O QUE PENSAM DE MIM!

Tenho pensado ultimamente em como as pessoas me vêem. O que elas pensam de mim. Quando a gente diz essa frase, parece que imediatamente vem o complemento: "Não estou nem aí. Eu sou como eu sou e o resto que se dane". Não é por aí, eu tenho pensado nas coisas boas (embora com certo exagero) ou curiosas que as pessoas pensam a meu respeito. Não é nada, não é nada, esses pensamentos acabam querendo dizer alguma coisa.

- Uma amiga, por exemplo, disse mais de uma vez: "Renato é um homem para casar".
"Pra namorar, não, né?", eu respondi todas as vezes. Acreditam que uma namorada terminou um relacionamento comigo dizendo que queria casar comigo no futuro? "E a gente vai casar direto ou vai namorar antes?", perguntei. Cada uma...

- "Renato é o homem que ainda me faz acreditar que os homens podem prestar".
É mais ou menos isso o que outra amiga vive repetindo. É bom de ouvir, mas ainda acho que o conceito de "prestar" depende da mulher. A maioria parece achar que os cafajestes é que prestam...

- Um dia, no trabalho, meu chefe contou de uma briga que ele teve horas antes com uma colega por causa de algo que eu fiz e com que ela não concordou. No meio do bate-boca, ele soltou que ela estaria me "sabotando". A amiga ficou irritada e foi embora. Mais tarde, encontrei com ela casualmente. Mal me aproximei e ela, ao me explicar o que tinha acontecido, chorou muito, muito. A razão é: ela estava com medo de que eu estivesse pensando mal dela. Claro que não estava.

- "Quando o Renatinho está por perto, eu não gosto nem de falar palavrão".
Nas duas ou três vezes que esse amigo falou isso, eu mandei ele se $#&¨**$ e ficou tudo certo.

- Um dos meus amigos mais canalhas está expressamente avisado para não se meter com qualquer amiga minha sob o risco de ter o filme queimado impiedosamente por mim. Ele tentou negociar isso de todas as formas, mas não teve sucesso. Recentemente, me contou que, uma noite dessas, estava numa boate com uma amiga minha gatíssima, dançando coladinho, com tudo pronto para o bote: Aí, quando eu olhei pro lado, juro que vi você olhando ameaçadoramente pra mim! Não consegui fazer nada!

- Você é um dos caras mais queridos de João Pessoa. Não, você É o cara mais querido de João Pessoa.
Essa foi de um amigo recente, baseado em suas observações do Orkut. Viu o que vocês fazem? O rapaz fica aí, com essa impressão um tantinho assim de exagerada.

- Para terminar, essa, que impressiona: dia desses uma amiga foi surpreendida por sua turma - com quem tenho andado, mas que ela conhece há bem mais tempo - como se um tribunal estivesse formado e ela fosse a ré. Ela estava sendo julgada por estar "me iludindo", sem ter a intenção de que algo realmente acontecesse. Ao se defender, ela chorou. Veja bem: os amigos dela estavam presumivelmente me defendendo. E ela chorou porque nunca teve a intenção de me fazer qualquer mal (e nem fez) e simplesmente não suportou ser acusada disso. Ou seja: em última instância, chorou por mim.

CEM PREFERIDOS - 34

 
34. Um Convidado Bem Trapalhão (Blake Edwards, 1968)

Peter Sellers e o diretor Blake Edwards fizeram cinco exemplares da série A Pantera Cor-de-Rosa, mas o melhor filme deles é Um Convidado Bem Trapalhão, em que Sellers é o ator indiano convidado por engano para uma festa na alta roda. Diversos filmes de Edwards tem cenas de festas malucas, com uma cena nonsense atrás da outra. Desta vez, quase tudo é a festa e, só com isso, o diretor cria um dos filmes mais engraçados de todos os tempos.

CEM PREFERIDOS - 35

 
35. A Roda da Fortuna (Vicente Minnelli, 1953)

O musical é, entre outras coisas, a arte da precisão. E a precisão tem nome: Fred Astaire. Cyd Charisse também é precisa. E deslumbrante. Juntos, eles dão um dos momentos mais sublimes do cinema no número "Dancing in the dark", o balé no Central Park, à noite. Também há "The girl hunt", a brincadeira com os filmes noir e romances policiais. E há o contexto geral do filme, que mostra o processo de criação de um musical no teatro, onde se tenta equivocadamente transformar uma comédia leve numa "versão moderna de Fausto". O tempo prova que se pode ser sensacional sendo leve. Afinal, como diz um dos personagens: "Seja Shakespeare ou o burlesco, tudo é entretenimento". Graças a Deus.

CEM PREFERIDOS - 36


36. Manhattan (Woody Allen, 1979)

Talvez a cidade de Nova York tenha sido o grande amor de Woody Allen ao longo dos anos. Ele declarou esse amor inúmeras vezes ao longo da carreira, mas nenhuma se compara a Manhattan. Logo na abertura, cenas da cidade se sucedem, ao som da "Raphsody in blue", de Gershwin. O filme segue na linha cômico-intelectual onde o cineasta nada como um peixe. E personagens intelectuais - e que, portanto, acham que sabem tudo - tornam suas vidas amorosas cada vez mais complicadas por razões às vezes infantis, enquanto uma adolescente - e que, portanto, eles acham que não sabe nada - é a única que sabe o que quer, provando que mais madura que todos eles. Tudo numa magnífica fotografia em preto-e-branco. Obra-primíssima do cinema.

CRÍTICA/ A NOIVA-CADÁVER

Corpse Bride Corpse Bride

Resumo da ópera

Se há uma coisa que A Noiva-Cadáver (Corpse Bride, Estados Unidos, 2005) inequivocamente não consegue esconder, é que se trata de um filme de Tim Burton. Na verdade, é co-dirigido por ele e pelo especialista em animação stop-motion, Mike Johnson, mas forma e conteúdo são quase um resumo da obra completa de Burton. E esse resumo é o seguinte: uma atmosfera de filme de horror, mas um coração de conto de fada. Uns mais do que outros, mas quase todos os filmes de Tim Burton obedecem a esse preceito. Em A Noiva-Cadáver, que, pela natureza do projeto, ainda por cima é um filme infantil, isso fica ainda mais evidente.

Victor (voz de Johnny Depp), um noivo vacilante acaba, por acidente, casando com outra (voz de Helena Bonham Carter) – e essa outra, é uma mulher morta (mais precisamente, em processo de decomposição) que havia sido assassinada no dia do casamento e, desde então, espera pelo amor verdadeiro. É uma assombração, sem dúvida, mas logo mostra que também, é encantadora – tanto que fica difícil não torcer para ela.

Ela o leva para o mundo dos mortos - e a comparação entre os dois mundos também é bastante revelador da obra de Burton. O "mundo real" para o diretor é, em geral, bastante lúgubre e sem graça. Às vezes, até opressivo. O personagem principal acaba se refugiando (ou sendo levado para) uma realidade mais interessante onde pode se libertar (no sentido figurado ou outro mundo mesmo). 

Esse elemento está desde Os Fantasmas Se Divertem (1988) e Batman (1989) até Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas (2003) e A Fantástica Fábrica de Chocolate (2005). Em A Noiva-Cadáver, enquanto tanto os pais de Victor quanto os da noiva Victoria (voz de Emily Watson) não demonstram o mínimo carinho ou preocupação com os filhos, e querem casá-los só por interesse, o noivo conhece pessoas mortas, é verdade, mas bem mais cheias de vida no mundo dos mortos.

O excelente elenco de vozes é um trunfo (e que bom que o filme foi exibido aqui legendado, embora o ideal é que também estivesse disponível uma versão dublada, para as crianças pequenas). O filme não procurou as celbridades fáceis, preferindo escalar bons atores: Depp, Helena, Emily (uma das melhores atrizes da atualidade), Albert Finney, Tracey Ullman, Christopher Lee. 

Interessante também o fato de que o filme é um musical - difícil de ver até em desenhos animados, desde que o gênero deixou de ser exercitado no fim dos anos 1990. De certa forma, foi até bom, para que o musical dentro da animação deixasse de ser uma coisa banal e jóias como essa possam ser apreciadas como se devem - e as trilhas de Danny Elfman para os filmes de Tim Burton (é a 11ª) pareciam já estar pedindo vozes faz tempo.

E, para completar, a animação é um prodígio: muito expressiva, meio gótica, além de conseguir mostrar expressões complexas e ambigüidades nos personagens. Uma proeza. (RF)

A Noiva-Cadáver. Corpse Bride. Estados Unidos, 2005.  ****  Direção: Tim Burton, Mike Johnson. Vozes originais: Johnny Depp, Helena Bonham Carter, Emily Watson, Tracey Ullman, Paul Whitehouse, Joanna Lumley, Albert Finney, Richard E. Grant, Christopher Lee, Michael Gough, Danny Elfman

CEM PREFERIDOS - 37


37. Harry & Sally, Feitos um para o Outro (Rob Reiner, 1989)

A comédia romântica definitiva - dos anos 1980, pelo menos. Um diretor e uma roteirista, para equilibrar as visões masculina e feminina do filme, no "debate" sobre a amizade entre os sexos, o sexo na amizade, como cada gênero vê e lida com as mesmas situações de modo diferente, como o amor também implica em (muitas) conversas, como é bom ver Casablanca junto, de madrugada - mesmo que seja cada um em seu apartamento, comentando pelo telefone. E há Nova York, linda. E há os standards da música americana na trilha sonora. E há, claro, o orgasmo de Meg Ryan no restaurante. E há uma das mais lindas (e divertidas) declarações de amor do cinema.

PS.: Se quiser ler a declaração de amor, esta nessa página.

CRÍTICA/ PLANO DE VÔO

Flightplan Flightplan

Mãe coragem, parte dois

Três anos depois de O Quarto do Pânico (2002), Jodie Foster volta a protagonizar um filme e escolheu um bem parecido. Em Plano de Vôo (Flightplan, Estados Unidos, 2005), ela é novamente uma mulher que precisa enfrentar tudo à sua volta para defender a filha.

A diferença é que, desta vez, a filha desaparece logo no início da história, que se passa quase toda dentro de um avião. Ninguém lembra de ter visto a menina, e não demora para tripulação e passageiros pensarem que a mulher é louca.

Nós também pensaríamos assim, se não fosse a profusão de filmes recentes que se passam dentro da mente do protagonista, numa realidade que não é a mesma “do lado de fora”. Essa linha, original não faz muito tempo, hoje em dia já é clichê.

Pelo bem do filme, não é por aí que ele segue, mas isso não importa muito. A história e a direção não chegam a ser um primor, mas acertam no alvo ao jogarem todo o peso do espetáculo em Jodie Foster. É por causa do desempenho dela que Plano de Vôo se torna crível, mesmo com todas as inverossimilhanças da trama.

O tema da defesa da cria deve interessá-la especialmente, tendo em vista este filme e O Quarto do Pânico. Mas anda faltando aquele papel com que ela nos brindará novamente com um desempenho extraordinário. Ela está, como sempre, ótima em Plano de Vôo. Mas a verdade é que ela é melhor que o filme. (Renato Félix)

Plano de Vôo. Flightplan. Estados Unidos, 2005.  ***1/2  Direção: Robert Schwentke. Elenco: Jodie Foster, Peter Sarsgaard, Sean Bean, Kate Beahan, Erika Christensen.

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