqui o trio de diretores parodia um gênero: o filme-catástrofe. E o resultado é brilhante, surpreendente, avassalador.

SEÇÃO DE CARTAS

Eu tenho gmail, Ione. Mas uso mais como e-mail reserva. Sigo fiel ao Yahoo!, que é meu e-mail desde 1998 e sempre serviu legal.

Thiala, obrigado pela gentileza e pelo comentário. Você é de João Pessoa?

É verdade, Giselle, não aconteceu nada. Quem sou eu?... A Haryanne está de prova!

Tá, Hacéldama, cada amigo tem uma música pra você. Mas você ainda não respondeu por que as minhas são do Zeca Baleiro...

Ô, Mari... Teu lançamento vai ser mesmo adiado?...

Nossa, Tessa, você me lê? Que surpresa, que bom, e que bom saber que você tem um blog. Lerei, lerei... Um beijo grande pra você!

Carolinha, sabia que vou adorar ler seus comentários sobre a lista ora em curso?

CEM PREFERIDOS - 46


46. Banzé no Oeste (Mel Brooks, 1974)

Um brutamontes dá seguidos socos na barriga de uma velhinha. De repente, ela vira para a câmera e diz: "É um cidade cruel, não é?". É a cena que dá o tom da esculhambação geral de Banzé no Oeste, onde cada piada é melhor que a anterior, às vezes lembrando desenhos do Pernalonga. O nonsense total chega ao ponto de uma colossal briga fazer o elenco romper as paredes do cenário e acabar parando em outro - o de um musical gay que está sendo filmado ao lado! Entra até numa lista de melhores faroestes.

CEM PREFERIDOS - 47


47. Butch Cassidy (George Roy Hill, 1969)

Emma (Katharine Ross) passa a noite com Sundance Kid (Robert Redford). Mas, de manhã, é com Butch Cassidy (Paul Newman) que ela vai dar aquele inesquecível passeio em uma inovação tecnológica chamada bicicleta, ao som de "Raindrops keep fallin' on my head". Uma "armação ilimitada" dos tempos do velho Oeste? De qualquer forma, é só uma das grandes cenas do filme, que ainda tem a explosão do trem, a viagem para a Bolívia (toda mostrada em fotos) e a fuga da milícia, culminando no salto no precipício da dupla de bandidos mais simpática que já se viu.

CEM PREFERIDOS - 48


48. Cidade de Deus (Fernando Meirelles, 2002)

Os cinemanovistas que me desculpem, mas Cidade de Deus é, sim, o melhor filme brasileiro já feito. Fenomenal do roteiro sinuoso à montagem vibrante, o filme consegue ser criativo e didático ao mesmo tempo. Vai e volta no tempo com maestria e é extremamente criativo ao contar sua história. É sério, sem deixar de ter momentos divertidos pelo caminho. A trilha sonora é perfeita. E há várias cenas antológicas.

AINDA SIM

* Eu ia escrever aqui que há muitas variáveis dentro da vitória do "Não", que passam longe dessa besteirada de "garantir direitos", e muito mais pelo medo justo, embora infundado, de que os bandidos dissessem "Oba, vamos descer o morro e fazer a festa nas casas dessa legião de desarmados. Mas vou deixar nas palavras de alguém que é uma referência pessoal para mim:

Por que sim

O debate sobre a proibição ou não de armas é uma guerra de hipóteses. Discutem-se teses que pouco têm a ver com a realidade pessoal de cada um, já que a grande maioria dos que são a favor ou contra nunca pegou ou pegará numa arma. O embate é sobre o direito dos outros, entre pressupostos e previsões — portanto abstrações — diferentes.

A turma do SIM defende a tese lógica de que, quanto menos armas à disposição, menos armas serão usadas, e adota a hipótese de que o acesso dos bandidos às armas também será limitado e o combate ao crime facilitado. A turma do "Não" diz que os cidadãos ficarão indefesos contra bandidos cujo acesso a armas ilegais não será afetado pela proibição, avança a tese da interferência indevida do Estado nas nossas vidas e acena com a hipótese do caos.

Escolha a sua racionalização.

Eu escolhi a lógica do SIM porque os argumentos do "Não", sei não. Dizer que o desarmamento da população a deixaria vulnerável ao crime equivale a dizer que, até agora, a população armada fez um bom trabalho de se defender, o que não é o que mostram as estatísticas. As estatísticas e o bom senso (e a polícia) mandam não reagir ao criminoso armado. Uma vitória do "Não" no referendo teria que — pela lógica — ser seguida de medidas que encorajassem a compra de armas por particulares, eliminassem as restrições legais ao seu uso, e estimulassem o "vigilantismo". Um real, e não mais apenas teórico, engajamento da população numa guerra a tiros com os bandidos. Ou seja, aí sim o caos.

Prefiro a hipótese do desarmamento geral, que dá mais recursos à autoridade para pegar o criminoso antes do crime, à "banditização" de todo o mundo.

Quanto à limitação, pelo Estado, do direito do cidadão, ela é justificada em vários casos, dos sinais de trânsito que o impedem de se matar em cruzamentos à proibição de fumar em lugar público que o impede de matar seu vizinho. No caso da proibição das armas o Estado também interfere para proteger o cidadão de si mesmo. (Luís Fernando Veríssimo)

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