CEM PREFERIDOS - 22


22. Indiana Jones e o Templo da Perdição (Steven Spielberg, 1984)

"Se a aventura tem um nome, o nome é Indiana Jones". Nunca um slogan de filme foi tão certeiro. Arqueólogo dos anos 1930, ele saía pelo mundo atrás de algum tesouro perdido. Geralmente, acabava esbarrando em algum artefato fantástico, como a arca onde Moisés depositou os dez mandamentos ou o cálice onde Cristo bebeu na última ceia e no qual, depois, Seu sangue foi recolhido por José de Arimatéia - nos outros filmes. Neste, o segundo, ele vai parar numa aldeia da Índia, que vive miséria por causa de uma seita que roubou sua pedra sagrada. Bem mais sombrio que os outros dois e com, talvez, a abertura mais movimentada da história do cinema (são 20 minutos de ação incessante da melhor qualidade), O Templo da Perdição é considerado por muita gente o melhor da série. Não é para menos: há os créditos iniciais com o número musical de "Anything goes", de Cole Porter (em chinês), toda essa seqüência inicial que começa numa casa noturna de Xangai e só vai parar às margens de um rio da Índia, o jantar com iguarias como cérebro de macaco, o herói hipnotizado pela seita do mal, a fuga pelos trilhos, o clímax na ponte suspensa sobre o abismo, o excelente final. Uma ótima história, com diversão do início ao fim, espetacular trilha de John Williams e direção inspiradíssima de Steven Spielberg, num resumo do que é o prazer do cinema.

CRÍTICA/ CIDADE BAIXA

 

Uma mulher baiana para dois

Cidade Baixa (Brasil, 2005) tem semelhanças determinantes com Madame Satã (2002) e não é por acaso - Karim Ainouz é roteirista de um e diretor do outro. Mas Cidade Baixa, de Sérgio Machado, é ligeiramente melhor, porque não se prende tanto a um rebuscamento visual, preferindo se deter nas complicadas relações humanas que expõe.

Amigos desde a infância, Naldinho (Wagner Moura) e Deco (Lázaro Ramos), donos de um barco no qual ganham a vida fazendo frete, entram em conflito por causa de uma prostituta, Karina (Alice Braga). Eles se interessam por ela, e ela pelos dois ao mesmo tempo.

Como em Madame Satã, os bas-fonds (aqui, os de Salvador) são o cenário e há uma disposição em passar realidade na vida ali. Por isso, o sexo é tão urgente, as relações entre pessoas que se amam são tão violentas, há pouco espaço para o carinho – e quando ele aparece é quase como uma válvula de escape, um esgotamento de um cotidiano quase sempre amargo.

Cidade Baixa não vai muito além disso, e nem precisa. O relacionamento nesse triângulo já basta como boa história e nem há - e nem pode haver - exatamente uma conclusão nesse combate entre desejo (amor?) e amizade. O filme acerta ao se apoiar nos dois atores, revelados pelo cinema, que estão ótimos. E Alice Braga é mesmo uma aparição - sua performance desinibida lembra mesmo os melhores momentos da tia, Sonia. (Renato Félix)

Cidade Baixa. Brasil, 2005.  ***1/2  Direção: Sérgio Machado. Elenco: Wagner Moura, Lázaro Ramos, Alice Braga, José Dumont.

CEM PREFERIDOS - 23


23. Tempos Modernos (Charles Chaplin, 1936)

O cinema sonoro já existia há nove anos. Mesmo assim, Charles Chaplin - que já era um gênio completo bem antes disso - insistiu em fazer de Tempos Modernos, um filme sem diálogos. Ao contrário do anterior, Luzes da Cidade (1931), rodado também quando o som já havia aparecido, ele reservou aqui alguns momentos bastante significativos em que os personagens falam com a própria voz: as ordens autoritárias do chefe da fábrica e uma música cantada por Carlitos em que a letra não faz o menor sentido. Nos momentos de "silêncio", o filme é eloqüente de verdade: um libelo contra a maquinização não da indústria especialmente, mas do ser humano. É uma cena antológica atrás da outra: o teste com a "máquina de comer"; Carlitos enlouquecendo com as repetições da linha de montagem e entrando nas engrenagens; pegando uma bandeira vermelha qualquer no chão e sendo, por isso, confundido com um líder grevista. Absolutamente brilhante.

CEM PREFERIDOS - 24


24. E.T., o Extra-Terrestre (Steven Spielberg, 1982)

Diz que François Truffaut, um dos mais incensados diretores da história, ficou tão encantado com Contatos Imediatos do Terceiro Grau (1977), no qual trabalhou como ator, que disse ao diretor (um jovem chamado Steven Spielberg): "Você devia fazer um filme para crianças". Anos depois, Spielberg fez E.T., o Extraterrestre (1982), um de seus filmes mais cintilantes. A sobrecapa de conto-de-fadas espacial esconde o que o filme tem de melhor: o de representar a alma mesma infantil. O E.T. também é uma criança, longe dos pais. Ele quer voltar para casa, e para eles. É acolhido por outras crianças, com o pai distante e cuja mãe possui dificuldades para se comunicar com eles. Com exceção dela, todos os demais adultos são mostrados durante a maior parte do tempo de costas, ou só pelas sombras, ou atrás de máscaras. Para as crianças, eles são os verdadeiro alienígenas. O filme é escuro, misterioso, durante muito tempo a luz só entra através de frestas. A trilha sonora de John Williams, comovente, com um tema que entrou para a história. O ponto alto, de muitos pontos altos, é a incrível perseguição dos carros de polícia às crianças em suas bicicletas. Contam que outro grande mestre do cinema, tal como Truffaut, o japonês Akira Kurosawa chorou quando assistiu E.T. Nós todos também, lágrimas caindo ou não.

SEÇÃO DE CARTAS

Manuzinha:"Ciúmes" porque fica se despedindo com "beijo na boca" por aí nos aniversários alheios (risos)...

Mari: Não é que os olhares tarados não existam. Digamos que eles ficam guardados para os momentos propícios, com aquelas que mereçam tais olhares. O Lobo Mau aparece quando é necessário e o carneirinho dá espaço pra ele com prazer, nem se preocupe (risos). Nunca vi a Ana Roditi pessoalmente, não. Na verdade, a gente só se falou por e-mail. Mas se você diz que eu ia gostar, de repente é melhor retomar o contato, não é? Ah, e no A Vida de Brian eu tinha mesmo que ter citado o apedrejamento (só que não é de uma prostituta - é de um sujeito que foi preso porque falou "Jeová").

Chris: Sua carta chegará, chegará... E não se preocupe: não bebo (quase nada), mas nunca deixei de ver os amigos beberem (risos).

Juliana: Eu posso até ficar de cabelo curto - mas de máquina um, jamé. Mas obrigado pelo elogio (do cabelo combinar)!

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