CEM PREFERIDOS - 16


16. A Princesa e o Plebeu (William Wyler, 1953)

Audrey Hepburn. Precisa de outra justificativa? Por mais que A Princesa e o Plebeu seja um marco por ser um dos primeiros filmes hollywoodianos a ser filmado todo em locação, por mais que sua comédia elegante e faceira sejam um modelo exemplar, por mais que William Wyler despeje delicadeza e sensibilidade na direção, por mais que Gregory Peck esteja (como o perdão do trocadilho) impecável, por mais que a fotografia em preto-e-branco seja um colírio, por mais que a tal locação seja simplesmente Roma, por mais que Eddie Albert como coadjuvante esteja simpático e divertido, o filme é dela. Foi o primeiro que fez em Hollywood, e Peck disse a Wyler que ela era a verdadeira protagonista e merecia destaque igual nos créditos. Tanto o ator estava certo que ela ganhou o Oscar de melhor atriz. O filme é Audrey. Audrey perdendo o sapato na cerimônia oficial. Audrey fugindo do palácio no caminhão de roupa suja, toda sorridente. Audrey cambaleando de sono e recitando um poema de Keats (ou Shelley?). Audrey cortando os cabelos no barbeiro italiano ("All off!"). Audrey tomando um sorvete na escadaria. Audrey levando um susto na boca della veritá (de verdade, por causa de uma peça pregada por Peck). Audrey pilotando, atrapalhada, a lambreta pela ruas da cidade. Audrey acertando um violão na cabeça de um dos agentes reais que a perseguem. Audrey dizendo que não sabe dizer adeus. Audrey tendo que esconder os sentimentos na coletiva à imprensa. O filme é Audrey - e, sendo assim, como poderia ser mais encantador?

DIAMETRALMENTE OPOSTOS

"(...) esse inverno tem sido mais cinzento que o anterior. Passar 4 dias inteiros dentro de casa tentando se recuperar da crise de sinusite teria sido certamente melhor não fosse acordarmos escuro, passar o dia inteiro escuro e estar breu antes das 4 da tarde. (...) Agora tá batendo uma saudade territorial. Me bate uma indignação tremenda ao pensar que no Brasil agora faz calor".
Longe Daqui, 10 de janeiro de 2006
Sheffield, Inglaterra

"Ele não me deixava dormir. Acordei a noite toda, nada de sossego, não havia posição, nem jeitinho, nem contar carneirinho, nem rezar o rosário, nada resolvia. (...) Aí eu levanto e tomo um banho. Volto pra cama e nada. (...) Aí eu levanto e arrasto o colchão pra varanda. (...) Até que uma brisa pra lá de leve, mas gelada cobriu-me os ombros e fez com que minhas pernas buscassem o caminho de baixo do lençol. E finalmente, sem calor, eu pude dormir."
Meu Cabelo É Marrom, 12 de janeiro de 2006
João Pessoa, Brasil

CEM PREFERIDOS - 17


17. Crepúsculo dos Deuses (Billy Wilder, 1950)

"Ei, você é Norma Desmond! Você era grande!". "Eu sou grande. Os filmes é que ficaram pequenos". Não é qualquer filme que tem diálogos desse quilate: quando o roteirista pé-rapado, devendo até as calças, descobre quem é a dona da mansão onde foi se esconder dos cobradores. Ela foi uma grande atriz do cinema mudo, cuja carreira acabou com a chegada do som. Ele precisa dela para dar um tempo, ela precisa dele para revisar seu gigantesco roteiro com que pretende voltar ao cinema, numa versão de Salomé. Crepúsculo dos Deuses começa de um jeito revolucionário para época em que foi feito: começa com um corpo encontrado pela polícia numa piscina - e é esse morto quem conta a história, em flashback. Mau-caratismo, paixão, loucura e esperança se misturam num caleidoscópio fílmico que um dos maiores tapas na cara que Hollywood já recebeu de um dos seus. O gênio Billy Wilder faz um de seus filmes mais corrosivos, com participações de figurões reais do cinema mudo, esquecidos após o advento do som. A própria Gloria Swanson, que intepreta Norma Desmond, é uma delas - e sua volta é um show de interpretação, causando um sentimento que é algo entre a comoção e o medo.

CEM PREFERIDOS - 18


18. Monty Python em Busca do Cálice Sagrado (Terry Gilliam, Terry Jones, 1974)

Logo nos créditos de abertura, já se tem completamente uma idéia do que vem pela frente: entre os nomes de elenco e equipe, começam a aparecer legendas falando sobre alces na Suécia, daí a pouco os próprios nomes da equipe são suecos, e em seguida os créditos são interrompidos e entra um anúncio dizendo que os responsáveis foram demitidos e... Bom, mentira: não se tem completamente uma idéia do que vem pela frente porque o nonsense do grupo inglês Monty Python chega a níveis inimagináveis à medida que a história avança. O Rei Arthur e seus cavaleiros vão em busca do Santo Graal enfrentando obstáculos que, hoje, são antológicos: um convento de noviças ninfomaníacas, um coelhinho que é o guardião de uma caverna e os inacreditáveis Cavaleiros que Dizem Ni, entre outras deliciosas baboseiras. Tirando o máximo proveito dos efeitos precários e sem ter medo do ridículo, o filme tem a qualidade de rir de si mesmo e é simplesmente uma das melhores comédias já feitas.

CEM PREFERIDOS - 19


19. A Malvada (Joseph L. Mankiewicz, 1950)

A Malvada possui um dos melhores roteiros já escritos, com diálogos cheios de cinismo, que já são um deleite por si só. O diretor Mankiewicz faz uma direção acertadamente discreta, preferindo valorizar completamente as falas e o elenco - e um elenco encabeçado por Bette Davis não é qualquer um. Ela trava um duelo cena a cena com Anne Baxter - a primeira, como a estrela de teatro que acaba de chegar aos 40; a segunda, como sua fã ardorosa, acolhida como assistente, mas com desejos próprios. Entre os atores, há também coadjuvantes fabulosos (Thelma Ritter, George Sanders, Celeste Holm) e uma loirinha voluptuosa fazendo pouco mais que uma ponta: é ninguém menos que Marilyn Monroe, antes da fama. Um conto de falsidades e futilidades nos bastidores do teatro, abrilhantada por frases antológicas como "Apertem os cintos: vai ser uma noite turbulenta" ou "Temos em comum desprezo pela humanidade, incapacidade para amar ou ser amados, ambição insaciável - e talento. Nascemos um para o outro". É o filme com o maior número de indicações ao Oscar (junto com Titanic): 14. Desses, ganhou seis - melhor filme, inclusive.

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