O QUE VOCÊ ODEIA NO RENATO FÉLIX? - ADENDO GISELLÍSTICO

Giselle, pode apostar que piada interna. É tão interna sua, que eu não tenho idéia do que você está falando... Olha, me manda um e-mail dizendo o que foi que eu fiz e neguei porque realmente sei lá o que deve ser.

E quem sou eu para destruir um com o olhar? Eu tenho lá essa moral? Tá pensando que eu sou a Medusa (risos). Tá certo que o meu cabelo até pode estar parecendo, mas, enfim...

O QUE VOCÊ ODEIA NO RENATO FÉLIX? - IV
Última fornada!
 
"Nele, nada. Mas bem que ele podia mudar o tema das festas. Anos 80, anos 80, anos 80... Que tal outra década?" - Maria Cláudia
 
Bom, primeiro eu já disse nesse blog que não tenho capacidade de fazer uma festa com músicas dos anos 1990 pra cá. Cansei de sofrer: musicalmente, eu praticamente parei no tempo mesmo. E há que se pensar que não é por acaso que essas festas são dos 1980: dos anos 1970, a Ruth Avelino já fez muitos assustados. Dos anos 1990 pra frente, as boates vivem tocando. Dos anos 1980, não havia nada.
 
"Os musicais!" - Flávio Renato
 
Flávio, vá à merda! E sapateando!
 
"É irritante o fato dele nunca se irritar!" - Eliane Cristina
 
Como assim, Eliane? Você diz isso porque nunca dividiu uma redação comigo...
 
"Ele é muito certinho!" - Wellington
"O ar de bom moço" - Elysio Júnior
"O politicamente correto dele e a mania de negar as coisas, aquilo que diz e depois diz que não disse!" - Giselle Ponciano
 
Opa, parece que é o meu aspecto mais odiado. Interessante, não? Tentar ser correto é o que as pessoas detestam em alguém. Vamos meditar sobre isso. Todos juntos agora. Aauummmmmmmm.
Oquei. Eu não sou absolutamente da política do "vou errando enquanto a vida me deixar". É errando que se aprende, mas é preciso querer acertar, não usar isso como desculpa para errar. Uma coisa é tentar acertar e acabar errando. Outra bem diferente é errar de propósito: isso é egoísmo ou irresponsabilidade (ou as duas coisas).
Se tenho ar de bom moço, bem, isso não importa - o que importa é que tento ser o melhor moço que posso. Também não estou preocupado em ser "certinho" ou "politicamente correto": tento ser apenas correto, fazendo o máximo possível para ser verdadeiro com as pessoas e não fazer com ninguém o que não gostaria que fizessem comigo. Acho que é uma boa política de vida. Tem gente que não liga pra isso - ou não liga pra isso o tempo todo. Bom, eu ligo. E tem mais: isso não facilita minha vida - de certo modo, até atrapalha. Mas o que é o certo é o certo.
Agora, Giselle, não entendi essa de "diz uma coisa e depois diz que não disse". O que foi que eu disse pra você e depois desdisse, mocinha?
CRÍTICA/ HARRY POTTER E O CÁLICE DE FOGO

Harry Potter & The Goblet of Fire Harry Potter & The Goblet of Fire

A hora de ganhar densidade

Harry Potter e o Cálice de Fogo (Harry Potter and the Goblet of Fire, Inglaterra/ Estados Unidos, 2005) vai mais fundo no que já se anunciava no capítulo anterior da série, o terceiro, Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban (2004): a história vai deixando de ser infantil para se tornar cada vez mais uma aventura de juvenil para adulta.

Os perigos ficam maiores, o vilão Voldemort (Ralph Fiennes) está mais perto do que nunca de voltar e tentar pra valer sua vingança, pessoas morrem (e a platéia se importa) e os personagens começam a se interessar vivamente pelo sexo oposto (embora pareçam ainda não saber muito bem o que fazer com ele - decifrá-lo é o maior desafio que enfrentam). O Cálice de Fogo, o capítulo central da série em sete partes, se posiciona mesmo como um divisor de águas na série.

O filme é bastante sombrio - já começa com um pesadelo de Harry (Daniel Radcliffe). Os trio inseparável - Hermione (Emma Watson), Rony (Rupert Grint) e ele - pela primeira vez têm problemas sérios entre si, motivados basicamente por ciúmes. Uma dinâmica bem interessante, e inexistente antes.

O versátil britânico Mike Newell acertou em dosar a aventura e o suspense com essa linha narrativa com o relacionamento dos personagens. A série Harry Potter já não é uma novidade e não encanta mais por si só: é a hora de aprofundar os personagens e aqui eles começam a ganhar densidade para valer. Que venham os próximos três. (Renato Félix)

Harry Potter e o Cálice de Fogo. Harry Potter and the Goblet of Fire. Inglaterra/ Estados Unidos, 2005.  ****  Direção: Mike Newell. Elenco: Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Michael Gambon, Maggie Smith, Alan Rickman, Miranda Richardson, Gary Oldman, Ralph Fiennes, Tom Felton, Robbie Coltrane, Jason Isaacs, Bonnie Wright.

CRÍTICA/ MARCAS DA VIOLÊNCIA

A History of Violence A History of Violence

O "homem de bem" pega em armas 

Há um filme de John Ford dos anos 40 chamado Depois do Vendaval (no original, The Quiet Man), em que John Wayne é um boxeador que matou um homem no passado e não quer mais lutar. Ele vai para um povoado na Irlanda, onde tudo e todos praticamente o forçam a entrar numa briga de novo. Há também Os Brutos Também Amam (1953), clássico do faroeste em que o pistoleiro Shane chega a uma fazenda isolada, tentando esquecer seu passado violento, mas é forçado a pegar em armas para defender a família que o acolheu. E há Sob o Domínio do Medo (1971), no qual um matemático é forçado a jogar duro para enfrentar os violentos vizinhos. Pois bem, não é exagero dizer que Marcas da Violência (A History of Violence, Estados Unidos, 2005), novo filme de David Cronenberg, segue as pegadas desses filmes antológicos.

Ao contrário: Marcas da Violência está bem distante dos filmes em que o diretor era, a despeito do talento inegável, conhecido como Cronenblergh - época de A Mosca (1986), por exemplo. A narrativa de Marcas da Violência é bem simples – e, claro, não à toa. Cronenberg começa com uma cena de extrema violência mostrada de modo quase banal. Depois, passa para o idílico cotidiano de Tom Stall, bem casado, com um casal de filhos, dono de uma lanchonete numa cidadezinha de Indiana.

Quando você está quase esquecido do começo do filme, ele se defende de um assalto e mata com precisão os bandidos. Não demora a aparecer um gângster que afirma que ele é um bandido que sumiu há tempos. Stall, em certa parte, diz ao filho que espancou um valentão na escola: “Esta família não resolve as coisas na briga”. Mas e agora?

Cronenberg diz que fez uma espécie de estudo sobre os efeitos da violência no seio de uma família. No caso, não é só a violência em si, mas até o espectro dela, a possibilidade de haver existido, o que desestabiliza Stall, a esposa e o filho mais velho. Há bolsões de violência - e até uma cena em que violência e atração sexual se misturam - que são choques no público em um filme que sabe onde colocar os pontos fortes da sua trama.

Marcas da Violência. A History of Violence. Estados Unidos, 2005.  ****  Direção: David Cronenberg. Elenco: Viggo Mortensen, Maria Bello, Ed Harris, William Hurt, Ashton Holmes, Peter MacNeill.

[ ver mensagens anteriores ]
Meu Perfil
BRASIL, Nordeste, JOAO PESSOA, Homem, de 26 a 35 anos, Portuguese, Spanish
MSN - renatofelix2002@hotmail.com