CEM PREFERIDOS - 9


9. O Poderoso Chefão (Francis Ford Coppola, 1972)

"Não é pessoal. São negócios". É o lema da máfia, onde se mata não por ódio, mas quando é conveniente. E mesmo assim, há a família a ser protegida. Don Corleone (Marlon Brando) se equilibra nessa balança, prepara op filho Sonny (James Caan) para herdar os negócios e Michael (Al Pacino) para liderar a família rumo à legalidade. Mas as intrigas e a ambição nesse mundo criminoso (ou o destino) vai mudar tudo. O Poderoso Chefão é um filme policial, mas também é quase uma ópera, onde são os acontecimentos da intimidade que dão o tom dos grandes acontecimentos. O sangue na tela foi mais um passo em relação à abertura de fronteiras que o cinemão americano viveu nos anos 1970, mas o filme choca ainda mais pelos valores dúbios: o filme faz o espectador torcer por quem corta cabeças de cavalos apenas para intimidar alguém, ou manda assassinar os inimigos enquanto renega o Diabo no batizado do afilhado. Roteiro e direção irrepreensíveis, com grandes momentos distribuídos pelo filme e atuações antológicas de todo o elenco (Brando, Pacino, Diane Keaton, Robert Duvall, Talia Shire...). Talvez, nove fora, seja o melhor filme já feito. Talvez.

PENSAMENTO ZÁS-TRÁS

Esse negócio da nostalgia anos 1980 está tão séria que ontem à noite a Globo passou Flamengo x Peñarol!

CEM PREFERIDOS - 10


10. Os Intocáveis (Brian de Palma, 1987)

É difícil colocar na tela um herói incorruptível que convença. E Elliot Ness é o arquétipo do bom-moço, que chega a gritar numa cena: "Vamos fazer o que é certo!". Em casa, Ness é um marido carinhoso e um pai exemplar. E Kevin Costner consegue transformá-lo em uma pessoa real, a âncora moral de um grupo que foi formado para acabar com a corrupção em uma cidade que estava mergulhada nela. Os Intocáveis foi feito numa época em que já não se fazia filmes de homens bons contra homens maus. O mérito de Ness ser real também é, claro, do diretor Brian De Palma, que o defende com unhas e dentes, usando todo o seu arsenal de firulas cinematográficas que marcam seu estilo. Não faltam câmeras subjetivas, ultra-plogées, câmeras lentas. Tudo usado com muito bom senso e bom gosto, criando um cena absolutamente antológica atrás da outra. Todas abrilhantadas por um elenco que tem, além de Costner, Sean Connery, Charles Martin Smith, Andy Garcia e Robert De Niro (como Al Capone). É até injusto com as outras cenas escolher algumas, mas não dá para não citar a seqüência da escadaria - uma citação de O Encouraçado Potemkin que ganhou facilmente luz própria: um tiroteio na estação de trem, enquanto um carrinho de bebê desce desgovernado as escadas. Há também a batida a cavalo na fronteira com o Canadá (uma homenagem ao western), a perseguição nos telhados, a invasão da casa em câmera subjetiva... E há o roteiro impecável de David Mamet, com diálogos inesquecíveis ("Sr. Ness! Eu não aprovo os seus métodos!"; "É? É porque você não é de Chicago"), a reconstituição de época de cair o queixo e, claro, a música esplendorosa de Ennio Morriconne. Um jóia do cinema, pronto para virar um clássico.

O MINHA VIDA DE CINÉFILO APOSTA
...em Os Produtores - Porque é baseada em uma comédia engraçadíssima, Primavera para Hitler; porque na Broadway o espetáculo foi um grande sucesso; porque é uma chance de ver o velho e bom Mel Brooks por cima de novo (ele que andou dirigindo umas bobagens na década passada); e porque é um musical - e o Minha Vida de Cinéfilo adora musicais. Estréia nesta sexta em João Pessoa.
HISTÓRIA

Num dos episódios da terceira temporada de Seinfeld, alguém diz que os namoros que têm histórias legais do seu começo têm mais chance de dar certo (não vou lembrar o diálogo exato, o DVD está emprestado - depois prometo voltar ao assunto e colocar aqui). Era algo assim:

- Por exemplo, fulano e sicrana discutiram por uma vaga de estacionamento e acabaram tomando um café, trocando os telefones e saindo juntos. É uma grande história. Onde vocês se conheceram, por exemplo?

- Fomos apresentados numa festa...

- Ih, então vocês não vão dar certo.

Bom, se a chance de dar certo é maior ou menor, eu não sei. Mas sabe de uma coisa? É muito mais saboroso quando começa com uma boa história. A namorada ser linda e inteligente também ajuda bastante, claro.

CEM PREFERIDOS - 11


11. Os Caçadores da Arca Perdida (Steven Spielberg, 1981)

Logo no começo do filme, ele atravessa um fosso pendurado no chicote, foge de uma bola de pedra gigante que rola atrás dele, depois de uma tribo indígena hostil. O prólogo de Os Caçadores da Arca Perdida é o supra-sumo do cinema de aventuras, como o filme inteiro o é. Inspirado nos antigos seriados em episódios dos anos 1940, o filme trouxe de volta - mais até do que a série Guerra nas Estrelas - o sabor do puro cinema de entretenimento. Tudo a reboque de um herói carismático, que pode trapacear para vencer, se necessário, que não consegue sempre vencer alguém mais forte, que tem medos e ciúmes. E, ainda por cima, é um intelectual que também é aventureiro - afinal, Indiana Jones é, antes de mais nada, um arqueólogo. O roteiro une história, mitologia cristã, passagens secretas, vilões terríveis, uma valente mocinha em apuros, ótimas piadas, a magistral trilha sonora de John Williams, tudo orquestrado pela direção impecável de Spielberg. Este é para ver e rever muitas e muitas vezes.

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